Horário de verão economiza energia? A conta na sua casa e no país

Na sua casa, adiantar o relógio poupa no máximo uma hora de luz por dia: 1,35 kWh e R$ 1,08 por mês com cinco LEDs. Veja por que o governo deixou de adotar a medida.

Na conta de uma casa, o horário de verão economiza pouco: ele só tira, no máximo, uma hora de lâmpada acesa no fim do dia. Com cinco lâmpadas LED de 9 W, isso dá 1,35 kWh e cerca de R$ 1,08 por mês com o kWh a R$ 0,80, sem tributos. No país, o Ministério de Minas e Energia concluiu em 2019 que a economia tinha chegado perto de zero, e o Brasil não adota a medida desde então.

A ideia de que adiantar o relógio poupa energia fazia mais sentido quando a iluminação era incandescente e o pico de consumo caía no começo da noite. As duas coisas mudaram. A seguir, a conta da sua casa, o que o governo alegou para acabar com a medida e onde a economia de verão realmente está.

O que muda na sua casa quando o relógio adianta

O horário de verão não desliga nenhum aparelho. Ele só desloca a rotina da casa uma hora em relação ao sol. Quem chega do trabalho às 18h encontra o céu ainda claro e demora mais para acender as luzes.

Por isso, o único gasto que diminui de forma direta é o da iluminação no fim da tarde. O resto segue igual:

  • A geladeira funciona 24 horas de qualquer jeito.
  • O banho continua durando os mesmos minutos, com a mesma potência do chuveiro.
  • A TV, o computador e o carregador do celular ficam ligados o mesmo tempo.
  • O ar-condicionado depende do calor dentro de casa, não do relógio.

Há ainda uma compensação na outra ponta do dia. Quem acorda antes do nascer do sol passa a acender a luz de manhã por mais tempo, porque o dia clareia uma hora mais tarde no relógio. A lâmpada muda de horário; ela não desaparece da rotina.

A conta da iluminação

Suponha o melhor caso para a medida: a casa economiza uma hora inteira de luz todos os dias, sem acender nada a mais pela manhã. A tabela usa 30 dias e R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial de 100 distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 28/09/2026 (a tarifa de cada distribuidora está em tarifas).

Lâmpadas que deixam de ficar acesas 1 hora por dia Energia poupada no mês Valor no mês
3 LEDs de 9 W 0,81 kWh R$ 0,65
5 LEDs de 9 W 1,35 kWh R$ 1,08
10 LEDs de 9 W 2,7 kWh R$ 2,16
5 incandescentes de 40 W 6 kWh R$ 4,80

A conta de cada linha é número de lâmpadas vezes potência vezes 1 hora vezes 30 dias. Na linha de cinco LEDs: 5 × 9 W × 1 h × 30 = 1.350 Wh, ou 1,35 kWh. O passo a passo dessa conta está em como calcular consumo de energia.

A LED de 9 W é a Philips LEDbulb A60, que o fabricante declara equivalente a uma incandescente de 60 W. A incandescente de 40 W vem da tabela do Inmetro de lâmpadas de uso doméstico, na edição de julho de 2014. O custo de cada lâmpada por hora e por mês está em quanto gasta uma lâmpada LED.

Mesmo somando os cerca de quatro meses em que a medida costumava valer, de outubro ou novembro até fevereiro, a casa com cinco LEDs pouparia 5,4 kWh, uns R$ 4,32 na temporada inteira. Com lâmpadas incandescentes, a mesma hora pesaria mais de quatro vezes, e essa é uma das razões por que o horário de verão rendia mais no passado.

Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional. Nos 1,35 kWh do exemplo de cinco LEDs, a amarela de setembro somaria cerca de R$ 0,03. ICMS e PIS/Cofins também entram na fatura, com alíquota que muda por estado, e o guia de tributos e CIP mostra onde eles aparecem.

Por que o governo acabou com o horário de verão

O Decreto nº 9.772, de 25 de abril de 2019, encerrou a hora de verão em todo o território nacional e revogou os decretos anteriores que a regulavam. Segundo a Agência Brasil, a decisão se apoiou em recomendação do Ministério de Minas e Energia, que apontou pouca efetividade na economia de energia, e em estudos da área de saúde sobre o relógio biológico.

Na mesma reportagem, o então secretário de Energia Elétrica do ministério, Ricardo Cyrino, disse que a economia com a medida vinha caindo e, naquele ano, estaria perto da neutralidade. Ele deu três motivos:

  1. A iluminação ficou mais eficiente.
  2. O ar-condicionado se espalhou e levou o pico de consumo para as 15 horas.
  3. Parte dos chuveiros elétricos foi substituída, e o banho deixou de coincidir tanto com o acendimento da iluminação pública às 18 horas.

O objetivo original, segundo o secretário, era aliviar o pico de consumo por volta das 18 horas e aproveitar mais a luz do sol. Com o pico no meio da tarde, adiantar o relógio perdeu o efeito que tinha sobre ele.

A discussão de 2024

O assunto voltou em 2024, durante a seca. Segundo a CNN Brasil, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) recomendou ao governo, em setembro daquele ano, a mudança temporária de horário como medida de economia financeira, com ganho que poderia chegar a R$ 400 milhões em 2024.

Repare no tipo de economia. O ONS falou em economia financeira para o sistema, não em uma redução relevante no consumo de cada casa. Em 16 de outubro de 2024, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou que o horário de verão não seria retomado naquele ano. A justificativa, segundo a mesma reportagem, foi a volta do período chuvoso, com reservatórios suficientes para fechar o ano. O ministro disse ainda que a medida poderia ser adotada a partir do ano seguinte.

A situação em 2026

Até a consulta de 28/09/2026, o Decreto nº 9.772/2019 aparecia no site do Planalto sem registro de revogação. Para o horário de verão voltar, o governo precisaria publicar um novo decreto. Segundo a MegaWhat, em 16/09/2026, o governo já descartou a retomada na temporada do fim de 2026 e início de 2027: estudos do ONS, citados no planejamento do Ministério de Minas e Energia, concluíram que, nas condições atuais, não há necessidade de adiantar os relógios.

No Congresso, corre o caminho oposto. Em 29/09/2025, a Agência Câmara informou que a Comissão de Minas e Energia aprovou o substitutivo ao Projeto de Lei 397/07, que proíbe a adoção do horário de verão no país, com exceção para casos como crise energética. A reportagem cita estudo do ministério e do ONS segundo o qual a medida não tem gerado economia de energia. Naquela data, o projeto ainda seguiria para a Comissão de Constituição e Justiça e, para virar lei, precisaria passar pela Câmara e pelo Senado.

Para a conta de luz da sua casa, nenhum dos dois cenários muda muito. A diferença, como mostra a tabela acima, fica em poucos reais por mês.

Onde a economia de verão realmente está

Se o objetivo é pagar menos entre dezembro e março, o relógio é o lugar errado para procurar. Os aparelhos que mais pesam nessa época são outros:

  • O ar-condicionado passa mais horas ligado e gasta mais por hora quando lá fora está mais quente. Cortar uma hora por noite rende mais que qualquer mudança de horário. As contas estão em como economizar energia no verão.
  • O chuveiro pode ir para a posição menos quente nos dias de calor, o que mexe em dezenas de kWh por mês numa casa com várias pessoas. Veja quanto gasta um chuveiro elétrico.
  • A geladeira trabalha mais com a cozinha quente. Os cuidados estão em quanto gasta uma geladeira.

A explicação completa de por que a fatura sobe nos meses quentes está em por que a conta de luz sobe no verão. E, se você ainda tem lâmpadas incandescentes ou halógenas em casa, trocá-las por LED poupa, todos os dias do ano, mais do que o horário de verão pouparia em uma temporada. Para ver quanto cada troca rende na sua casa, use a calculadora com a potência e as horas de cada ponto de luz.

Como saber se a sua conta mudou por causa do horário

Se o horário de verão voltar algum dia, não compare a conta de dezembro com a de setembro para medir o efeito. O verão traz mais ar-condicionado, mais geladeira trabalhando e, às vezes, outra bandeira tarifária. O ciclo de leitura também muda de tamanho de um mês para o outro.

O jeito honesto de comparar é pelo consumo por dia, no mesmo mês de anos diferentes, olhando o histórico da própria fatura. O guia comparar contas de dias diferentes mostra como dividir o kWh pelo número de dias do ciclo, e o guia usar o histórico de consumo da conta explica onde achar os meses anteriores.

Perguntas frequentes

O horário de verão reduz a conta de luz?

Reduz muito pouco numa casa com lâmpadas LED. No melhor caso, a casa economiza uma hora de iluminação por dia: com cinco LEDs de 9 W, 1,35 kWh e cerca de R$ 1,08 por mês, antes de tributos.

Por que o horário de verão acabou?

O Decreto nº 9.772/2019 encerrou a medida depois que o Ministério de Minas e Energia apontou economia de energia perto da neutralidade. Segundo o ministério, o pico de consumo tinha migrado do começo da noite para as 15 horas, com a expansão do ar-condicionado.

Vai ter horário de verão em 2026?

Não está previsto. Segundo a MegaWhat, em 16/09/2026, o governo descartou a retomada na temporada do fim de 2026 e início de 2027, com base em estudos do ONS. Até 28/09/2026, o decreto que encerrou a medida seguia sem revogação no site do Planalto, e a volta dependeria de um novo decreto do governo federal.

Quem ganha mais com o horário de verão?

Pelos argumentos oficiais, o sistema elétrico, e não cada casa. A recomendação do ONS em 2024 falava em economia financeira, estimada em até R$ 400 milhões naquele ano.

O horário de verão aumenta o uso do ar-condicionado?

As fontes consultadas não trazem esse número para residências. O que o ministério afirmou em 2019 é que o ar-condicionado deslocou o pico de consumo do país para o meio da tarde, horário que a mudança do relógio não alivia.

Fontes: Planalto, Decreto nº 9.772, de 25 de abril de 2019, Agência Brasil, Bolsonaro extingue horário de verão (25/04/2019), CNN Brasil, governo não retomará horário de verão em 2024 (16/10/2024), Agência Câmara, comissão aprova proibição do horário de verão (29/09/2025), MegaWhat, governo descarta retorno do horário de verão em 2026 (16/09/2026), Signify (Philips), LEDbulb 9 W A60, Inmetro, tabela de lâmpadas incandescentes de uso doméstico, ANEEL, dados abertos das tarifas das distribuidoras (consultados em 28/09/2026) e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.