Disjuntor DR: o que é, como funciona e como testar o botão

O DR de 30 mA desliga o circuito quando a corrente escapa para a terra, como num choque. Veja como ele funciona, o teste do botão T e quanto uma fuga custa.

O disjuntor DR, ou dispositivo diferencial residual, desliga o circuito quando percebe que parte da corrente está escapando para a terra. O modelo de 30 mA desarma quando a fuga chega a esse nível, o de um choque perigoso. A sensibilidade vem impressa no próprio dispositivo, e há modelos de 300 mA, que não desarmam com uma fuga desse tamanho. O disjuntor comum protege os fios contra sobrecarga e curto-circuito. O DR protege as pessoas.

Ele fica no quadro e tem um botão de teste, em geral marcado com a letra T. A seguir, como o DR percebe a fuga, o que um ensaio do Corpo de Bombeiros mostrou, a diferença entre IDR e DDR, como fazer o teste e por que uma fuga pequena, que não derruba nada, também aparece em kWh.

Como o DR percebe uma fuga

Num circuito sem defeito, toda a corrente que sai pela fase volta pelo neutro. Ida e volta são iguais. O DR fica medindo essas duas correntes o tempo todo.

Se uma parte da corrente encontra outro caminho, como a carcaça de um aparelho ligada à terra, um fio descascado encostado na parede úmida ou o corpo de uma pessoa, a volta fica menor que a ida. Essa diferença é a corrente residual. Quando ela passa do limite do dispositivo, ele abre o circuito.

O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) resume: o DR, “ao detectar uma fuga de corrente para a terra com uma intensidade superior 30 mA, como no caso de choque elétrico, desarma”. A Schneider Electric explica a escolha desse número: a partir dele, num choque, a pessoa “já corre risco de vida”.

O que o ensaio do Corpo de Bombeiros mostrou

Em 2021, o laboratório de elétrica da Diretoria de Investigação de Incêndio do CBMDF montou uma bancada para simular um choque. Um resistor e uma lâmpada em série, somando 4.700 ohms, faziam o papel do corpo; uma ponta de teste inserida na tomada fazia o papel do dedo.

  • Sem o DR no circuito, o multímetro registrou 30,86 mA passando pela ponta de teste até a terra. Numa pessoa, segundo o estudo, essa corrente já seria capaz de causar danos e, conforme o tempo de exposição, levar à morte.
  • Com o DR ligado, o multímetro “sequer registrou a corrente”, porque o circuito desarmou muito rapidamente.

O mesmo estudo traz o tamanho do problema: pelo anuário de 2020 da Abracopel, houve cerca de 1.662 acidentes de origem elétrica no Brasil em 2019; 909 foram choques elétricos, e 697 deles, fatais.

DR, IDR, DDR e disjuntor comum

O nome “disjuntor DR” é usado no dia a dia para dois produtos diferentes:

Dispositivo Detecta fuga (protege pessoas) Protege contra sobrecarga e curto (protege fios) Precisa de disjuntor junto?
Disjuntor comum Não Sim Não
IDR (interruptor diferencial residual) Sim Não Sim
DDR (disjuntor diferencial residual) Sim Sim Não

A Schneider é direta sobre o IDR: ele previne a fuga de corrente, “mas não curto-circuito”, por isso não dispensa o disjuntor. O CBMDF descreve o IDR como detector de fuga “instalado juntamente com o disjuntor” e o DDR como o que faz as duas funções.

Por fora, os dois têm botão de teste. A diferença está na etiqueta do produto. Quem escolhe e instala é o eletricista.

Onde o DR é exigido

Segundo o CBMDF, a NBR 5410, a norma brasileira de instalações elétricas de baixa tensão, torna o uso do DR obrigatório nas instalações elétricas. Casas antigas, anteriores à exigência ou reformadas sem projeto, podem não ter nenhum.

Olhe o quadro. Se não houver nenhum dispositivo com botão de teste, peça a um eletricista habilitado para avaliar a instalação. O DR trabalha melhor com a casa aterrada; o motivo está em aterramento elétrico: para que serve.

Como testar o DR

O CBMDF recomenda conferir periodicamente o funcionamento do DR “acionando o botão de teste presente no próprio dispositivo”. O teste simula uma fuga:

  1. Avise quem estiver em casa e desligue computadores com trabalho aberto no circuito.
  2. Aperte o botão T com o dedo.
  3. O DR deve desarmar na hora e a energia daquele circuito deve cair.
  4. Levante a alavanca de volta.

Se o DR não desarmar ao apertar o botão, ele não está protegendo. Não mexa no quadro: chame um eletricista. O mesmo estudo alerta que um DR danificado ou usado de forma incorreta pode, ele próprio, virar fonte de incêndio, e pede conexões sem folga e um dispositivo compatível com a carga do circuito.

Uma fuga pequena também custa kWh

Fuga é energia que sai da tomada e não faz trabalho útil, mas o medidor conta. O CBMDF observa que o DR, ao detectar a fuga para a terra, também diminui o desperdício de energia.

A potência de uma fuga é a tensão vezes a corrente que escapa. Nos exemplos abaixo, as correntes são ilustrativas, escolhidas para mostrar a escala, com a fuga contínua o mês todo (720 horas) e o kWh a R$ 0,80, a mediana residencial de 98 distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 11/09/2026:

Fuga Tensão Potência perdida kWh no mês R$ no mês
10 mA 127 V 1,27 W 0,91 R$ 0,73
20 mA 220 V 4,4 W 3,17 R$ 2,53
100 mA 220 V 22 W 15,84 R$ 12,67

As duas primeiras linhas ficam abaixo dos 30 mA e podem passar sem que um DR de 30 mA atue. A última, sem DR, fica escondida na conta mês após mês; com um DR de 30 mA, desarma e obriga a encontrar o defeito. Tributos e a bandeira aumentam esses valores. Uma fuga real varia com umidade e uso, e o diagnóstico é do eletricista; os sinais na conta estão em fuga de corrente e consumo alto. Para comparar com o consumo normal dos seus aparelhos, use a calculadora.

O que o DR não faz

  • O IDR não protege contra curto e sobrecarga. Para isso existe o disjuntor, e o DDR junta as duas funções.
  • Não substitui o aterramento. Sem fio terra, a carcaça com defeito fica energizada até alguém tocar; só então a fuga aparece.
  • Não detecta tudo. Se a pessoa toca fase e neutro ao mesmo tempo, isolada do chão, a corrente sai e volta pelo mesmo circuito, sem diferença entre ida e volta. Por isso mexer em fiação energizada continua proibido, com ou sem DR.
  • Não impede surtos. Picos de tensão são assunto do protetor de surto (DPS).

Quando o DR desarma

Um DR que cai está avisando que existe fuga em algum ponto do circuito: um aparelho com isolamento danificado, um chuveiro com problema, umidade numa caixa de passagem. As causas e o que fazer em cada caso estão em disjuntor desarmando: causas, e o caso do banho em choque no chuveiro: o que fazer.

Nunca desative o DR, não troque por um disjuntor comum e não prenda a alavanca. Desconecte os aparelhos daquele circuito, tente religar e, se ele voltar a cair, chame um eletricista.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre DR e disjuntor comum?

O disjuntor comum desliga quando a corrente total passa do limite do fio, numa sobrecarga ou num curto. O DR desliga quando a corrente que volta é menor que a que foi, sinal de que algo escapou para a terra. Um protege a instalação; o outro, as pessoas.

O DR aumenta a conta de luz?

Não. Ele não é um aparelho de consumo. Ao contrário: ao cortar uma fuga acima de 30 mA, ele interrompe uma perda que seria paga todo mês.

Com que frequência devo testar o DR?

O CBMDF recomenda o teste periódico pelo botão T, sem fixar prazo no estudo. Siga o intervalo indicado no manual do fabricante do seu dispositivo.

DR e DPS são a mesma coisa?

Não. O DR detecta fuga de corrente e protege pessoas contra choque. O DPS desvia surtos de tensão e protege os aparelhos. Uma instalação completa costuma ter os dois, além do aterramento.

Fontes: CBMDF, Estudo Técnico nº 02/2021 sobre o dispositivo DR, Schneider Electric, dispositivos essenciais para segurança elétrica e Schneider Electric, interruptor diferencial de 300 mA.