Descarte de lâmpada fluorescente: onde levar e o que fazer se quebrar

Fluorescente não vai no lixo comum: tem mercúrio e entra na logística reversa. Veja onde entregar, como guardar, o que diz a lei e como limpar uma lâmpada quebrada.

Lâmpada fluorescente queimada não vai no lixo comum: guarde-a inteira e leve a um ponto de entrega da Reciclus, a entidade que organiza a logística reversa dessas lâmpadas no Brasil. A Reciclus informa 4.021 pontos no país, com busca por cidade ou endereço no site, e qualquer pessoa pode usar o coletor sem ser cliente da loja onde ele fica.

O motivo é o mercúrio. A agência ambiental dos Estados Unidos (EPA) estima que uma fluorescente compacta tem, em média, cerca de 4 miligramas de mercúrio selados no vidro. Enquanto a lâmpada está inteira, nada escapa; quando ela quebra num saco de lixo, o vapor e o pó se espalham.

Por que a fluorescente precisa de descarte separado

O mercúrio é o que faz a lâmpada fluorescente acender com eficiência. Ele fica preso dentro do tubo e não sai com a lâmpada em uso, segundo a EPA. O problema começa no descarte. A Reciclus explica que a lâmpada jogada no lixo comum quebra e libera mercúrio no solo e no ar, o que chega aos rios, aos animais e à vegetação.

O Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir), do governo federal, lista os efeitos da exposição ao mercúrio conforme o grau: doenças graves no fígado, nos rins e nos sistemas nervoso e reprodutivo. Uma lâmpada tem pouco mercúrio, mas milhões delas no lixo somam.

Para ter uma escala: a EPA compara os 4 mg de uma compacta com os cerca de 500 mg de um termômetro de mercúrio antigo, o equivalente a mais de 100 lâmpadas.

O que diz a lei

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305/2010, obriga fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de “lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista” a manter um sistema de logística reversa, ou seja, de receber de volta o produto depois do uso. O parágrafo 4º do artigo 33 diz que os consumidores devem devolver esses produtos aos comerciantes ou distribuidores.

O sistema funciona por um acordo setorial entre a União, as associações do setor de iluminação e empresas fabricantes, importadoras e comerciantes de lâmpadas. Dele nasceu o programa Reciclus, em novembro de 2014, e a associação que opera a coleta. Pela tabela anual do Sinir, com dados da Reciclus, de 2017 a 2024 foram recolhidas 45.619.565 lâmpadas.

O regulamento atual da lei é o Decreto 10.936/2022, que substituiu o Decreto 7.404/2010. Ele diz que, onde houver coleta seletiva ou logística reversa, o consumidor deve separar e entregar o resíduo da forma prevista. O mesmo decreto mudou o Decreto 6.514/2008 para prever advertência ao consumidor que descumprir essas obrigações e, se houver reincidência, multa de R$ 50 a R$ 500.

Quais lâmpadas entram nesse descarte

A lei cita as lâmpadas fluorescentes, as de vapor de sódio e mercúrio e as de luz mista. Na prática, isso inclui:

  • fluorescentes compactas, as espirais ou em “U” de rosca comum;
  • fluorescentes tubulares, as de calha;
  • lâmpadas de vapor de sódio e de mercúrio, que o Sinir descreve como usadas sobretudo em espaços públicos e industriais;
  • lâmpadas de luz mista.

LED e incandescente não têm mercúrio e não estão nessa lista da lei. Antes de levar uma LED ao coletor, pergunte no ponto de entrega se ele recebe, ou confira as regras de descarte da sua prefeitura.

Como descartar, passo a passo

  1. Desligue o interruptor e espere a lâmpada esfriar antes de tirar. Em luminária de tubo, desligue também o disjuntor do circuito.
  2. Guarde a lâmpada inteira, de preferência na embalagem da lâmpada nova ou enrolada em papel ou papelão, para não quebrar no transporte.
  3. Não coloque no saco de lixo, na coleta seletiva comum nem no entulho.
  4. Procure o ponto de entrega mais próximo no buscador da Reciclus, pelo nome da cidade ou pelo endereço. O Sinir cita supermercados, centros de reciclagem e cooperativas entre os locais com coletores.
  5. Deposite no coletor. A Reciclus avisa que cada loja tem uma quantidade máxima de lâmpadas por entrega, então quem tem muitas deve dividir as entregas ou procurar mais de um ponto.

Condomínio, escola e prefeitura

A Reciclus oferece coleta gratuita para prefeituras, instituições públicas, escolas, universidades, hospitais públicos, organizações sem fins lucrativos e condomínios residenciais, e anuncia uma coleta itinerante para condomínios. Num prédio, vale combinar com o síndico um ponto para juntar as lâmpadas dos moradores e pedir a coleta de uma vez.

Se a lâmpada quebrar

Sem pânico: é pouco mercúrio, mas a limpeza pede cuidado. As recomendações da EPA:

  1. Tire pessoas e animais do cômodo.
  2. Abra uma janela ou porta para fora e saia do cômodo por 5 a 10 minutos.
  3. Se houver ar-condicionado central, desligue.
  4. Recolha os cacos e o pó com papel duro ou papelão. Use fita adesiva larga para pegar os fragmentos pequenos e passe papel-toalha úmido em piso duro.
  5. Não use aspirador de pó, a não ser que ainda sobre vidro depois de tudo isso. A EPA diz que ele pode espalhar o pó e o vapor.
  6. Coloque tudo, inclusive a fita e o papel, num pote de vidro com tampa de metal ou num saco plástico fechado. Saco plástico não segura o vapor, então leve-o para fora de casa logo.
  7. Lave as mãos e, se possível, deixe o cômodo ventilando por algumas horas.

Em tapete ou carpete, a EPA orienta ventilar o cômodo também nas próximas vezes em que for aspirar aquele lugar. Guarde os restos fechados e pergunte no ponto de entrega ou à prefeitura se recebem lâmpada quebrada.

Vale trocar a fluorescente que ainda funciona?

Pela conta de energia, depende das horas de uso. Uma lâmpada consome a potência dela vezes as horas acesa: uma compacta de 18 W ligada 4 horas por dia gasta 18 × 4 × 30 ÷ 1.000 = 2,16 kWh por mês, uns R$ 1,73 com o kWh a R$ 0,80. Uma LED que dê a mesma luz com metade da potência gastaria a metade.

Os reais usam R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial das distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 28/09/2026 (veja as tarifas). ICMS, PIS/Cofins e a bandeira aumentam o total. Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional.

As equivalências entre fluorescente e LED, a vida útil de cada uma e a ordem de troca estão em lâmpada LED ou fluorescente. Nos cômodos de uso curto, o mais simples é esperar a fluorescente queimar, descartar do jeito certo e colocar uma LED no lugar. Para somar a iluminação da casa inteira, use a calculadora, e para reduzir as horas acesas, veja como economizar energia na iluminação.

Entre as notícias que a Reciclus destaca no site está a de que o Brasil entrou na reta final das lâmpadas fluorescentes, com a troca pelo LED. Isso não resolve as que já estão instaladas: elas vão continuar queimando nos próximos anos e precisam do mesmo descarte.

Troca de tubo e reator

Tubo fluorescente funciona com reator. Alguns tubos LED pedem que o reator seja retirado ou desligado da ligação, o que é mexer na instalação da luminária. Desligue o disjuntor e chame um eletricista habilitado para essa troca. Se o reator ou a luminária esquentam ou cheiram a queimado, a mesma regra vale; os sinais de alerta estão em tomada esquentando.

Perguntas frequentes

Posso jogar a lâmpada fluorescente no lixo reciclável?

Não. O Sinir orienta não destinar essas lâmpadas ao lixo comum e entregá-las nos pontos de recebimento instalados no comércio. A coleta seletiva comum não trata o mercúrio.

Preciso ser cliente da loja para descartar?

A Reciclus informa que qualquer pessoa física pode depositar lâmpadas nos coletores, sem precisar ser cliente do estabelecimento. Para condomínios e instituições públicas, ela anuncia coleta gratuita.

Dá multa jogar lâmpada no lixo?

O Decreto 6.514/2008, com a redação do Decreto 10.936/2022, prevê advertência para o consumidor que descumprir as obrigações da logística reversa e, na reincidência, multa de R$ 50 a R$ 500.

Lâmpada LED também tem mercúrio?

Não. O mercúrio é característico das fluorescentes, que por isso estão na lista da lei. Mesmo assim, a LED tem componentes eletrônicos; confira com a prefeitura ou com o ponto de entrega como descartá-la.

Onde fica o ponto de entrega mais perto?

No buscador “Onde descartar” do site da Reciclus, que procura por cidade ou endereço, com raio de busca de 10 km a 200 km.

Fontes: Lei 12.305/2010, Política Nacional de Resíduos Sólidos, no Planalto, Decreto 10.936/2022, no Planalto, Sinir, logística reversa de lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, Reciclus, onde descartar, Reciclus, legislação e acordo setorial, Reciclus, página inicial, EPA, mercúrio nas lâmpadas fluorescentes compactas, EPA, limpeza de lâmpada fluorescente quebrada, ANEEL, dados abertos de tarifas das distribuidoras e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.