Lâmpada LED ou fluorescente: qual gasta menos e quando vale trocar

Para a mesma luz, a LED puxa cerca de metade dos watts da fluorescente compacta. Veja a conta por lâmpada, a vida útil de cada uma e quais trocar primeiro.

A LED gasta menos. No quadro de equivalências do guia de compras de lâmpadas do governo de Minas Gerais, uma fluorescente compacta de 18 W é trocada por uma LED bulbo de 9 W, e uma fluorescente tubular de 32 W por um tubo LED de 19 W. Ligada 5 horas por dia, a troca da compacta de 18 W economiza 1,35 kWh por mês, cerca de R$ 1,08 com o kWh a R$ 0,80.

Por lâmpada, a diferença parece pequena. Na casa inteira, e somando a vida útil mais longa da LED, ela decide a compra. A seguir estão as equivalências, a conta para cada caso e a ordem em que vale fazer a troca.

Quantos watts a LED usa no lugar da fluorescente

A comparação justa é pela mesma quantidade de luz, medida em lúmens, e não pela potência. O guia de lâmpadas publicado pelo portal de compras de Minas Gerais traz uma tabela de equivalência entre as tecnologias:

Fluorescente LED equivalente Redução de potência
Compacta de 18 W Bulbo de 9 W 50%
Compacta de 30 W Bulbo de 13 W 57%
Compacta de 40 W Bulbo de 15 W 63%
Tubular de 14 W Tubo LED de 7 W 50%
Tubular de 18 W Tubo LED de 10 W 44%
Tubular de 32 W Tubo LED de 19 W 41%
Tubular de 40 W Tubo LED de 19 W 53%

O mesmo guia resume as faixas típicas de eficiência luminosa: de 40 a 100 lúmens por watt para a LED e de 40 a 80 para a fluorescente compacta. O próprio documento avisa que são valores aproximados e que há muita variação entre fabricantes. Por isso, na hora da compra, compare os lúmens impressos na embalagem das duas lâmpadas. O Inmetro não publica tabela de eficiência para LEDs com dispositivo integrado nem para compactas com reator integrado à base; o desempenho de cada modelo aparece na consulta ao registro do produto.

Em dezembro de 2014, quando o Selo Procel passou a valer para lâmpadas LED, a Eletrobras estimou o consumo delas em 35% abaixo das fluorescentes. É uma estimativa daquele ano, mais conservadora que o quadro de equivalências. Nos exemplos abaixo usamos o quadro, porque ele compara pares concretos de lâmpadas.

Quanto cada uma gasta por mês

Os valores usam R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial de 98 distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 11/09/2026 (veja as tarifas). O mês tem 30 dias.

Par de lâmpadas 4 h por dia 5 h por dia Economia com 5 h por dia
Compacta 18 W 2,16 kWh, R$ 1,73 2,7 kWh, R$ 2,16
LED 9 W 1,08 kWh, R$ 0,86 1,35 kWh, R$ 1,08 R$ 1,08
Compacta 30 W 3,6 kWh, R$ 2,88 4,5 kWh, R$ 3,60
LED 13 W 1,56 kWh, R$ 1,25 1,95 kWh, R$ 1,56 R$ 2,04
Tubular 32 W 3,84 kWh, R$ 3,07 4,8 kWh, R$ 3,84
Tubo LED 19 W 2,28 kWh, R$ 1,82 2,85 kWh, R$ 2,28 R$ 1,56

A regra por trás da tabela é sempre a mesma: watts vezes horas, dividido por mil, dá os kWh. Se quiser o passo a passo, ele está em como calcular consumo de energia.

Esses valores ainda não incluem ICMS, PIS/Cofins e a bandeira tarifária, que aumentam o total. Em setembro de 2026 vale a bandeira amarela, que soma R$ 0,01885 a cada kWh. Para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional.

A conta da casa inteira

Imagine uma casa com dez pontos de luz em fluorescentes compactas de 18 W, ligados em média 4 horas por dia:

  • Com fluorescentes: 10 × 18 W × 120 horas = 21,6 kWh por mês, ou R$ 17,28.
  • Com LEDs de 9 W: 10,8 kWh por mês, ou R$ 8,64.
  • Diferença: 10,8 kWh e R$ 8,64 por mês. Com a bandeira amarela, a tarifa sobe para R$ 0,81885 e a economia vai a R$ 8,84.

Em doze meses de 30 dias, são perto de 130 kWh a menos. Para uma casa que gasta 200 kWh por mês, a economia equivale a pouco mais de 5% da conta em cada mês. Não resolve uma fatura alta sozinha, mas é uma das trocas mais simples que existem. Se a conta subiu sem motivo aparente, os grandes consumidores estão em aparelhos que mais gastam energia.

Quando a economia quase some

A economia depende das horas de uso. A lâmpada do corredor, da lavanderia ou do banheiro, acesa meia hora por dia, dá outra conta:

  • Compacta de 18 W, 15 horas no mês: 0,27 kWh, R$ 0,22.
  • LED de 9 W, as mesmas 15 horas: 0,135 kWh, R$ 0,11.

São R$ 0,11 por mês. Trocar essa lâmpada enquanto ela ainda funciona não compensa pelo gasto de energia. Troque quando queimar.

Vida útil: quantas fluorescentes uma LED dura

Em dezembro de 2014, ao lançar o selo para LEDs, a Eletrobras informou que as lâmpadas LED precisavam comprovar vida mínima de 25.000 horas para receber o Selo Procel, contra uma média de 6.000 a 8.000 horas das fluorescentes compactas naquela época. O guia de Minas Gerais, mais recente, dá faixas mais largas: de 6.000 a 24.000 horas para a fluorescente compacta e de 25.000 a 100.000 horas para a LED.

Com os números de 2014 e uso de 4 horas por dia:

Lâmpada Vida útil Duração com 4 h por dia
Fluorescente compacta 6.000 h cerca de 4,1 anos
Fluorescente compacta 8.000 h cerca de 5,5 anos
LED com Selo Procel (exigência de 2014) 25.000 h cerca de 17 anos

A conta é a vida útil dividida por 1.460 horas, as 4 horas diárias de um ano. Pela média de 2014, no período em que uma LED dessas chega ao fim, você trocaria de três a quatro compactas. Confira a vida útil declarada na embalagem do modelo que vai comprar, porque ela varia.

Quando a troca se paga

Não publicamos preços de lâmpadas, porque eles mudam toda semana. A conta de retorno, porém, é simples e você faz com o preço da loja:

  1. Descubra a diferença de preço entre a LED e a fluorescente equivalente.
  2. Calcule a economia mensal com a tabela acima, pelas horas que a lâmpada fica acesa.
  3. Divida o primeiro número pelo segundo. O resultado é o número de meses até a troca se pagar.

Um exemplo com valor ilustrativo: se a LED de 9 W custasse R$ 10 a mais que a compacta de 18 W e ficasse acesa 5 horas por dia, a economia de R$ 1,08 por mês pagaria a diferença em pouco mais de 9 meses. Quando a compacta já está instalada e funcionando, o raciocínio muda: aí você compara o preço inteiro da LED com a economia, e a troca faz sentido primeiro nos cômodos de uso longo.

A ordem que dá mais retorno:

  • Sala, cozinha e varanda, que ficam acesas a noite toda; a conta de uma lâmpada acesa até de manhã está em lâmpada acesa a noite toda.
  • Luminárias com várias lâmpadas no mesmo interruptor.
  • Tubulares de garagem, cozinha ou área de serviço usadas por horas.
  • Cômodos de passagem só quando a lâmpada queimar, ou com um sensor de presença.

Mercúrio e descarte

Aqui a diferença não é de consumo. O guia de Minas Gerais registra que as lâmpadas fluorescentes contêm pequenas quantidades de mercúrio, e a LED não. Por isso a fluorescente não vai no lixo comum.

A Lei 12.305/2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, inclui as lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista entre os produtos com logística reversa obrigatória. Fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes precisam receber essas lâmpadas de volta. A Reciclus, entidade que organiza essa coleta, informa mais de 4.000 pontos de entrega no país, com busca pelo endereço no próprio site.

Guarde a fluorescente queimada inteira, de preferência na embalagem da lâmpada nova, e leve a um ponto de coleta. Onde entregar e o que fazer se uma quebrar estão em descarte de lâmpada fluorescente.

Cuidados na hora de trocar

  • Compare os lúmens, não os watts. Uma LED com menos lúmens que a compacta antiga deixa o cômodo mais escuro, e você acaba acendendo outra lâmpada.
  • Confira a base (E27 é a rosca comum) e a tensão. Muitas LEDs são bivolt, mas não todas.
  • Tubos fluorescentes funcionam com reator. Alguns tubos LED pedem que o reator seja retirado ou desligado da ligação. Isso mexe na instalação da luminária: desligue o disjuntor do circuito e chame um eletricista habilitado para essa troca.
  • O reator das tubulares também consome energia além da lâmpada. Ao trocar o conjunto, a economia pode ser um pouco maior que a da tabela, que compara só as lâmpadas.

Para somar a iluminação com os outros aparelhos da casa, use a calculadora com a potência de cada lâmpada e as horas acesas.

Perguntas frequentes

LED ou fluorescente: qual ilumina mais?

Depende do modelo, não da tecnologia. Pelo quadro de equivalências, a LED entrega a mesma luz com cerca de metade da potência. Para comparar dois produtos, veja os lúmens na embalagem de cada um.

Quanto gasta uma lâmpada LED por mês?

Uma de 9 W acesa 5 horas por dia gasta 1,35 kWh por mês, R$ 1,08 com o kWh a R$ 0,80. Os cálculos para outras potências e cômodos estão em quanto gasta uma lâmpada LED.

Vale trocar uma fluorescente que ainda funciona?

Nos cômodos de uso longo, costuma valer, porque a economia mensal é maior. Divida o preço da LED pela economia do mês para ver em quantos meses ela se paga. Nos de uso curto, espere a fluorescente queimar.

Fluorescente quebrada é perigosa?

Ela contém mercúrio, por isso pede cuidado e não deve ir para o lixo comum. Tire pessoas e animais do cômodo, abra janela ou porta para fora e espere de 5 a 10 minutos. Depois recolha os cacos e o pó com papelão e fita adesiva, sem as mãos desprotegidas e sem aspirador, feche tudo num pote ou saco e leve a um ponto de coleta de lâmpadas.

Lâmpada LED esquenta?

Esquenta menos que as antigas incandescentes, mas a base aquece. Se a lâmpada ou o bocal ficam quentes demais, desligue o disjuntor e peça a um eletricista para olhar a instalação. O artigo tomada esquentando explica os sinais de alerta.

Fontes: Governo de Minas Gerais, Guia de Lâmpadas e Reatores para compras públicas, Agência Brasil, Selo Procel de eficiência energética chega às lâmpadas LED (22/12/2014), Lei nº 12.305/2010, Política Nacional de Resíduos Sólidos, no Planalto, Reciclus, logística reversa de lâmpadas, Inmetro, demais tecnologias para iluminação no PBE, Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026 e EPA, limpeza de lâmpada fluorescente quebrada.