Nova etiqueta de eficiência energética: o que mudou e como ler

Na geladeira, a nova etiqueta do Inmetro mede o consumo a 16 °C e a 32 °C e vai de A a C até 2030, sem A+++. Veja os prazos, o ar-condicionado e como comparar sem erro.

A nova etiqueta de eficiência energética do Inmetro já vale para geladeiras e aparelhos de ar-condicionado fabricados desde 31/12/2025. Na geladeira, o consumo mensal passou a ser a média de dois ensaios, com o ambiente a 16 °C e a 32 °C, e as classes vão de A a C até 2030, sem A+, A++ ou A+++. Por isso a mesma geladeira pode aparecer com 55,7 kWh por mês e classe A na etiqueta antiga e com 33,7 kWh e classe C na nova.

As duas etiquetas vão conviver nas lojas por um tempo: o comércio só é obrigado a vender geladeiras e aparelhos de ar-condicionado com a etiqueta nova a partir de 31/12/2027. A seguir, o que mudou em cada caso, os prazos e como comparar dois modelos sem misturar réguas.

O que é a etiqueta e quem define as regras

A etiqueta amarela colada no aparelho é a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE), do Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro. Cada categoria de produto tem a sua portaria, que define o ensaio, a unidade do consumo e as faixas de cada classe.

Para geladeiras, freezers e frigobares, a regra é a Portaria Inmetro nº 551/2026, publicada no Diário Oficial em 11/09/2026, que consolidou as regras e revogou a Portaria nº 332/2021 e as alterações posteriores a ela. Para ar-condicionado de janela e split, é a Portaria Inmetro nº 550/2026, publicada no Diário Oficial em 11/09/2026, que consolidou as regras e revogou a Portaria nº 269/2021.

As duas portarias trazem uma novidade em comum: o QR Code da etiqueta deve levar à página de busca do Registro de Objetos do Inmetro, onde dá para conferir o modelo.

Geladeira: o que mudou no ensaio

Na etiqueta antiga, o consumo diário era o medido com o ambiente a 32 °C. Na nova, a portaria manda medir o consumo a 16 °C e a 32 °C e fazer a média dos dois, somando, quando existir, o gasto dos aquecedores anticondensação. O consumo mensal da etiqueta é esse valor diário multiplicado por 30.

Na prática, a etiqueta nova representa um ambiente mais ameno que o do ensaio antigo, e os números de kWh por mês ficam menores. Isso não quer dizer que a geladeira passou a gastar menos. O aparelho é o mesmo; mudou a régua.

As classes também mudaram. A etiqueta antiga tinha subclasses acima do A (A+, A++ e A+++). A nova usa só três classes até 30/12/2030, de A a C, definidas pelo consumo do modelo em relação a um consumo padrão calculado para o tipo e o volume dele. A escala de A a F só vale para aparelhos fabricados ou importados a partir de 31/12/2030:

Classe Consumo máximo em relação ao padrão, até 30/12/2030 A partir de 31/12/2030
A 67% 67%
B 83% 83%
C 90% 100%
D não existe 116%
E não existe 132%
F não existe acima de 132%

Na etiqueta antiga, a classe A de um refrigerador ia até 85,5% do padrão daquela época (84,6% no refrigerador-congelador frost-free, o tipo dos três exemplos abaixo). Como as fórmulas do padrão também mudaram, as porcentagens das duas etiquetas não se comparam diretamente. O efeito aparece nos exemplos da tabela do Inmetro abaixo: um modelo que era A+++ ficou A, e dois que eram A ficaram C.

A mesma geladeira nas duas etiquetas

A tabela de refrigeradores do Inmetro, atualizada em 31/12/2025, traz vários modelos com os dois conjuntos de números. Três exemplos em 127 V:

Modelo Volume total Etiqueta antiga (padrão 2022) Etiqueta nova (padrão 2025) Nova, a 16 °C e a 32 °C
Continental TC42 380 litros 55,7 kWh/mês, classe A 33,7 kWh/mês, classe C 0,7 e 1,5 kWh por dia
Electrolux TF38 320 litros 46,8 kWh/mês, classe A 30,9 kWh/mês, classe C 0,7 e 1,3 kWh por dia
Electrolux IF46 415 litros 42,4 kWh/mês, classe A+++ 26,3 kWh/mês, classe A 0,6 e 1,2 kWh por dia

Os valores diários da tabela estão arredondados, e por isso a média deles não bate exatamente com o consumo mensal publicado.

Repare no que a etiqueta nova revela. Pela antiga, a TC42 e a TF38 eram classe A. Pela nova, as duas são C, e a IF46, maior que ambas, é A. A diferença entre elas já existia (A contra A+++), mas o A sozinho ainda parecia a melhor letra da escala.

O que a diferença vale na conta de luz

Com R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial de 100 distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 28/09/2026 (veja as tarifas):

  • Continental TC42: 33,7 kWh × R$ 0,80 = R$ 26,96 por mês.
  • Electrolux IF46: 26,3 kWh × R$ 0,80 = R$ 21,04 por mês.
  • Diferença: 7,4 kWh por mês, R$ 5,92. Em 12 meses, 88,8 kWh e R$ 71,04 na mesma tarifa.

Esses valores seguem o ensaio da etiqueta. Numa cozinha quente, a geladeira fica mais perto do consumo a 32 °C: 1,5 kWh por dia na TC42, ou 45 kWh em 30 dias, R$ 36,00. Num ambiente fresco, mais perto do de 16 °C: 0,7 kWh por dia, 21 kWh no mês, R$ 16,80. A média da etiqueta não é um teto.

Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional. Nos 33,7 kWh mensais da TC42, a amarela de setembro somaria cerca de R$ 0,64. ICMS e PIS/Cofins também aumentam o total da fatura.

Para comparar dois modelos com os números da etiqueta e a tarifa da sua distribuidora, use a calculadora no modo de kWh por mês. O cuidado com as unidades está no guia consumo da etiqueta por ciclo, mês e ano, e a conta de quando trocar a geladeira antiga compensa está em trocar geladeira antiga vale a pena?.

Ar-condicionado: o que diz a Portaria 550/2026

No ar-condicionado, a etiqueta com consumo anual e o índice IDRS (Índice de Desempenho de Resfriamento Sazonal) já é obrigatória desde 31/12/2022. Segundo o Inmetro, ela calcula o consumo do ano inteiro levando em conta o hábito de uso do brasileiro e deixa mais fácil ver a eficiência dos modelos inverter.

O que a Portaria nº 550/2026 fez foi consolidar as regras e fixar os prazos das classes atuais: a Tabela A.3 do regulamento para os splits e a Tabela A.2 para os aparelhos de janela. O consumo anual segue um perfil de 2.080 horas de refrigeração por ano, espalhadas por faixas de temperatura externa de 21 °C a 38 °C.

A etiqueta do split traz um campo com o tipo (hi-wall, cassete ou teto). A do aparelho de janela informa se a tecnologia é convencional ou inverter. Aparelhos portáteis, de duto e multi-split ficam fora do regulamento.

Para transformar o kWh por ano em reais por mês, divida por 12 e multiplique pelo valor do kWh. Os números por tamanho estão em quanto gasta um ar-condicionado e em ar-condicionado de 12.000 BTUs: consumo.

Os prazos, lado a lado

Etapa Geladeiras e freezers Ar-condicionado split e janela
Fabricação e importação só com a etiqueta nova desde 31/12/2025 desde 31/12/2025
Fabricantes e importadores só vendem com a nova a partir de 31/12/2026 a partir de 31/12/2026
Lojas só vendem com a nova a partir de 31/12/2027 a partir de 31/12/2027

Até essas datas, é normal encontrar na mesma loja um modelo com a etiqueta antiga ao lado de outro com a nova. Esse é o momento de maior risco de comparar errado.

Como ler a etiqueta na loja sem cair na armadilha

  1. Confira qual etiqueta cada modelo usa. Na geladeira, se a classe for A+, A++ ou A+++, a etiqueta é a antiga: essas letras não existem na nova.
  2. Compare números da mesma etiqueta. Um consumo de 42 kWh pela antiga e um de 30 kWh pela nova não dizem qual gasta menos.
  3. Na dúvida, procure os dois modelos na tabela do Inmetro ou no Sistema PBE, que o instituto indica para consultar os produtos registrados. Muitos modelos aparecem com os números das duas etiquetas.
  4. Use o QR Code para abrir o registro do modelo e conferir se o número bate com o da loja.
  5. Compare tamanhos parecidos. A letra compara o modelo com o padrão da categoria dele; o kWh é o que chega na conta.

O Selo Procel é outro sinal, dado aos mais eficientes de cada categoria, e não substitui o número de kWh. A diferença está em selo Procel: o que significa, e quanto uma classe melhor costuma valer em reais está em eletrodoméstico classe A economiza quanto?.

Perguntas frequentes

A geladeira com a etiqueta nova gasta menos?

Não por causa da etiqueta. O ensaio novo faz a média entre 16 °C e 32 °C, e o número publicado fica menor que o do ensaio antigo, feito só a 32 °C. A mesma Continental TC42 aparece com 55,7 kWh por mês na antiga e 33,7 kWh na nova.

Minha geladeira classe A antiga virou classe C?

Pode ter virado, se ela aparece na tabela do Inmetro com os dois padrões. A Continental TC42 e a Electrolux TF38 eram A na etiqueta antiga e são C na nova. O aparelho continua o mesmo.

A nova etiqueta vale para máquina de lavar e outros aparelhos?

Cada categoria tem a sua portaria e o seu calendário. Este texto trata das mudanças em geladeiras e ar-condicionado. Para as lavadoras, a unidade é kWh por ciclo, como mostra o guia consumo da etiqueta por ciclo, mês e ano.

Posso comparar uma geladeira da etiqueta antiga com uma da nova?

Pelos números impressos, não. Procure os dois modelos na tabela do Inmetro e use o consumo do mesmo padrão para os dois, ou meça a geladeira antiga com um wattímetro.

Fontes: Portaria Inmetro nº 551/2026 (refrigeradores e assemelhados), texto no LegisWeb, Inmetro, Portaria nº 332/2021 (refrigeradores e assemelhados), texto com alterações no sistema de legislação, Diário Oficial da União, Portaria Inmetro nº 550/2026 (condicionadores de ar), Inmetro, tabela de refrigeradores (atualização de 31/12/2025), Inmetro, página de refrigeradores e Sistema PBE, Inmetro, nova etiqueta para condicionadores de ar, ANEEL, dados abertos das tarifas das distribuidoras (consultados em 28/09/2026) e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.