Quanto gasta um ar-condicionado por mês? Veja a conta por BTU
Um split inverter de 9.000 BTUs gasta cerca de 30 kWh/mês na etiqueta do Inmetro. Veja a conta por BTU, por hora e com o compressor em carga total.
Um ar-condicionado split inverter de 9.000 BTUs consome, pela etiqueta do Inmetro, cerca de 363 kWh por ano, o que dá uns 30 kWh por mês e perto de R$ 24 com o kWh a R$ 0,80. Num mês de calor forte, com o compressor no máximo 8 horas por noite, o mesmo aparelho pode passar de 190 kWh, ou uns R$ 154.
A distância entre esses dois números é o que mais confunde quem tenta prever a conta. Esta página explica de onde vem cada um, mostra a conta para os tamanhos mais vendidos e ajuda você a descobrir em qual ponto dessa faixa a sua casa fica.
De onde vêm os números desta página
O Inmetro publica uma tabela com todos os condicionadores de ar registrados no Programa Brasileiro de Etiquetagem. A versão atualizada em 31/12/2025 traz, para cada modelo, a capacidade em BTU/h, a potência elétrica consumida a 35 °C com carga total, a potência em modo de espera, o índice de eficiência (IDRS) e o consumo anual em kWh.
Esse consumo anual não é uma medição da sua casa. Ele segue a Portaria Inmetro nº 550/2026 (sucessora da nº 269/2021), que calcula o gasto do ano usando uma distribuição de 2.080 horas de refrigeração, espalhadas por faixas de temperatura externa de 21 °C a 38 °C. Na prática, 2.080 horas equivalem a 8 horas por dia em 260 dias, ou a umas 5,7 horas por dia no ano inteiro. A maior parte dessas horas cai entre 23 °C e 27 °C lá fora, e só 43 delas ficam acima de 33 °C.
Já a potência a 35 °C mostra o que o aparelho puxa da tomada em carga total, na condição de ensaio de 35 °C lá fora. Para ver a diferença entre potência e consumo, o guia W, kW e kWh tem a explicação completa.
Com essas duas colunas dá para montar dois cenários de referência: um piso (o perfil médio da etiqueta) e um teto (a potência a 35 °C o tempo todo). O seu mês tende a ficar entre eles, mas nenhum dos dois é um limite: um mês ameno pode gastar menos que o piso, e o ensaio vale para 35 °C lá fora.
Quanto gasta por mês, tamanho por tamanho
A tabela abaixo usa a mediana dos splits hi-wall inverter da tabela do Inmetro de 31/12/2025, separados por capacidade. O custo usa R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial de 98 distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 11/09/2026.
| Capacidade | Consumo na etiqueta (kWh/mês) | Custo pela etiqueta (R$/mês) | Potência a 35 °C (W) | Teto: 8 h × 30 dias no máximo (kWh) | Custo do teto (R$/mês) |
|---|---|---|---|---|---|
| 9.000 BTUs | 30,3 | 24,20 | 800 | 192,0 | 153,60 |
| 12.000 BTUs | 40,4 | 32,31 | 1.128 | 270,7 | 216,58 |
| 18.000 BTUs | 60,3 | 48,20 | 1.625 | 390,0 | 312,00 |
| 24.000 BTUs | 80,6 | 64,47 | 2.212 | 530,9 | 424,70 |
| 30.000 BTUs | 101,7 | 81,33 | 2.590 | 621,6 | 497,28 |
A coluna da etiqueta é o consumo anual dividido por 12. A coluna do teto multiplica a potência a 35 °C por 240 horas (8 horas em 30 dias). Os modelos variam: entre os splits inverter de 9.000 BTUs da tabela, 80% ficam entre 287 e 397 kWh por ano, e a potência a 35 °C vai de uns 690 W a 910 W.
Tributos (ICMS, PIS/Cofins) e a bandeira tarifária aumentam o valor final. Em setembro de 2026 vigora a bandeira amarela, que soma R$ 0,01885 a cada kWh. Para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional. O guia sobre qual valor do kWh usar mostra como tirar o preço certo da sua fatura.
Três exemplos com todas as entradas
Quarto com 9.000 BTUs, 8 horas por noite
- Aparelho: split inverter de 9.000 BTUs com o consumo mediano da tabela.
- Uso: 8 horas por noite, 30 noites.
- Tarifa: R$ 0,80 + R$ 0,01885 da bandeira amarela = R$ 0,81885 por kWh.
Pelo perfil da etiqueta, o aparelho trabalha em média a 175 W (363 kWh ÷ 2.080 h). Em 240 horas, são 42 kWh, ou R$ 34,39 no mês.
No teto, com 800 W o tempo todo, são 192 kWh e R$ 157,22. O custo de cada noite, com cenários entre esses dois extremos, está em ar-condicionado ligado a noite toda.
Sala com 12.000 BTUs, 5 horas por dia
- Potência a 35 °C: 1.128 W.
- Uso: 5 horas por dia, 22 dias no mês.
- Tarifa: R$ 0,80 por kWh, sem bandeira.
No teto, 1,128 kW × 110 h = 124,1 kWh, ou R$ 99,26. Pela média da etiqueta (233 W), o mesmo uso daria 25,6 kWh e R$ 20,50.
Um aparelho de janela de velocidade fixa no lugar do split
Parte dos aparelhos de janela da tabela ainda tem compressor de velocidade fixa. Um modelo de 7.500 BTUs aparece com 514 kWh por ano e 781 W a 35 °C; outro, com 570 kWh e 714 W. Pela etiqueta, isso dá entre 42,8 e 47,5 kWh por mês, ou de R$ 34,27 a R$ 38,00. Os de janela com 12.000 BTUs e velocidade fixa ficam entre 819 e 880 kWh por ano, de 68 a 73 kWh por mês.
Em outras palavras: um janela de 7.500 BTUs pode gastar mais que um split inverter de 12.000 BTUs (484,6 kWh por ano na mediana). A comparação completa entre as duas tecnologias está em ar-condicionado inverter economiza?.
Quanto custa uma hora de ar-condicionado
Para quem pensa “vou ligar só um pouco”, a conta por hora ajuda. No máximo, com R$ 0,80 por kWh:
- 9.000 BTUs a 800 W: R$ 0,64 por hora.
- 12.000 BTUs a 1.128 W: R$ 0,90 por hora.
- 18.000 BTUs a 1.625 W: R$ 1,30 por hora.
- 24.000 BTUs a 2.212 W: R$ 1,77 por hora.
Esses valores são os da carga total a 35 °C. Um inverter que já esfriou o cômodo baixa a rotação do compressor e passa a gastar uma fração disso. Na primeira meia hora, com o quarto quente, ele fica mais perto do limite.
O que empurra a sua conta para cima ou para baixo
A etiqueta supõe um uso padrão. Na sua casa, cinco coisas decidem se o gasto fica perto do piso ou do teto.
- Temperatura lá fora. Na tabela do Inmetro, os modelos informam a potência a 35 °C e a 29 °C em carga parcial. Num split de 9.000 BTUs da lista, a potência cai de 385 W para 256 W só com essa diferença de temperatura externa. Janeiro em Cuiabá não é julho em Curitiba.
- Temperatura escolhida no controle. Quanto maior a diferença entre o ar de fora e o que você pede, mais tempo o compressor trabalha forte. Os fabricantes recomendam evitar temperaturas extremas; a faixa recomendada e o custo de cada grau estão em temperatura ideal do ar-condicionado, e o artigo sobre modo eco mostra o que as funções de economia fazem com o ajuste.
- Tamanho certo para o cômodo. Um aparelho pequeno demais fica no máximo o tempo todo. Veja quantos BTUs você precisa antes de comprar.
- Sol, porta e janela. Sol da tarde na parede, porta aberta para a sala ou fresta na janela aumentam a carga de calor. O manual da LG pede portas e janelas fechadas e cortinas contra o sol enquanto o aparelho funciona.
- Filtro sujo. O mesmo manual recomenda limpar o filtro a cada duas semanas, porque a poeira bloqueia o fluxo de ar e reduz o desempenho; quanto isso soma na conta está em filtro do ar-condicionado sujo gasta mais.
O modo de espera pesa pouco. A mediana dos splits inverter de 9.000 a 24.000 BTUs é 2,5 W; se o aparelho ficar o mês inteiro em espera, isso soma 1,8 kWh, ou R$ 1,44.
Como descobrir onde a sua casa fica na faixa
Faça a conta com a calculadora duas vezes: uma com a potência média da etiqueta, outra com a potência a 35 °C. O resultado real tende a ficar entre as duas.
Para estreitar a faixa, há dois caminhos simples:
- Ler o medidor antes de dormir e ao acordar, numa noite em que o resto da casa quase não gasta. O passo a passo está em como ler o relógio de luz.
- Ligar o aparelho numa tomada medidora, se ele for de tomada e o manual do medidor aceitar motor dessa potência (caber nos 10 A não basta; a TP-Link, por exemplo, não indica a Tapo P110 para ar-condicionado), e anotar o kWh depois de alguns dias. O artigo sobre wattímetro explica como usar.
Se a conta do mês subiu mais do que a estimativa sugere, compare com o histórico da fatura antes de culpar o ar. O guia conta de luz alta: o que conferir lista os pontos, e o de contas com dias diferentes evita comparar um ciclo de 28 dias com um de 33.
Erros comuns na estimativa
- Usar BTU como se fosse watt. 9.000 BTU/h é capacidade de refrigeração, equivalente a 2.637 W de frio na tabela do Inmetro; o aparelho consome bem menos que isso em eletricidade.
- Multiplicar a potência máxima por 24 horas. Nenhum inverter fica no máximo o dia inteiro num cômodo do tamanho certo.
- Usar a etiqueta antiga em kWh/mês ao lado da nova em kWh/ano. A regra mudou com a Portaria 269/2021; compare modelos sempre na mesma unidade. O guia sobre etiqueta por ciclo, mês e ano ajuda nessa conversão.
- Esquecer tributos e bandeira na comparação com a fatura.
Perguntas frequentes
Quanto gasta um ar-condicionado de 12.000 BTUs por mês?
Pela etiqueta do Inmetro, a mediana dos splits inverter é 484,6 kWh por ano, ou 40,4 kWh por mês (R$ 32,31 a R$ 0,80 por kWh). Com 8 horas diárias no máximo durante 30 dias, o teto é 270,7 kWh, ou R$ 216,58. A comparação com o de 18.000 BTUs está em ar-condicionado 12.000 BTUs: consumo por mês.
Ar-condicionado gasta mais que chuveiro elétrico?
Depende do tempo de uso. O chuveiro tem potência muito maior, mas funciona por poucos minutos. A conta do chuveiro está em quanto gasta um chuveiro elétrico, e o ranking geral em aparelhos que mais gastam energia.
Vale trocar o ar por um ventilador para economizar?
Um ventilador de 40 cm gasta uma fração do ar, mas não baixa a temperatura do cômodo. A comparação lado a lado está em quanto gasta um ventilador, e a conta dos dois ligados juntos em ventilador junto com ar-condicionado. Se a dúvida é o climatizador, veja climatizador ou ar-condicionado.
O ar-condicionado na função aquecer gasta igual?
Os números desta página são de refrigeração, que é o que a etiqueta do Inmetro informa. Para o modo quente, use a potência de aquecimento do manual do seu modelo.
Onde vejo o consumo do meu modelo exato?
Procure a marca e o modelo na tabela de condicionadores de ar do Inmetro ou na etiqueta colada no aparelho. Use o kWh/ano dividido por 12 como ponto de partida.
Fontes: Inmetro, tabela de condicionadores de ar (atualização de 31/12/2025), Inmetro, página de condicionadores de ar do PBE, Portaria Inmetro nº 269/2021, texto consolidado na LegisWeb, LG, manual do usuário do modelo S4NQ12JA314, ANEEL, tarifas e informações econômico-financeiras, ANEEL, bandeiras tarifárias, Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026, TP-Link Brasil, que cargas podem ser ligadas à tomada Tapo e Diário Oficial da União, Portaria Inmetro nº 550/2026.