Temperatura ideal do ar-condicionado: a faixa recomendada e o custo de cada grau

A faixa de 23 °C a 26 °C no verão vem de uma resolução da Anvisa revogada em 2024. Veja a NR-17, os manuais e o custo de cada grau a menos.

A temperatura recomendada para o ar-condicionado no verão fica entre 23 °C e 26 °C, a faixa que a Resolução RE nº 9/2003 da Anvisa dava como recomendável para ambientes climatizados de uso público e coletivo. A Anvisa revogou essa resolução em julho de 2024, mas a Lei nº 13.589/2018, que exige o plano de manutenção (PMOC) nesses ambientes, ainda cita os parâmetros dela, inclusive de temperatura. O manual de um split da Midea sugere de 21 °C a 24 °C como faixa de conforto, e a NR-17 adota de 18 °C a 25 °C em ambientes de trabalho climatizados onde há atividade intelectual e atenção constantes. Para gastar menos, escolha o valor mais alto dessas faixas que ainda deixe o cômodo confortável.

Nenhuma dessas regras vale dentro de casa: em casa, quem decide é você. Mas elas mostram onde está o conforto para a maioria das pessoas, e a física mostra por que cada grau abaixo disso custa mais.

O que cada fonte recomenda

Fonte Faixa Para onde vale
Anvisa, Resolução RE nº 9/2003, revogada em 2024 e ainda citada na Lei nº 13.589/2018 23 °C a 26 °C no verão; 20 °C a 22 °C no inverno Ambientes climatizados de uso público e coletivo
NR-17, com a redação da Portaria MTP nº 423/2021 18 °C a 25 °C Ambientes de trabalho climatizados com atividades que exigem solicitação intelectual e atenção constantes (item 17.8.4)
Manual do split hi-wall inverter Midea 21 °C a 24 °C, “faixa de conforto térmico”; o aparelho sai de fábrica em 24 °C Recomendação do fabricante para o uso do aparelho
Ensaio do Inmetro (Portaria nº 550/2026) 27 °C no ambiente interno, 35 °C ou 29 °C lá fora Condição em que o consumo da etiqueta é medido

A orientação técnica dessa resolução ia além da temperatura. No verão, pedia umidade relativa de 40% a 65% e velocidade do ar abaixo de 0,25 m/s a 1,5 m do piso, na região onde o ar é distribuído. Ela também dava uma faixa máxima de operação: de 26,5 °C a 27 °C, com as áreas de acesso podendo chegar a 28 °C. A NR-17, no anexo sobre teleatendimento do texto atualizado pelo Ministério do Trabalho, remete à mesma resolução da Anvisa para a qualidade do ar em ambientes climatizados.

A linha do Inmetro não é uma recomendação de conforto. É a condição de laboratório: a Portaria Inmetro nº 550/2026, que substituiu a nº 269/2021 em setembro de 2026, manda ensaiar os splits com o ambiente interno a 27 °C de bulbo seco (26,7 °C nos de rotação fixa). O consumo da etiqueta parte daí. Quem deixa o controle em 18 °C está pedindo muito mais frio do que o aparelho enfrentou no ensaio.

Por que cada grau a menos pesa na conta

O ar-condicionado não produz frio: ele tira calor do cômodo e joga lá fora. A quantidade de calor que entra pelas paredes, pelo teto, pelas janelas e pelas frestas cresce com a diferença entre a temperatura de fora e a de dentro. Quanto mais baixo você pede, maior essa diferença, e mais tempo o compressor trabalha (ou em rotação mais alta, no inverter).

Um exemplo de física, sem marca nem modelo, com 32 °C lá fora:

Temperatura pedida Diferença para os 32 °C de fora Em relação a pedir 20 °C
18 °C 14 °C 117%
20 °C 12 °C 100%
22 °C 10 °C 83%
23 °C 9 °C 75%
24 °C 8 °C 67%
25 °C 7 °C 58%
26 °C 6 °C 50%

Leia a última coluna só como o tamanho da diferença que o aparelho precisa vencer, não como economia na conta. Parte do calor não depende da temperatura pedida: o sol que atravessa o vidro, as pessoas no cômodo, a TV e as lâmpadas. Essa parte continua igual a 20 °C ou a 26 °C. Por isso a conta cai menos do que a tabela sugere.

Nenhum dos manuais e normas consultados publica um percentual de economia por grau. O LG, no manual do modelo S4NQ12JA314, diz só que resfriar demais o ambiente pode ser um perigo para a saúde e provocar aumento do consumo de energia. Qualquer número fixo, como “tantos por cento por grau”, depende do cômodo, do clima e do aparelho.

Um exemplo com todas as entradas

Os números de potência abaixo são hipóteses para mostrar a conta, não medições de um modelo.

  • Aparelho: split de 12.000 BTUs, 8 horas por noite, 30 noites.
  • A 20 °C, potência média suposta de 600 W.
  • A 24 °C, potência média suposta de 480 W.
  • Tarifa: R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial das distribuidoras, sem tributos, dados da ANEEL consultados em 28/09/2026.

A 20 °C: 0,6 kW × 8 h × 30 = 144 kWh, ou R$ 115,20 no mês. A 24 °C: 0,48 kW × 8 h × 30 = 115,2 kWh, ou R$ 92,16. A diferença, nessas hipóteses, é de 28,8 kWh e R$ 23,04 por mês.

Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional. Com a bandeira de setembro, os 144 kWh somam R$ 2,71 e os 115,2 kWh somam R$ 2,17, antes dos tributos. ICMS e PIS/Cofins aumentam os dois valores; o efeito deles está em tributos e CIP na conta de luz, e a bandeira do mês aparece na página própria.

Para trocar as hipóteses pelos números da sua casa, meça. Um wattímetro de tomada serve para aparelhos ligados em tomada, como muitos de janela e os portáteis, desde que o fabricante do medidor informe que ele serve para esse tipo de carga, com compressor, e não só uma corrente máxima; na dúvida, não use. Se o seu aparelho não está numa tomada, compare o consumo em kWh da conta em meses parecidos, antes e depois da mudança, com o guia de histórico de consumo. Depois leve potência e horas para a calculadora.

Quanto um split gasta por mês pela etiqueta do Inmetro, tamanho por tamanho, está em quanto gasta um ar-condicionado.

Pedir 18 °C não esfria mais depressa

Muita gente baixa o controle ao mínimo para o quarto esfriar logo e esquece de subir depois. O manual da LG indica outro caminho para resfriar rápido: aumentar a velocidade da ventilação por um curto espaço de tempo. A temperatura pedida decide onde o aparelho vai parar, e deixar em 18 °C é pedir que ele continue tirando calor até lá, a noite inteira.

Os controles também têm limites. No manual da Midea consultado, as teclas ajustam de 1 °C em 1 °C, com mínimo de 17 °C e máximo de 30 °C. O fato de o controle aceitar 17 °C não quer dizer que esse seja um uso recomendado: a faixa que o mesmo manual sugere é de 21 °C a 24 °C.

Umidade e vento contam tanto quanto o número

A sensação de frio não depende só do termômetro. A resolução da Anvisa tratava umidade e velocidade do ar como parâmetros de conforto ao lado da temperatura, e a NR-17 pede que se evitem correntes de ar aplicadas diretamente sobre as pessoas.

Na prática:

  • Direcione a aleta para circular o ar pelo cômodo, não para cima da cama ou do sofá. O manual da LG sugere ajustar a direção do fluxo para fazer o ar interno circular.
  • Em dias úmidos, o ar pode parecer abafado mesmo a 25 °C. O modo que tira umidade está em modo dry do ar-condicionado.
  • Um ventilador ligado junto muda a sensação sem mudar o termostato. A conta dos dois aparelhos juntos está em ventilador junto com ar-condicionado.

À noite: temperatura que sobe sozinha

De madrugada, a temperatura lá fora cai. O manual da Midea diz que a função Eco Noite rende mais nesse período justamente por causa da menor temperatura externa. Os fabricantes também criaram funções que sobem a temperatura aos poucos. No manual da Midea, a função Dormir, na refrigeração, sobe a temperatura 1 °C por hora nas duas primeiras horas, mantém por mais 6 horas e desliga o aparelho depois de 8 horas. No LG consultado, a função Dormir desliga o aparelho em até 7 horas e, na refrigeração, sobe a temperatura 1 °C após 30 minutos e mais 1 °C após outros 30 minutos, até 2 °C acima do que você pediu.

Quem começa a noite em 23 °C termina, com essas funções, em 25 °C. O que cada botão faz, marca por marca, está em modo eco do ar-condicionado, e o custo de uma noite inteira, com e sem timer, em ar-condicionado ligado a noite toda.

Nenhuma das fontes consultadas fixa uma temperatura ideal para dormir. Se alguém da casa tem problema respiratório ou é bebê, a orientação é do médico, não do manual do aparelho.

No inverno, a lógica se inverte

Em aparelhos quente e frio, a referência da mesma resolução da Anvisa para o inverno era de 20 °C a 22 °C. No aquecimento, cada grau a mais aumenta a diferença para o ar de fora, e o consumo sobe. O manual da Midea lembra que, com o frio lá fora, o aparelho precisa absorver mais calor do ar externo. Quanto o modo aquecimento gasta, comparado com um aquecedor de resistência, está em ar-condicionado no aquecimento gasta mais?.

Quando o aparelho não chega à temperatura pedida

Se o cômodo não chega a 24 °C mesmo com o controle em 18 °C, baixar mais não resolve. As causas mais comuns:

Outras mudanças de hábito que reduzem a conta do ar estão reunidas em como economizar energia com ar-condicionado.

Perguntas frequentes

Qual a melhor temperatura para o ar-condicionado no verão?

Entre 23 °C e 26 °C, pela faixa da Resolução RE nº 9/2003 da Anvisa para ambientes climatizados de uso público e coletivo. A Anvisa revogou a resolução em 2024, mas a Lei nº 13.589/2018 ainda cita os parâmetros dela. O manual da Midea sugere de 21 °C a 24 °C. Para economizar, fique no ponto mais alto que ainda for confortável.

23 °C ou 25 °C: qual gasta menos?

25 °C. Com 32 °C lá fora, a diferença que o aparelho precisa vencer cai de 9 °C para 7 °C. Quanto isso vira em reais depende do cômodo e do aparelho; nenhum fabricante consultado publica um percentual por grau.

Existe lei que obriga uma temperatura?

Para residências, não. A Lei nº 13.589/2018 cita os parâmetros da resolução da Anvisa, revogada em 2024, para ambientes climatizados de uso público e coletivo, e a NR-17 traz a sua faixa para ambientes de trabalho onde há atividade intelectual e atenção constantes.

Por que o ar sai de fábrica em 24 °C?

É o padrão informado no manual da Midea consultado, dentro da faixa de 21 °C a 24 °C que o próprio manual recomenda. Outras marcas podem usar outro valor.

A temperatura da etiqueta do Inmetro é a ideal?

Não. Os 27 °C internos são a condição do ensaio, usada para medir consumo e eficiência de todos os modelos do mesmo jeito.

Fontes: Anvisa, Resolução RE nº 9/2003, orientação técnica sobre ar interior em ambientes climatizados (DOU de 20/01/2003), Anvisa, RDC nº 886/2024, que revogou a RE nº 9/2003, Lei nº 13.589/2018, do PMOC, Ministério do Trabalho, NR-17 atualizada, Diário Oficial da União, Portaria Inmetro nº 550/2026, Midea, manual do usuário do split hi-wall Xtreme Save Connect, LG, manual do usuário do modelo S4NQ12JA314 e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.