Bomba solar para poço: quanta água tira e quantas placas precisa
Uma bomba solar pequena com um painel tira até 1.500 L/h sem elevação e 570 L/h a 40 m. Veja como dimensionar pela água do dia e quando compensa ter rede.
Uma bomba solar puxa água do poço usando a energia dos painéis durante o dia, sem conta de luz e, na maioria dos casos, sem bateria: o que fica guardado é a água, na caixa. Um exemplo de modelo pequeno é a Anauger Solar P100, que trabalha com um único módulo e, pelo fabricante, bombeia até 1.500 litros por hora sem elevação e 570 litros por hora a 40 metros.
Se a bomba serve para o seu caso depende de três números: quantos litros você precisa por dia, de que altura a água sobe e quanto sol a região recebe. Abaixo, a conta passo a passo e o momento em que uma bomba ligada à rede sai mais em conta.
Como funciona um bombeamento solar
O manual de engenharia fotovoltaica do CRESESB, ligado ao Cepel, descreve o sistema em quatro partes: o painel solar, um controlador ou inversor que adapta a energia, o conjunto motor e bomba, e o reservatório. A diferença para um sistema solar de casa está no armazenamento. Em vez de bateria, a água bombeada vai para uma caixa elevada, e o tamanho dessa caixa é calculado para alguns dias de autonomia, do mesmo jeito que se calcula um banco de baterias.
No caso da Anauger, o painel alimenta um driver, que converte a energia em impulsos para a bomba. Segundo o fabricante, isso permite bombear com a luz variando, inclusive em dias nublados, com vazão menor.
A bomba trabalha enquanto há sol. À noite para, e a casa usa o que está na caixa.
Quanto uma bomba solar pequena entrega
A tabela de desempenho publicada pela Anauger para as bombas Solar P100 (para poço) e R100 (para reservatório, lago ou nascente):
| Altura manométrica | Vazão máxima |
|---|---|
| 0 m | 1.500 L/h |
| 10 m | 1.050 L/h |
| 20 m | 870 L/h |
| 30 m | 740 L/h |
| 40 m | 570 L/h |
Alguns dados da mesma página ajudam a ler a tabela:
- A bomba trabalha com 45 Vcc e 6 A, o que dá 270 W no ponto de referência (45 × 6).
- Os valores foram obtidos com irradiação de 6,0 kWh/m² por dia, e o fabricante diz que o ciclo de maior eficiência vai das 10h às 15h.
- O módulo indicado pelo fabricante para essas bombas é de 460 Wp, monocristalino.
- A submersão máxima é de 10 metros, a água pode chegar a 35 °C e não pode ter resíduos sólidos.
Altura manométrica é a distância vertical total que a água vence: do nível da água dentro do poço, com a bomba ligada, até o ponto mais alto da caixa. Não é a profundidade do poço.
Quanta água você precisa por dia
Comece pelo consumo, que no bombeamento faz o papel dos kWh da conta de luz. Quando não há medição, o CRESESB sugere estas referências:
| Uso | Consumo médio |
|---|---|
| Pessoa em pequena propriedade rural | 40 a 70 L por dia |
| Gado de leite | 70 L por cabeça por dia |
| Gado de corte | 40 L por cabeça por dia |
| Equinos | 40 L por cabeça por dia |
| Suínos | 15 L por cabeça por dia |
| Ovinos e caprinos | 5 L por cabeça por dia |
Exemplo: uma família de 4 pessoas no teto da faixa, 70 L cada, soma 280 L. Com 10 cabeças de gado de corte, mais 400 L. Total de 680 L por dia.
Irrigação é outra escala. O mesmo manual indica 25.000 L por hectare por dia para uma horta de subsistência, e recomenda estudo específico para cultivos, porque a necessidade varia com clima, solo e safra.
A conta do tamanho do painel
O CRESESB traz um método simples, em três passos. Veja com um caso de 2.000 L por dia (2 m³) subindo 30 metros.
Passo 1, energia hidráulica. A fórmula prática do manual é 2,725 × volume em m³ × altura em metros, em Wh por dia:
2,725 × 2 × 30 = 163,5 Wh por dia.
Passo 2, energia elétrica. O conjunto motor e bomba não aproveita tudo. O manual usa 25%, a eficiência típica do conjunto trabalhando com energia solar (a mesma que a tabela dele atribui a uma bomba submersa a 20 metros):
163,5 ÷ 0,25 = 654 Wh por dia.
Passo 3, potência do painel. Divida pelas horas de sol pleno do local e acrescente 25% de margem, como na fórmula do manual. Com 4,5 horas de sol pleno, valor escolhido para o exemplo:
1,25 × 654 ÷ 4,5 = cerca de 182 Wp.
Um painel de 460 Wp, como o que a Anauger indica, passa com folga desse mínimo. Confira pela tabela do fabricante: a 30 m, a vazão máxima é de 740 L/h, e 2.000 L pedem cerca de 2,7 horas nessa vazão (2.000 ÷ 740). Cabe na janela das 10h às 15h de um dia de sol. Em dia nublado, a vazão cai, e é para isso que serve a caixa.
As horas de sol pleno da sua região estão no Atlas do INPE e são explicadas em placa solar em dia nublado.
A bomba solar é a ferramenta certa?
O CRESESB usa um atalho: multiplique o volume diário em m³ pela altura em metros. Abaixo de 50, uma bomba manual já resolve. Acima de 2.000, o bombeamento solar deixa de ser considerado viável. No exemplo, 2 × 30 = 60, dentro da faixa. O manual também registra que a maioria dos sistemas instalados no Brasil não passa de 2 kWp, com altura média em torno de 60 metros e até 40 m³ por dia.
O tamanho da caixa d’água
A caixa é a bateria do sistema. O CRESESB calcula a capacidade mínima multiplicando o consumo diário pelos dias de autonomia desejados. Com 2.000 L por dia e dois dias de reserva, a caixa precisa de pelo menos 4.000 L. O manual lembra que os reservatórios comerciais costumam sair em 250, 500, 1.000, 2.000, 5.000 e 10.000 L, então no exemplo o tamanho comercial seguinte seria 5.000 L.
Uma caixa maior protege contra sequências de dias nublados sem precisar de mais painel.
E se o sítio já tem energia da rede?
Aí a comparação é com uma bomba elétrica comum, e o resultado costuma surpreender. A Anauger Sappo 650 Extreme, uma bomba vibratória para poço ligada à tomada, tem potência de 360 W e, pela tabela do fabricante, 1.100 L/h a 30 metros.
Para os mesmos 2.000 L a 30 m:
- Tempo de funcionamento: 2.000 ÷ 1.100 = 1,82 hora por dia.
- Energia: 360 W × 1,82 h = 655 Wh por dia, ou 19,6 kWh em 30 dias.
- Custo: 19,6 × R$ 0,80 = cerca de R$ 15,71 por mês.
O kWh de R$ 0,80 é a mediana residencial de 98 distribuidoras, sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 11/09/2026 (veja tarifas). Impostos e a bandeira aumentam o valor final. Propriedades rurais podem ter tarifa diferente, explicada em tarifa rural de energia.
Com uma economia dessa ordem, a bomba solar raramente se paga só pela conta de luz onde já existe rede. Ela ganha em outra situação: o poço fica longe da casa ou numa área sem rede, e levar energia até lá custaria mais que o sistema solar inteiro. Para essa conta, veja ligação nova de energia e, para áreas rurais sem atendimento, o programa Luz para Todos. O consumo de outras bombas ligadas à rede está em quanto gasta uma bomba d’água, e a calculadora faz a conta com a potência e as horas da sua.
Cuidados antes de comprar
- Conheça a vazão do poço. O CRESESB recomenda usar o teste de capacidade feito na perfuração. Se a bomba tirar mais água do que o poço repõe, o nível desce até a entrada da bomba, que passa a puxar ar e água e pode superaquecer.
- Some as perdas no cano. Tubulação longa, fina ou com muitas conexões aumenta a altura que a bomba enxerga. Em instalações curtas, a perda é pequena.
- Respeite os limites do modelo. Altura máxima, profundidade de submersão, temperatura e qualidade da água constam da ficha técnica.
- Olhe a sombra. Uma árvore ou um barracão sobre parte do painel pode derrubar a vazão bem mais do que a área coberta, porque a célula mais sombreada limita a corrente das outras ligadas a ela.
A instalação elétrica e a descida da bomba no poço ficam com um profissional. Mesmo sendo corrente contínua de baixa tensão, há risco de choque e de dano ao equipamento.
Perguntas frequentes
Bomba solar funciona em dia nublado?
Funciona com vazão menor. O fabricante da P100 informa que a bomba opera em dias nublados sem bateria, e o volume bombeado varia com a irradiação da região e o tempo.
Precisa de bateria?
Na maioria dos casos, não. O CRESESB explica que o bombeamento solar costuma armazenar água, não energia. Bateria só entra quando a bomba é mais uma carga de um sistema isolado que já tem banco de baterias.
Serve para poço artesiano fundo?
Depende da altura total. A P100 vai até 40 metros. Para alturas maiores existem outros tipos de bomba e sistemas mais potentes; o manual do CRESESB indica bombas de deslocamento positivo para grandes alturas e vazões menores.
Dá para usar a mesma placa para bomba e para casa?
Só num sistema projetado para isso, com bateria e controlador compatíveis. Para a casa sem rede, veja energia solar off grid.
Fontes: CRESESB/Cepel, Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos (2014), Anauger, Solar P100, Anauger, Solar R100, Anauger, módulo solar 460 Wp e Anauger, Sappo 650 Extreme.