Máquina de solda gasta muita energia? Veja a conta por amperagem
Pela placa, uma inversora de 200 A puxa uns 3 kW soldando a 100 A: cerca de R$ 2,40 por hora de arco, em estimativa. Veja a conta por eletrodo e o disjuntor.
Gasta bastante enquanto o arco está aberto, e bem menos no resto do tempo. Uma máquina de solda inversora monofásica de 200 A, soldando a 100 A com eletrodo de 2,4 mm, puxa da rede perto de 3.000 W, numa estimativa feita com os dados da placa: cerca de 3 kWh e R$ 2,40 por hora de arco aberto, com o kWh a R$ 0,80. Na corrente máxima, 200 A, a mesma estimativa sobe para uns 7 kWh e R$ 5,60 por hora de arco.
O que decide o valor no fim do mês é quanto tempo o arco fica aceso de verdade. Trocar eletrodo, tirar escória, posicionar a peça e esperar a máquina esfriar gastam bem menos. Abaixo está a conta com as fichas de duas inversoras da Sumig, o que muda com a espessura do eletrodo e por que a tomada e o disjuntor pesam mais que a conta.
O que a ficha técnica informa
Duas inversoras de eletrodo revestido da Sumig servem de exemplo, porque os manuais trazem os dados de entrada e de saída:
| Dado do manual | Black MMA 200 | Fox 200 |
|---|---|---|
| Alimentação | Monofásica, 110 V ou 220 V | Monofásica, 220 V |
| Corrente máxima de soldagem | 100 A em 110 V, 200 A em 220 V | 200 A |
| Corrente de entrada | 44,7 A em 110 V, 47,7 A em 220 V (eletrodo) | 39,4 A (I1max) |
| Potência de entrada na ficha | 4,9 kW em 110 V, 10,6 kW em 220 V | não informa |
| Ciclo de trabalho a 40 °C | 60% a 200 A, 100% a 155 A (220 V) | 60% a 200 A, 100% a 155 A |
| Eficiência | 75% a 80% | não informa |
| Fator de potência | 0,6 | não informa |
| Disjuntor indicado | 50 A para eletrodo, 32 A para TIG | não informa |
Os números de entrada são os da condição mais pesada: a máquina no máximo. Soldando com corrente mais baixa, ela puxa bem menos da rede.
Os 10,6 kW não são o que o medidor conta
A ficha da Black MMA 200 chama de potência de entrada um valor que é, na prática, tensão vezes corrente: 220 V × 47,7 A dá 10,5 kVA, quase o número da ficha. Isso é a potência aparente, que dimensiona fio, tomada e disjuntor.
A parte que vira trabalho, e que o medidor de uma casa registra, é a potência ativa, em kW. O mesmo manual informa fator de potência de 0,6. Então, no máximo:
- 10,6 × 0,6 = 6,4 kW de potência ativa.
A diferença entre as duas grandezas está em fator de potência, e a conversão em kVA para kW. Para a conta de luz, a regra que importa está na Resolução Normativa 1.000/2021 da ANEEL: a distribuidora não pode cobrar da unidade do grupo B, que inclui as residências, o consumo de energia reativa excedente. Você paga os kWh.
Quanto o arco puxa, pela tensão da placa
A placa da Fox 200 dá outra forma de chegar ao número, pelo lado da saída. Ela informa a tensão de saída em três pontos, na condição de ensaio da norma IEC 60974-1 citada na placa: 20,8 V a 20 A, 26,2 V a 155 A e 28 V a 200 A. Os três seguem a mesma regra: 20 V mais 0,04 V por ampère.
A potência no arco é corrente vezes tensão. A 200 A, são 200 × 28 = 5.600 W. A máquina puxa da rede um pouco mais que isso, por causa das perdas. Usando 80%, o topo da faixa de 75% a 80% da ficha da Black MMA 200, que a Fox não informa, a entrada fica em 5.600 ÷ 0,8 = 7.000 W; com 75%, seriam uns 7.470 W. É uma estimativa, mas bate com os 6,4 kW calculados pelo outro caminho.
Quanto custa por hora de arco, eletrodo por eletrodo
A corrente depende da espessura do eletrodo. O manual da Fox 200 dá faixas iniciais por diâmetro e lembra que a embalagem do eletrodo tem a palavra final. A tabela usa um valor dentro de cada faixa, a regra de tensão da placa e os mesmos 80% de eficiência; com 75%, cada linha sobe cerca de 7%. O custo usa R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial das distribuidoras, sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 28/09/2026 (veja as tarifas).
| Eletrodo | Faixa do manual | Corrente usada | Potência no arco | Puxa da rede (estimativa) | Custo por hora de arco |
|---|---|---|---|---|---|
| 2,0 mm | 60 a 100 A | 80 A | 1.856 W | 2.320 W | R$ 1,86 |
| 2,4 mm | 80 a 120 A | 100 A | 2.400 W | 3.000 W | R$ 2,40 |
| 3,2 mm | 108 a 148 A | 130 A | 3.276 W | 4.095 W | R$ 3,28 |
| 4,0 mm | 140 a 180 A | 160 A | 4.224 W | 5.280 W | R$ 4,22 |
| Máximo da máquina | até 200 A | 200 A | 5.600 W | 7.000 W | R$ 5,60 |
Para dar escala: os chuveiros da Lorenzetti vão de 3.200 W a 7.500 W na posição mais quente. Soldando com eletrodo de 3,2 mm, a máquina puxa perto do que puxa um chuveiro de 4.500 W; veja a conta dele em quanto gasta um chuveiro elétrico.
O ciclo de trabalho limita a hora cheia
Ciclo de trabalho, no manual da Sumig, é a parte de um período de 10 minutos em que a máquina pode soldar sem parar. Nas duas inversoras, é 60% a 200 A: no máximo 6 minutos de arco a cada 10. Se passar disso, a proteção térmica desliga a saída, e o manual pede de 10 a 15 minutos de descanso com a máquina ligada, para o ventilador esfriar.
Isso dá um teto prático para quem solda no máximo. Em uma hora, cabem 36 minutos de arco a 200 A:
- 7,0 kW × 0,6 hora = 4,2 kWh, cerca de R$ 3,36 por hora de trabalho.
A 155 A ou menos, o ciclo é de 100%, e a máquina pode soldar direto. Na prática, quem solda à mão não mantém o arco aceso o tempo todo: para, troca o eletrodo, limpa a escória, ajusta a peça.
Exemplos de serviço
Os tempos de arco abaixo são exemplos para mostrar a conta. Meça o seu com um relógio, somando só os minutos de arco aceso.
Conserto de um portão, com eletrodo de 2,4 mm a 100 A e 15 minutos de arco no total:
- 3,0 kW × 0,25 hora = 0,75 kWh, cerca de R$ 0,60.
Uma tarde de serralheria de fim de semana, com eletrodo de 3,2 mm a 130 A e 1 hora de arco somada:
- 4,1 kW × 1 hora = 4,1 kWh, cerca de R$ 3,28.
Quatro tardes assim no mês:
- 4,095 kWh × 4 = 16,4 kWh, cerca de R$ 13,10.
Para comparar, um banho diário de 10 minutos num chuveiro de 5.500 W soma 27,5 kWh por pessoa em 30 dias. Nos exemplos, soldar todo fim de semana gasta menos que o banho diário de uma pessoa.
Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional. Nos 16,4 kWh do mês do exemplo, a amarela de setembro somaria 16,4 × 0,01885 = R$ 0,31; com a verde de outubro, nada. ICMS, PIS e Cofins também entram na fatura depois; o peso de cada um está em tributos e CIP na conta de luz.
Para refazer a conta com a potência e as horas do seu serviço, use a calculadora. A relação entre watts, horas e kWh está em W, kW e kWh.
Inversora ou transformadora
O manual da Fox 200 diz que a tecnologia inversora reduz o consumo de energia em comparação com máquinas baseadas em transformadores tradicionais. O manual não informa quanto. Se você tem uma transformadora antiga, a forma segura de saber o consumo dela é medir: anote a leitura do relógio de luz antes e depois de uma sessão, com o resto da casa quase parado, e divida pelo tempo de arco.
Tomada, disjuntor e extensão: o que o fabricante pede
Aqui está a parte que costuma dar problema antes da conta. Na corrente máxima, as duas inversoras puxam de 39,4 A a 47,7 A da rede. Isso passa do que uma tomada doméstica de 20 A foi feita para conduzir; as diferenças entre 10 A e 20 A estão em tomada de 10 A ou 20 A.
O que os manuais da Sumig pedem:
- A tomada, o plugue e o disjuntor são escolhidos pela corrente máxima da placa, a I1max. A ficha da Black MMA 200 indica disjuntor de 50 A para eletrodo e 32 A para TIG.
- Em ligação monofásica, tomada e plugue com dois pinos de fase e um de terra.
- Extensão com a mesma bitola dos cabos da máquina até 20 metros a mais, e bitola maior acima disso. O ideal, diz o manual, é a extensão mais curta possível.
- Máquina a 0,5 m da parede e material inflamável longe dos respingos.
Quem avalia se o circuito da sua casa aguenta, troca tomada, dimensiona disjuntor, fio e aterramento é um eletricista habilitado. Não improvise adaptador, benjamim ou extensão fina para a máquina de solda. Se o disjuntor já desarma quando você abre o arco, veja as causas em disjuntor desarmando e chame o eletricista antes de continuar.
Numa oficina de casa, a máquina de solda costuma dividir o circuito com o compressor. O consumo dele está em compressor de ar gasta muita energia?.
Perguntas frequentes
Máquina de solda aumenta muito a conta de luz?
Depende das horas de arco, não das horas com a máquina ligada. Com eletrodo de 2,4 mm a 100 A, cada hora de arco custa perto de R$ 2,40 antes de tributos. Um uso de fim de semana fica, nos exemplos acima, na casa de 16 kWh por mês.
Máquina de solda 220 V gasta menos que 110 V?
O consumo em kWh depende da potência no arco, e não da tensão da tomada. O que muda é o limite: a Black MMA 200 solda até 100 A em 110 V e até 200 A em 220 V. O mito geral da tensão está em 220 V gasta menos que 110 V?.
A máquina ligada sem soldar gasta?
Gasta alguma coisa: a placa eletrônica e o ventilador continuam funcionando. Os manuais consultados não informam esse consumo em espera, por isso ele ficou fora das contas. Desligue a máquina quando terminar o serviço.
Posso usar a máquina de solda com gerador?
Os manuais consultados não trazem orientação sobre gerador. Antes de tentar, consulte o fabricante da máquina e o do gerador. Gerador a combustão deve funcionar só ao ar livre, longe de portas e janelas, por causa do risco de monóxido de carbono; os cuidados estão em gerador a gasolina.
Fontes: Sumig, manual da Black MMA 200, Sumig, catálogo da Black MMA 200, Sumig, manual da Fox 200, Sumig, página da Fox 200, Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021, texto compilado, ANEEL, dados abertos de tarifas das distribuidoras, Lorenzetti, dúvidas sobre chuveiros elétricos e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.