Como saber se a placa solar está gerando: app, medidor e conta de luz
O inversor mostra a geração; a conta de luz mostra só o que foi para a rede. Veja como conferir cada um e quanto 1 kWp deve gerar por mês em quatro capitais.
O jeito mais direto de saber se a placa solar está gerando é olhar o inversor, na tela do aparelho ou no aplicativo de monitoramento: é ele que registra toda a energia produzida, dia a dia. A conta de luz e o medidor mostram outra coisa, a energia que sobrou e foi injetada na rede. Para saber se a geração está boa, divida o total do mês pela potência das placas e compare com a referência da sua cidade: em São Paulo, 1 kWp bem orientado gera de 96 a 124 kWh por mês, conforme o mês.
Conferir uma vez por mês evita uma perda que passa despercebida. Um sistema de 4 kWp em São Paulo que passa um ano gerando 15% abaixo do normal deixa de produzir cerca de 815 kWh, ou R$ 652 a R$ 0,80 por kWh.
Três lugares, três números diferentes
| Onde olhar | O que mostra | O que não mostra |
|---|---|---|
| Inversor e aplicativo | Toda a energia gerada, por dia e por hora | Quanto a casa consumiu da rede |
| Medidor bidirecional | Energia que entrou da rede e energia que saiu para ela | A energia gerada e usada na hora dentro de casa |
| Conta de luz | Energia injetada, compensada e créditos do mês | A geração total |
A confusão mais comum está na terceira linha. A energia que as placas produzem e a casa usa no mesmo instante, com a geladeira ou o ar-condicionado ligados de dia, nunca passa pelo medidor. Ela reduz a conta, mas não aparece como injetada.
Um exemplo com números redondos. Um sistema de 4 kWp em São Paulo gera, em junho, perto de 4 × 96,5 = 386 kWh pela simulação da tabela mais abaixo. Se a casa usar 120 kWh desse total durante o dia (suposição do exemplo), a conta vai mostrar cerca de 386 − 120 = 266 kWh injetados. Quem olha só a conta acha que o sistema gerou 266 kWh e se assusta sem motivo.
Pelo inversor e pelo aplicativo
O inversor é o único equipamento que mede a produção inteira. Os modelos atuais guardam o histórico e mandam os dados para a internet:
- A Fronius informa que o Primo tem Wi-Fi e Ethernet de série e envia os dados para a plataforma Fronius Solar.web, onde o dono acompanha a operação.
- A Hoymiles descreve, para os microinversores da série HMS, monitoramento de cada placa, com comunicação por meio de um equipamento chamado DTU.
A diferença importa na hora de achar um problema. No inversor string, o aplicativo mostra a geração do conjunto ou de cada entrada; uma placa ruim aparece como queda da série inteira. Com microinversor ou otimizador, o aplicativo aponta a placa exata. As duas arquiteturas estão comparadas em microinversor ou inversor string e em otimizador de potência solar.
Se o aplicativo parou de atualizar, o problema pode ser só a internet de casa ou a senha do Wi-Fi trocada, e não o sistema. A tela ou as luzes do próprio inversor dizem se ele está produzindo naquele momento.
Três situações são normais e não indicam defeito:
- geração zero à noite;
- geração baixa em dia nublado, assunto de energia solar em dia nublado;
- inversor desligado durante uma falta de luz. O inversor de rede se desliga por segurança quando a distribuidora corta a energia, como explica energia solar funciona quando falta luz?.
Quanto o sistema deveria gerar
Para comparar sistemas de tamanhos diferentes, divida a geração do mês pela potência instalada das placas, em kWp. A potência está no projeto ou na proposta (número de placas × potência de cada uma). O que é kWp está em kWp: o que é.
A referência abaixo vem do PVGIS, a ferramenta de simulação solar da Comissão Europeia, com dados de satélite de 2005 a 2023, 1 kWp de placas voltadas para o norte e perdas de sistema de 14%, o padrão da ferramenta. A inclinação é de 10° em Fortaleza e de 20° nas outras cidades.
| Mês | Fortaleza | Brasília | São Paulo | Porto Alegre |
|---|---|---|---|---|
| Janeiro | 133,3 | 120,7 | 117,7 | 144,3 |
| Fevereiro | 121,8 | 116,8 | 116,8 | 128,1 |
| Março | 130,3 | 130,2 | 123,5 | 126,2 |
| Abril | 122,6 | 131,3 | 113,7 | 107,5 |
| Maio | 134,2 | 141,7 | 103,5 | 86,4 |
| Junho | 136,7 | 142,5 | 96,5 | 73,5 |
| Julho | 148,4 | 155,2 | 109,6 | 85,2 |
| Agosto | 164,4 | 158,6 | 115,5 | 94,2 |
| Setembro | 162,2 | 143,2 | 110,2 | 97,2 |
| Outubro | 162,8 | 130,5 | 111,8 | 118,8 |
| Novembro | 150,2 | 109,3 | 116,3 | 136,3 |
| Dezembro | 143,4 | 114,7 | 123,9 | 147,5 |
| Ano | 1.710 | 1.595 | 1.359 | 1.345 |
Valores em kWh por kWp. A tabela ensina duas coisas.
A primeira: o melhor mês muda de cidade para cidade. Em Brasília, julho e agosto, na seca, lideram; em Porto Alegre, dezembro e janeiro geram o dobro de junho. Comparar um mês com o anterior engana. Compare com o mesmo mês do ano passado ou com a estimativa mensal do projeto.
A segunda: a geração oscila de um ano para outro. Para São Paulo, o PVGIS estima um desvio padrão de 8,8 a 16,8 kWh por kWp no mesmo mês, entre os anos da série. Um mês 10% abaixo da tabela pode ser só um mês nublado.
Para outras cidades, a irradiação de cada capital está em irradiação solar por cidade. Se o seu telhado não aponta para o norte, a referência cai; veja orientação da placa solar.
Um exemplo de conferência
Sistema de 3,51 kWp em São Paulo (seis placas de 585 W). Em agosto, o aplicativo mostra 355 kWh.
- Geração por kWp: 355 ÷ 3,51 = 101,1 kWh.
- Referência de agosto: 115,5 kWh por kWp.
- Diferença: 101,1 ÷ 115,5 = 0,875, ou 12,5% abaixo.
Um mês assim ainda cabe na variação normal. Se setembro e outubro também vierem 10% a 15% abaixo, vale investigar. A R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial das distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 28/09/2026 (veja as tarifas), os cerca de 50 kWh que faltaram em agosto (3,51 × 115,5 = 405 kWh esperados, menos 355) valem perto de R$ 40. Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional. Tributos também aumentam o valor de cada kWh.
O que cada tipo de queda sugere
| O que aparece | Causa provável | O que fazer |
|---|---|---|
| Zero num dia de sol | Inversor desligado, disjuntor desarmado ou erro | Veja a mensagem na tela; se o disjuntor do inversor desarmou, religue uma vez e, se cair de novo, chame o instalador |
| Queda súbita de uma parte | Uma série ou uma placa parada, proteção atuada | Chame o instalador; com monitoramento por placa, informe qual |
| Queda lenta ao longo de meses | Sujeira acumulada ou sombra nova (árvore crescendo) | Veja limpeza de placa solar e sombreamento na placa solar |
| Queda pequena e constante ano a ano | Degradação normal das placas | Compare com a garantia de desempenho em placa solar dura quantos anos |
| Geração normal, conta alta | Aumento de consumo da casa | Confira os aparelhos na calculadora |
Nunca abra o inversor nem mexa em cabos, conectores ou na string box. O lado de corrente contínua das placas continua energizado enquanto houver luz, mesmo com o disjuntor desligado. Diagnóstico e reparo são trabalho do instalador ou de eletricista habilitado, e a rotina de cuidados está em manutenção de energia solar.
Pelo medidor e pela conta de luz
Quem entra no sistema de compensação recebe um medidor bidirecional. A norma de conexão de geração distribuída em baixa tensão da Cemig, por exemplo, exige medidor com registradores independentes para a energia consumida da rede e a injetada, e diz que o custo dessa adequação é da distribuidora. Cada distribuidora usa códigos próprios no visor para cada registrador; o manual da sua distribuidora ou o atendimento informa quais são. O básico da leitura está em como ler o relógio de luz.
Na conta, a Resolução Normativa 1.000 da ANEEL manda a distribuidora apurar, a cada ciclo, a energia consumida da rede, a injetada e o excedente, por posto tarifário. O excedente vira crédito, que expira em 60 meses. O guia créditos de energia solar na conta de luz mostra onde cada número aparece na fatura.
Dois cuidados com a conta:
- A mesma resolução diz que o faturamento com compensação começa no ciclo seguinte à vistoria e à instalação ou adequação do medidor. Na primeira conta depois da ligação, pode não haver compensação nenhuma.
- A leitura do medidor não coincide com o mês do calendário, e o número de dias muda de uma conta para outra. Para comparar, use o consumo por dia, como explica comparar contas com dias diferentes.
Se a energia injetada da conta for muito diferente do que o inversor sugere, descontado o que a casa usa de dia, peça à distribuidora a conferência da leitura. Os caminhos de reclamação estão em como reclamar da conta de luz.
Perguntas frequentes
A placa solar gera energia em dia nublado?
Gera, mas menos. Um dia nublado isolado não indica defeito; olhe o mês inteiro.
Por que a conta não mostra a geração total?
Porque o medidor só registra o que passa por ele. A energia gerada e usada na hora dentro de casa não entra nem sai pela rede.
Qual a geração normal por dia?
Divida o valor mensal da tabela pelos dias do mês. Em São Paulo, a média do ano fica em 3,72 kWh por kWp por dia na simulação do PVGIS.
Preciso de internet para o sistema funcionar?
Não. O inversor gera e injeta sem internet. A conexão serve para o monitoramento remoto e o histórico no aplicativo.
Fontes: Comissão Europeia, PVGIS 5.3, simulação de sistemas conectados à rede, Fronius, dados técnicos do Primo 5.0-1, Hoymiles, HMS-1600D/1800D/2000D-4T, Cemig, ND-5.30 conexão de geração distribuída em baixa tensão, ANEEL, Resolução Normativa 1.000/2021, texto compilado, ANEEL, tarifas das distribuidoras (dados abertos) e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.