Microinversor ou inversor string: qual escolher para o seu telhado
O microinversor trabalha junto de cada grupo de placas e perde menos com sombra; o string concentra tudo num aparelho e tem eficiência maior. Compare fichas e casos.
O microinversor converte a energia no próprio telhado, junto de uma a quatro placas, e deixa cada grupo trabalhar sem depender dos outros. O inversor string recebe todas as placas ligadas em série e converte num único aparelho, na parede. Em telhado sem sombra e com uma só orientação, o string tende a entregar um pouco mais, com eficiência declarada acima de 97%; com sombra parcial, várias águas ou planos de ampliar aos poucos, o microinversor costuma levar vantagem.
Não existe vencedor universal. A escolha depende de três perguntas sobre o seu telhado, e as fichas técnicas dos fabricantes mostram onde cada um ganha.
Como cada um é ligado
No sistema string, as placas formam uma fileira em série. As tensões se somam, e a corrente que passa por todas é a mesma. O Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos, do CRESESB (Cepel), explica a consequência: numa ligação em série, a corrente do conjunto fica limitada pelo módulo que produz menos, seja por sombra, sujeira ou defeito. Entre as placas e o inversor ainda entra a proteção do circuito, o que a string box faz nessa instalação.
No sistema com microinversor, cada aparelho atende poucas placas e tem o seu próprio controle de potência. O Hoymiles HMS-2000D-4T, por exemplo, recebe quatro placas e tem dois rastreadores de potência (MPPT), ou seja, as placas trabalham em pares. A saída de vários microinversores já sai em corrente alternada e segue por um cabo comum até o quadro.
A diferença de arquitetura explica quase tudo o que vem a seguir: sombra, tensão no telhado, monitoramento e manutenção.
As fichas lado a lado
Dois modelos para uma casa, com os dados que cada fabricante publica:
| Característica | String: Fronius Primo 5.0-1 | Micro: Hoymiles HMS-2000D-4T |
|---|---|---|
| Potência de saída | 5.000 W | 2.000 VA |
| Placas por aparelho | Várias, até 7,5 kWp no total | 4 (placas de 400 a 670 W, usuais) |
| Rastreadores de potência (MPPT) | 2 | 2 por aparelho |
| Tensão máxima de entrada CC | 1.000 V | 65 V |
| Eficiência declarada | Máxima 98,1%; europeia 97,1% | Pico CEC 96,5% |
| Proteção | IP65 | IP67 |
| Monitoramento | Do conjunto, com registrador de dados integrado | De cada placa |
| Onde fica | Parede, em área interna ou externa | No telhado, sob as placas |
Um alerta sobre a linha de eficiência: a europeia e a CEC são médias ponderadas com critérios diferentes, e o pico é outra medida. Os números servem para dar a ordem de grandeza, não para uma comparação exata ponto a ponto.
Exemplo: 12 placas de 550 Wp
Suponha 12 placas de 550 Wp, 6,6 kWp no total (número de placas e potência escolhidos só para o exemplo).
- Com string: um Primo 5.0-1. O fator entre inversor e placas fica em 5.000 ÷ 6.600 = 0,76, dentro da faixa de 0,75 a 1,05 que o manual do CRESESB relata como usual.
- Com micro: três HMS-2000D-4T, um para cada quatro placas. A potência de saída soma 3 × 2.000 = 6.000 VA, e o fator fica em 6.000 ÷ 6.600 = 0,91.
Os dois arranjos cabem no mesmo telhado. A diferença aparece quando algo tira luz de parte das placas, e no que fica no telhado para manutenção. Como se calcula esse fator e o que acontece quando ele fica baixo está em inversor solar: o que é.
Sombra: onde o microinversor ganha
O manual do CRESESB mostra que, ao cobrir metade de uma única célula, a corrente daquele módulo cai à metade, e a de todos os módulos da mesma série cai junto. Os diodos de desvio (by-pass), presentes na maioria dos módulos, oferecem um caminho alternativo e reduzem essa perda, além de evitar o ponto quente que pode danificar a célula sombreada.
Para enxergar os limites do problema, volte às 12 placas, divididas em duas séries de 6 nas duas entradas do Primo, e imagine que uma placa de uma série (6 × 550 = 3.300 Wp) perca metade da produção por uma sombra:
| Situação | Potência da série de 3.300 Wp | Perda |
|---|---|---|
| Sem sombra | 3.300 W | 0 |
| Pior caso: a série inteira acompanha a placa sombreada | 1.650 W | 50% |
| Melhor caso: só a placa sombreada perde (placa isolada) | 3.025 W | 8% |
Contas: 3.300 × 0,5 = 1.650 W; no melhor caso, a placa perde 550 × 0,5 = 275 W, e 3.300 − 275 = 3.025 W, uma perda de 275 ÷ 3.300, cerca de 8%.
A tabela é uma ilustração dos extremos, não uma medição. Na prática, um string com diodos de desvio e um rastreamento que varre a curva inteira, como o Dynamic Peak Manager que a Fronius descreve, fica entre as duas linhas. O microinversor se aproxima do melhor caso porque a placa sombreada não arrasta as outras, com a ressalva de que no HMS-2000D-4T as placas dividem o rastreador em pares.
Se o telhado tem caixa d’água, platibanda, antena ou árvore que projeta sombra em parte do dia, esse é o argumento mais forte para o microinversor. Se não tem sombra nenhuma, ele pesa pouco. Nuvens cobrem o telhado inteiro e afetam os dois sistemas do mesmo jeito; o efeito está em placa solar em dia nublado.
Tensão no telhado e segurança
No string, a tensão da série de placas chega a centenas de volts em corrente contínua. O Primo 5.0-1 aceita até 1.000 V na entrada. O manual do CRESESB alerta que a maior tensão aparece em manhãs frias, com as placas em circuito aberto, e que ela nunca pode ultrapassar o limite do inversor.
No microinversor, a entrada máxima do HMS-2000D-4T é de 65 V, e a Hoymiles descreve que cada placa trabalha em torno de 60 V. A corrente contínua em alta tensão fica restrita a um trecho curto, e o que desce do telhado é corrente alternada.
Os dois tipos são seguros quando bem projetados e instalados. Segundo a Hoymiles, desde o fim de 2024 o Inmetro exige interrupção de arco elétrico (AFCI) nos inversores de rede com tensão de corrente contínua acima de 120 V. Confirme no orçamento que o modelo tem registro no Inmetro e essa proteção. Nunca mexa em conectores ou cabos das placas: eles ficam energizados enquanto há luz, e qualquer intervenção é trabalho de instalador ou eletricista habilitado.
Manutenção, monitoramento e ampliação
Monitoramento. O HMS mostra a produção de cada placa, o que ajuda a achar a placa suja, sombreada ou com defeito. O Primo 5.0-1 registra a geração do conjunto; uma placa com problema aparece como queda da série inteira, e achar a culpada exige teste no local.
Manutenção. O microinversor fica embaixo das placas, então uma troca exige subir no telhado. O string fica na parede, ao alcance, e costuma ser um único aparelho a trocar. O manual do CRESESB informa garantias típicas de 5 a 10 anos para inversores de rede; a Hoymiles anuncia garantias de até 25 anos para os seus microinversores. Compare o prazo e quem paga a mão de obra da troca.
Ampliação. Com micro, cada grupo de quatro placas novas pede mais um aparelho, e o resto do sistema não muda. Com string, as placas novas precisam caber na janela de tensão e no limite de potência do inversor existente; às vezes cabem numa entrada livre, às vezes exigem outro inversor. Em qualquer caso, aumentar a potência passa por novo pedido à distribuidora (veja homologação de energia solar).
Como decidir
| Situação do telhado | Tende a favorecer |
|---|---|
| Uma água só, voltada para o norte, sem sombra | String |
| Duas águas com orientações diferentes | String com dois MPPT ou micro |
| Sombra em parte do dia (caixa d’água, árvore, prédio) | Micro |
| Telhado recortado, com poucas placas por plano | Micro |
| Plano de ampliar em etapas | Micro |
| Sistema grande num telhado limpo | String |
| Acesso difícil ao telhado para manutenção | String |
Peça ao instalador a simulação de geração com os dois arranjos para o seu telhado, com a sombra considerada, e compare a geração anual prevista com a diferença de preço. Para saber quanto da conta a geração cobre, a calculadora mostra o consumo dos aparelhos da casa, e o artigo energia solar vale a pena? faz a conta do retorno.
Perguntas frequentes
Microinversor funciona quando falta luz?
Não. Como o string, ele é um inversor de rede e desliga quando a rede cai; a Hoymiles lista a norma IEC 62116, de proteção anti-ilhamento, entre as que o HMS atende. Para ter energia na queda, é preciso bateria. Veja inversor híbrido.
Microinversor gera mais energia?
Com sombra ou orientações diferentes, costuma gerar mais. Sem sombra, a eficiência declarada do string é um pouco maior. A Hoymiles afirma que sistemas de varanda com microinversor podem gerar até 30% mais que com inversores tradicionais quando parte das placas está sombreada ou suja; é uma afirmação do fabricante e depende do telhado.
Posso misturar placas diferentes?
Numa série de string, placas diferentes limitam a corrente pela mais fraca. Com micro, cada grupo trabalha separado, desde que a placa esteja dentro da faixa aceita pelo aparelho.
Qual dura mais?
Depende do modelo e das condições. Calor encurta a vida de qualquer eletrônico; compare a garantia por escrito.
Fontes: CRESESB/Cepel, Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos (2014), Fronius, dados técnicos do Primo 5.0-1, Hoymiles, HMS-1600D/1800D/2000D-4T, Hoymiles, guia da série HMS e Hoymiles, AFCI e as regras do Inmetro.