String box: o que é, o que tem dentro e quando é necessária

A string box protege o lado de corrente contínua das placas solares. Veja o que há dentro, quando leva fusíveis e quando o inversor já faz esse papel.

A string box é a caixa de proteção instalada entre as placas solares e o inversor, no trecho em que a energia ainda é corrente contínua. Na linha KO22 da Komeco, por exemplo, ela reúne um dispositivo de proteção contra surtos (DPS) do tipo II, com corrente máxima de 40 kA, uma chave seccionadora para 600 V a 1.100 V, conforme o modelo, e, só nos modelos de 9 e 12 entradas, fusíveis para cada série de placas, tudo numa caixa com grau de proteção IP65.

Ela não gera nem converte energia. O trabalho dela é outro: deixar o sistema ser desligado com segurança, desviar surtos de tensão e, nos sistemas maiores, impedir que uma série de placas empurre corrente para outra. Abaixo, o que cada peça faz, quando a caixa separada é dispensável e o que conferir na ficha técnica.

Onde ela fica no sistema

Num sistema ligado à rede, a energia percorre este caminho:

  1. As placas, ligadas em série, formam uma ou mais “strings” (séries fotovoltaicas). Daí vem o nome da caixa.
  2. Os cabos das séries descem do telhado e chegam à string box.
  3. Da string box, seguem para o inversor, que transforma a corrente contínua em alternada. O papel dele está explicado em inversor solar: o que é.
  4. Do inversor, a energia vai para o quadro da casa e para a rede da distribuidora.

A caixa costuma ficar perto do inversor, na parede. O Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos, do CRESESB (Cepel), chama esse ponto de caixa de junção do gerador fotovoltaico e indica que, quando os cabos entre as placas e o inversor passam de 10 metros, o DPS deve ser instalado nas duas pontas: perto do inversor e na caixa de junção junto das placas. Por isso algumas instalações têm duas caixas.

O que tem dentro

A ficha da Komeco para a linha KO22 e KO23 mostra os componentes de uma string box típica. Cada um cumpre uma função diferente:

Componente Para que serve Como aparece na ficha da Komeco
DPS de corrente contínua Desvia para o aterramento as sobretensões causadas por descargas atmosféricas Citel DS50PV, tipo II, Imax de 40 kA
Chave seccionadora Abre os polos positivo e negativo ao mesmo tempo, para separar as placas do inversor Modelos para 600 V e 1.000 V; 1.100 V nos maiores
Fusíveis por série Protegem cada série contra corrente reversa vinda das outras 20 A ou 25 A, só nos modelos de 9 e 12 entradas
Caixa Protege contra água, poeira e impacto IP65 e resistência mecânica IK08, em ABS
Prensa-cabos Vedam a passagem dos cabos Incluídos como acessório

O manual do CRESESB lista as mesmas funções no diagrama de proteção de um sistema fotovoltaico: DPS adequado para corrente contínua, classe 2; dispositivo de seccionamento capaz de interromper os condutores positivo e negativo simultaneamente; e proteção contra sobrecorrente de cada série, adequada para corrente contínua. O manual acrescenta que um disjuntor de corrente contínua atende aos dois papéis, proteção e seccionamento, e que o DPS não vai no condutor que tem aterramento funcional.

Para entender o DPS em outros pontos da casa, veja protetor contra surtos (DPS). O caminho para o aterramento que ele usa está em aterramento elétrico: para que serve.

Por que o lado das placas precisa de proteção própria

A tomada da casa tem corrente alternada, que passa por zero duas vezes a cada ciclo da rede de 60 Hz, e isso ajuda a apagar o arco quando um contato abre. A corrente contínua das placas não passa por zero. Por isso a chave, o fusível e o DPS desse trecho precisam ser próprios para corrente contínua, como o manual do CRESESB exige em cada item do diagrama.

A tensão também é alta. Cada célula de silício gera só de 0,5 a 0,8 V, segundo o manual, mas as placas ligadas em série somam as tensões, e uma série pode chegar a 1.000 V em corrente contínua. O manual avisa ainda que, mesmo com pouca luz, a tensão nos terminais do módulo fica quase no máximo. Um dia nublado não deixa o sistema seguro para mexer.

Há um ponto que surpreende muita gente. A chave seccionadora separa as placas do inversor, mas não desliga as placas. Enquanto houver luz, os módulos e os cabos até a chave continuam energizados. Desligar a chave serve para o técnico trabalhar no inversor com segurança, não para liberar o telhado.

Quando os fusíveis entram

O fusível de série protege contra corrente reversa: se uma série tem tensão menor que as outras, por sombra ou defeito, as outras podem empurrar corrente de volta para ela. O manual do CRESESB diz que os fusíveis só são necessários quando há mais de duas séries em paralelo, e que devem ficar na saída de cada série, no polo positivo e no negativo, de preferência do tipo gPV.

A ficha da Komeco segue essa lógica nos modelos residenciais. Os de 2, 4 e 6 entradas vêm sem fusível (“não aplicável”). Os de 9 e 12 entradas da KO22 trazem fusíveis de 20 A; para o KO23 de 12 entradas, a ficha informa 25 A e o manual, 20 A. O modelo de 20 entradas, para sistemas grandes, também aparece sem fusível na ficha.

Numa casa com uma ou duas séries, portanto, é normal a string box não ter fusível nenhum. Isso não é defeito nem economia do instalador.

Toda instalação precisa de string box?

Precisa das funções, não necessariamente da caixa separada. Há dois casos comuns em que ela some do orçamento:

  • O inversor já traz as proteções. A ficha do Fronius Primo 5.0-1 lista chave seccionadora de corrente contínua integrada e proteção contra inversão de polaridade. Nesse caso, o projetista decide se ainda precisa de DPS externo, conforme a distância até as placas.
  • O sistema usa microinversores. Cada microinversor fica no telhado, junto de uma a quatro placas, e o cabo que desce já leva corrente alternada. A comparação está em microinversor ou inversor string.

Quem define o que o seu sistema precisa é o projeto elétrico entregue à distribuidora no pedido de conexão, assinado por profissional habilitado. O processo está em homologação de energia solar, e a lista do que costuma vir na caixa do kit em kit energia solar: o que vem.

Como ler a ficha de uma string box

Quatro linhas decidem se a caixa serve para o seu sistema:

Linha da ficha O que conferir
Tensão nominal em corrente contínua Precisa cobrir a tensão máxima da série de placas, calculada pelo projetista com a temperatura mínima do local
Número de entradas e saídas Uma entrada por série de placas; as saídas vão para as entradas do inversor
Corrente máxima por entrada Precisa cobrir a corrente da série; na KO22 vai de 12,5 A a 32 A, conforme o modelo
Grau de proteção IP65 aguenta chuva e poeira; confira se o local de instalação pede isso

A tensão da série cresce com o frio, e o cálculo usa o coeficiente de temperatura informado pelo fabricante da placa. Por isso esse número é trabalho do projetista, não de quem compra. Se o orçamento trouxer uma string box de 600 V para um inversor que aceita até 1.000 V de entrada, pergunte ao instalador qual é a tensão máxima prevista para a série.

Quanto custa uma série parada

A string box não aparece na conta de luz, mas uma série desligada aparece. Um exemplo, com premissas marcadas:

  • Sistema de 4 kWp no Sudeste, com duas séries iguais (suposição).
  • Geração de 121,7 kWh por mês para cada kWp, pela irradiação média de 5,07 kWh/m² por dia do Atlas Brasileiro de Energia Solar, do INPE, com a taxa de desempenho de 80% que o próprio Atlas adota: 5,07 × 0,80 × 30 = 121,7.
  • Geração do sistema: 4 × 121,7 = 486,8 kWh por mês.
  • Uma das séries fica desligada por 10 dias, por uma chave aberta ou um fusível queimado.

Energia perdida: 486,8 ÷ 2 × 10 ÷ 30 = 81,1 kWh. Com o kWh a R$ 0,80, a mediana residencial de 100 distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 28/09/2026 (veja tarifas), são R$ 64,88 que a casa deixa de economizar, antes de tributos e do Fio B. O exemplo não inclui a bandeira tarifária. Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional (Agência Brasil; veja também bandeira).

O jeito de pegar isso cedo é olhar a geração no aplicativo do inversor. Se ela cair pela metade num dia de sol, algo parou. O passo a passo para conferir está em como saber se a placa solar está gerando. Para ver quanto do consumo da casa aquela geração cobre, use a calculadora.

Cuidados e manutenção

O manual da string box da Komeco é direto: nunca tente desmontar ou consertar o produto por conta própria ou com terceiros não habilitados, e antes de qualquer instalação ou reparo o sistema deve ser completamente desenergizado. Como as placas continuam gerando com luz, essa desenergização segue um procedimento que só o instalador ou um eletricista habilitado deve fazer.

O que o morador pode fazer sem abrir nada:

  • Olhar a caixa por fora. O checklist de inspeção do manual do CRESESB inclui verificar se há insetos, corrosão ou umidade excessiva na caixa de junção. Porta rachada, vedação solta ou água por dentro são motivo para chamar o instalador.
  • Conferir se a caixa está fora do sol forte e da água parada, e se nenhum objeto está encostado nela.
  • Anotar a geração diária. Uma queda súbita num dia claro é o sinal mais comum de problema no lado de corrente contínua.

Cheiro de queimado, marca escura na caixa ou estalos são motivo para desligar o disjuntor do inversor no quadro, se você souber qual é, e chamar um eletricista habilitado. Não abra a caixa e não mexa na chave com a tampa aberta. Os riscos de incêndio de um sistema solar estão em energia solar tem risco de incêndio?, e a rotina de cuidados em manutenção de energia solar.

Perguntas frequentes

String box é obrigatória?

As funções de seccionamento e proteção do lado de corrente contínua fazem parte do projeto de qualquer sistema. A caixa separada pode ser dispensada quando o inversor já traz essas proteções ou quando o sistema usa microinversores. Quem decide é o projeto aprovado pela distribuidora.

Posso trocar o DPS ou o fusível sozinho?

Não. Trocar qualquer componente exige desenergizar o sistema, e as placas continuam energizadas enquanto há luz. O fabricante manda procurar pessoal habilitado, e mexer por conta própria também pode anular a garantia.

Por que a minha string box não tem fusível?

Porque o sistema provavelmente tem uma ou duas séries. Pelo manual do CRESESB, os fusíveis só são necessários a partir de três séries em paralelo, e na ficha da Komeco os modelos pequenos, de até 6 entradas, vêm sem eles.

A string box melhora a geração?

Não. Ela protege o sistema e permite desligá-lo com segurança. Quem busca o melhor ponto de trabalho das placas é o inversor. O que muda a geração são sol, sombra, temperatura e o tamanho do sistema, assuntos de quantas placas solares preciso.

Fontes: Komeco, ficha técnica da string box KO22 e KO23, Komeco, manual da string box KO22 e KO23, CRESESB/Cepel, Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos (2014), Fronius, dados técnicos do Primo 5.0-1, INPE, Atlas Brasileiro de Energia Solar, 2ª edição, ANEEL, tarifas das distribuidoras (dados abertos) e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.