Homologação de energia solar: etapas, documentos e prazos

A homologação é o pedido de conexão do sistema solar à distribuidora: orçamento de conexão, vistoria e liberação. Veja documentos, prazos e o custo de atrasar.

Homologação de energia solar é o nome popular do processo em que a distribuidora analisa, vistoria e libera a conexão do sistema à rede. Numa microgeração residencial sem obra na rede, a Cemig, por exemplo, tem até 15 dias para emitir o orçamento de conexão e até 5 dias úteis para fazer a vistoria depois que o consumidor a solicita. Só depois dessa liberação a energia injetada vira crédito na conta.

Nos documentos oficiais o nome é outro. A Lei 14.300 fala em solicitação de acesso e parecer de acesso; as normas atuais das distribuidoras, como a da Cemig, falam em solicitação de orçamento de conexão, seguida de vistoria e aprovação do ponto de conexão. Saber esses nomes ajuda a acompanhar o pedido e a cobrar prazos.

As etapas, na ordem

Etapa Quem faz O que acontece
1. Projeto e ART ou TRT Profissional habilitado Diagrama, memorial e responsabilidade técnica
2. Solicitação de orçamento de conexão Consumidor, em geral pelo integrador Formulário padrão com os documentos
3. Orçamento de conexão Distribuidora Condições, custos e prazos da conexão, sem custo para o consumidor
4. Instalação Integrador Montagem do sistema conforme o projeto aprovado
5. Solicitação de vistoria Consumidor ou integrador Aviso de que o sistema está pronto
6. Vistoria e medição Distribuidora Testes, adequação do medidor e aprovação do ponto de conexão
7. Compensação Distribuidora A energia injetada passa a gerar créditos

A norma de conexão em baixa tensão da Cemig diz que a utilização da microgeração depende de análise do projeto, inspeção, teste e liberação pela distribuidora, e o manual da empresa acrescenta que a implantação da central só pode ser feita depois de um orçamento de conexão favorável. Em outras palavras: primeiro o orçamento, depois a obra, e nada de injetar na rede antes da etapa 6.

Os documentos do pedido

A Cemig lista, para a solicitação de orçamento de conexão de microgeração em baixa tensão:

  • formulário de informações básicas de geração distribuída;
  • ART do profissional responsável;
  • diagrama unifilar com geração, proteção e medição;
  • memorial descritivo;
  • certificado de conformidade do inversor ou número de registro no Inmetro para a tensão de conexão;
  • formulário de cadastro das unidades que vão receber créditos, quando houver.

A Lei 14.300 manda a ANEEL definir um formulário padrão e proíbe a distribuidora de pedir documentos além dos indicados nesse formulário (art. 2º, § 3º). A ANEEL informa que aprovou esses formulários pela Resolução Homologatória nº 3.171/2023. Se aparecer uma exigência fora da lista, pergunte em qual item do formulário ela se apoia.

Sobre a responsabilidade técnica, a norma da Cemig aceita ART, emitida por engenheiro com as atribuições exigidas, ou TRT, emitida por técnico em eletrotécnica ou técnico em sistemas de energia renovável. Quando quem projeta é diferente de quem instala, cada um emite a sua, e a de instalação pode ser apresentada até a data da vistoria.

Os prazos da distribuidora

Os números abaixo são os que a Cemig publica no seu manual de geração distribuída. Outras distribuidoras publicam os prazos nas próprias normas, e vale consultar a da sua região.

Etapa Prazo informado pela Cemig
Orçamento de conexão, microgeração sem obras até 15 dias da solicitação
Orçamento de conexão, microgeração com obras até 30 dias da solicitação
Orçamento de conexão, minigeração até 45 dias da solicitação
Validade do orçamento de conexão 120 dias a partir da emissão
Vistoria em baixa tensão até 5 dias úteis
Vistoria em média tensão até 10 dias úteis da solicitação

Na Cemig, somando os prazos máximos de um caso simples (15 dias para o orçamento e 5 dias úteis para a vistoria, que dão 7 dias corridos numa semana sem feriado), a parte da distribuidora cabe em cerca de 22 dias corridos. Em outra distribuidora, a soma sai dos prazos da norma dela. O tempo real costuma ser maior por causa de pendências, da instalação e do tempo entre uma etapa e outra, que depende do consumidor.

Há também um prazo do lado do consumidor. Nos casos sem obra na rede, a Cemig exige que a vistoria seja solicitada em até 120 dias depois da emissão do orçamento de conexão; passado esse prazo, as condições do orçamento se perdem e é preciso pedir de novo.

Pendência de documento tem regra própria. Pela Lei 14.300, a distribuidora notifica todas as pendências de uma vez, e o consumidor tem 30 dias para resolvê-las, salvo outro prazo combinado (art. 2º, § 4º).

O que a vistoria confere

A Cemig descreve a vistoria como a checagem das instalações contra a norma, a documentação e a regulação da ANEEL. Durante a visita, a distribuidora testa a proteção anti-ilhamento dos inversores. Pela mesma norma, o sistema tem de parar de fornecer energia à rede em até 2 segundos depois que a rede cai, para não manter energizado um trecho da rede isolado. Por isso o sistema precisa estar pronto para operar no dia.

A norma prevê reprovação em dois casos diretos:

  • situação encontrada na vistoria que não corresponde ao que foi representado no projeto aprovado;
  • impossibilidade de fazer os testes, ou teste com resultado inadequado.

O certificado do Inmetro do inversor para a tensão de conexão é exigido já no pedido, então um equipamento trocado sem certificado cai nos dois problemas ao mesmo tempo.

Se o acesso da equipe aos módulos e inversores for inviável, a Cemig pede fotos georreferenciadas das instalações.

Quem paga o quê

O orçamento de conexão é emitido sem custo, segundo a Cemig. Na norma técnica da EDP, os custos de adequação do sistema de medição do microgerador ficam com a distribuidora; o minigerador paga a diferença entre o medidor exigido e o convencional.

Obras de reforço na rede são outro assunto. A Lei 14.300 manda calcular a participação financeira da distribuidora e a eventual participação do consumidor conforme as regras da ANEEL (art. 8º). O orçamento de conexão é o documento que diz se há obra e quem paga. Se a casa ainda não tem ligação, o pedido de conexão da unidade nova e o da geração correm juntos, pelo art. 2º, § 2º; veja ligação nova de energia.

O custo de cada mês parado

Um sistema pronto que espera a liberação deixa de economizar. Para ter a ordem de grandeza, pense num sistema de 5 kWp. É um tamanho comum: no cadastro da ANEEL gerado em 27/09/2026, os 3.726.801 sistemas solares da classe residencial têm potência mediana de 5 kW. O Atlas Brasileiro de Energia Solar, do INPE, registra no Sudeste médias anuais de irradiação entre 4,97 e 5,11 kWh/m² por dia em metade dos anos de 2005 a 2015. Com 5,0 kWh/m² e a suposição de que 80% disso vira energia útil:

5 kWp × 5,0 × 0,80 × 30 dias = 600 kWh por mês.

A R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial de 98 distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 11/09/2026 (veja tarifas), são R$ 480 por mês sem economia, antes de tributos. A parte compensada pela rede vale menos que o kWh cheio, porque paga uma parcela do Fio B, como mostra taxação do sol e Fio B. Já os tributos e a bandeira amarela de setembro de 2026, R$ 0,01885 por kWh, aumentam o valor de cada kWh que a casa deixa de comprar. Por isso o valor real pode ficar acima ou abaixo de R$ 480. Para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional. Documentação certa na primeira entrega é o jeito mais barato de encurtar esse período.

Para ver quanto a sua casa consome e quanto um sistema abateria, use a calculadora.

Cuidados que evitam refazer o pedido

  • Não troque o titular da conta entre o pedido e a vistoria. A Lei 14.300 proíbe a troca de titularidade até a solicitação de vistoria, sob pena de cancelamento (art. 5º). Se a conta está no nome de outra pessoa, resolva antes: veja troca de titularidade.
  • Não troque módulo ou inversor sem avisar. A norma da Cemig manda seguir a cartilha da distribuidora para mudanças em projeto já aprovado.
  • Confira se o padrão de entrada comporta o sistema. A potência do inversor e o tipo de ligação da casa entram no projeto; veja monofásico, bifásico ou trifásico.
  • Guarde protocolos e datas. Eles são a base de qualquer reclamação.

Mesmo sistemas que não injetam energia, como os chamados grid zero, seguem os mesmos requisitos técnicos na norma da Cemig, com a especificação do controle que impede a injeção. Não é um atalho para dispensar o pedido.

Se a distribuidora atrasar

Os prazos publicados pela distribuidora e os protocolos de cada etapa são o que sustenta uma reclamação. Registre primeiro no atendimento da própria distribuidora, anotando o número do protocolo. Os canais seguintes, da ouvidoria à ANEEL, estão em como reclamar da conta de luz.

Depois da liberação

Com a medição adequada, a fatura passa a mostrar energia injetada, compensada e saldo de créditos. O guia de créditos de energia solar na conta mostra como ler essas linhas. A regra de cobrança que vale para o seu sistema depende da data do protocolo do pedido de acesso, como explica o artigo sobre a Lei 14.300. O contexto do modelo está em geração distribuída.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva a homologação?

Pelos prazos máximos que a Cemig publica para microgeração sem obras, a parte da distribuidora cabe em cerca de três semanas. Pendências, obras de rede e o tempo de instalação alongam o processo.

Posso ligar o sistema antes da vistoria?

Não para injetar na rede. A norma da Cemig condiciona o uso da microgeração à liberação da distribuidora.

Quem faz o pedido, eu ou o instalador?

O titular da unidade consumidora é o solicitante, mas o projeto e a ART ou TRT são de profissional habilitado. Na prática, o integrador costuma protocolar em nome do cliente.

A homologação tem custo?

O orçamento de conexão é sem custo, segundo a Cemig. Projeto, ART e o serviço do integrador são pagos à parte, e obras de rede podem ter participação financeira do consumidor, conforme o orçamento.

Fontes: Planalto, Lei nº 14.300/2022, Cemig, emissão do orçamento de conexão, Cemig, solicitação de orçamento de conexão, Cemig, ND-5.30 conexão de geração distribuída em baixa tensão, EDP, padrão técnico de conexão de micro e minigeradores, ANEEL, micro e minigeração distribuída, ANEEL, dados abertos: relação de empreendimentos de geração distribuída, INPE, Atlas Brasileiro de Energia Solar, 2ª edição e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.