Inversor solar: o que é, para que serve e como escolher o tamanho
O inversor transforma a corrente contínua das placas em energia de tomada. Veja os tipos, como ler a ficha técnica, a eficiência em reais e a conta do tamanho certo.
O inversor solar é o aparelho que transforma a corrente contínua gerada pelas placas em corrente alternada, a mesma da tomada, na tensão e na frequência da rede (60 Hz no Brasil). A linha residencial monofásica Primo, da Fronius, vai de 3,0 a 8,2 kW, e o modelo de 5 kW aceita até 7,5 kWp de placas, segundo o fabricante.
Sem ele, a energia das placas não serve para a geladeira nem pode ser injetada na rede. Além de converter, o inversor procura o melhor ponto de trabalho das placas, desliga o sistema quando a rede cai e registra quanto foi gerado. É também o componente que costuma ter a garantia mais curta do sistema, por isso vale entender o que está sendo comprado.
O que o inversor faz
O Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos, publicado pelo CRESESB (Cepel), descreve quatro funções para o inversor de um sistema ligado à rede:
- Converter. Recebe corrente contínua dos módulos e entrega corrente alternada com amplitude, frequência e harmônicos adequados, sincronizada com a tensão da rede.
- Seguir o ponto de potência máxima. A potência que uma placa entrega muda com o sol e a temperatura. O circuito chamado SPPM (ou MPPT, em inglês) ajusta a tensão de trabalho o tempo todo para tirar o máximo do conjunto. A Fronius declara eficiência de adaptação acima de 99,9% nessa etapa.
- Proteger a rede. Quando a distribuidora desliga um trecho da rede, o inversor precisa parar de injetar energia. É a proteção anti-ilhamento, exigida para que ninguém leve choque durante uma manutenção. No Brasil, o manual cita a norma ABNT NBR 16149 como referência para esses requisitos.
- Informar. Quase todos os modelos registram a energia gerada por dia, o estado do equipamento e o histórico de falhas, acessíveis por aplicativo ou pela tela do aparelho.
Por causa da terceira função, o sistema comum desliga durante a falta de luz, mesmo com sol forte. O assunto está em energia solar funciona quando falta luz?.
Os tipos de inversor
O manual do CRESESB classifica os inversores de sistemas conectados à rede pelo porte e pelo número de entradas. Somando os modelos com bateria, a lista para uma casa fica assim:
| Tipo | Como funciona | Onde aparece |
|---|---|---|
| String | Uma ou poucas entradas; as placas são ligadas em série e chegam juntas ao inversor | Telhados residenciais até cerca de 10 kWp |
| Multistring | Várias entradas com rastreadores de potência independentes | Telhados com duas águas ou sombra parcial |
| Microinversor | Um aparelho pequeno atende uma a quatro placas, junto delas no telhado | Telhados recortados, com sombra ou expansão por etapas |
| Híbrido | Inversor de rede que também carrega e descarrega bateria | Quem quer energia de reserva ou guardar a geração |
| Off-grid (de bateria) | Forma a própria rede a partir de um banco de baterias, sem distribuidora | Imóveis sem rede elétrica |
| Central | Trifásico de centenas de kW ou mais | Usinas |
A escolha entre string e microinversor tem prós e contras de sombra, segurança e custo, detalhados em microinversor ou inversor string. O funcionamento com bateria está em inversor híbrido e o sistema sem rede em energia solar off-grid.
A saída também precisa combinar com a casa. Ao tratar dos inversores de sistemas isolados, o manual observa que modelos de até 5 kW em geral são monofásicos; nos inversores de rede não há um corte fixo, e a própria linha Primo, monofásica, vai até 8,2 kW. Se você não sabe qual é o padrão de entrada da sua casa, o artigo monofásico, bifásico ou trifásico explica como descobrir.
Como ler a ficha técnica
A ficha de um inversor tem dezenas de linhas. Estas são as que mudam a decisão, com os valores que a Fronius publica para o Primo 5.0-1:
| Linha da ficha | Valor no Primo 5.0-1 | O que significa para você |
|---|---|---|
| Potência nominal CA | 5.000 W | Máximo que o inversor entrega à casa e à rede |
| Potência máxima do gerador fotovoltaico | 7,5 kWp | Quanto de placa o fabricante aceita ligar |
| Número de MPPT | 2 | Duas águas do telhado podem trabalhar de forma independente |
| Faixa de tensão de entrada CC | 80 a 1.000 V | Define quantas placas cabem em cada série |
| Faixa de tensão MPP | 240 a 800 V | Janela em que o rastreamento funciona melhor |
| Saída | Monofásica, 220/230 V | Precisa combinar com o padrão da casa |
| Eficiência máxima | 98,1% | Melhor ponto, numa condição específica |
| Eficiência europeia | 97,1% | Média ponderada por faixas de carga |
| Grau de proteção | IP65 | Pode ficar em área externa |
O manual do CRESESB lembra dois cuidados. Primeiro, a eficiência máxima vale só para uma condição de carga; a eficiência europeia, média ponderada por faixas, compara melhor um modelo com outro. Segundo, a eficiência cai com pouca luz. Na ficha do Primo 5.0-1, com 5% da potência nominal, ela fica entre 80,8% e 82,5%, conforme a tensão das placas.
Quanto a eficiência vale em reais
A diferença entre inversores parece pequena em porcentagem. Veja em kWh. Suponha que as placas entreguem 500 kWh de corrente contínua por mês ao inversor (valor ilustrativo, perto do que um sistema de 4 kWp gera no Sudeste pelas contas de energia solar vale a pena).
| Eficiência média do inversor | Energia entregue | Diferença para 97,1% | Diferença em R$ por ano |
|---|---|---|---|
| 97,1% | 485,5 kWh | 0 | R$ 0,00 |
| 96% | 480,0 kWh | 5,5 kWh | R$ 52,80 |
| 95% | 475,0 kWh | 10,5 kWh | R$ 100,80 |
Os reais usam R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial de 98 distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 11/09/2026 (veja tarifas). Com ICMS e PIS/Cofins, o kWh fica mais caro e a diferença cresce um pouco.
Um ponto percentual rende perto de R$ 50 por ano nesse sistema. Conta para desempate, mas não compensa trocar um inversor que funciona bem.
O tamanho certo: a conta do FDI
O manual do CRESESB chama de Fator de Dimensionamento de Inversores (FDI) a divisão da potência nominal do inversor, em corrente alternada, pela potência de pico das placas:
FDI = potência do inversor (W) ÷ potência das placas (Wp)
O manual explica por que o inversor costuma ser menor que o conjunto de placas: com calor, a placa quase nunca chega à potência nominal, mesmo com sol forte. Ele relata que o limite inferior recomendado por fabricantes e instaladores fica entre 0,75 e 0,85, e o superior em 1,05. Quando as placas passam do limite de entrada, muitos inversores simplesmente limitam a potência e descartam o excesso.
| Placas | Inversor | FDI | Leitura |
|---|---|---|---|
| 5 kWp | 5 kW | 1,00 | Conservador, dentro da faixa |
| 6 kWp | 5 kW | 0,83 | Dentro da faixa |
| 6,5 kWp | 5 kW | 0,77 | Perto do limite inferior |
| 7,5 kWp | 5 kW | 0,67 | Abaixo da faixa do manual, embora o Primo 5.0-1 aceite |
A otimização fina, diz o manual, pede simulação com dados horários de sol e temperatura do local. Em telhados muito quentes, a recomendação é o contrário: inversor igual ou maior que as placas. Para saber quantas placas a sua conta pede, veja quantas placas solares preciso.
Onde instalar e quanto tempo dura
O calor é o principal inimigo. O manual do CRESESB aponta que alguns inversores reduzem a potência em temperaturas altas e pede local ventilado, fora do sol direto. Para área externa, recomenda proteção IP54 ou melhor; em local abrigado, IP20 basta.
Sobre a vida útil, o manual informa garantias típicas de 5 a 10 anos para inversores de rede. Na ficha da Deye para a linha híbrida SUN-5K-SG04LP1, a garantia é de 5 anos, podendo chegar a 10 conforme o país. A Hoymiles anuncia garantias de até 25 anos para os microinversores. As placas duram mais que isso (veja placa solar dura quantos anos), então é prudente contar com uma troca de inversor ao longo da vida do sistema.
Nunca abra a tampa do inversor nem mexa nos cabos das placas: o lado de corrente contínua continua energizado enquanto houver luz. Se o aplicativo mostrar erro ou a geração cair sem motivo, chame o instalador ou um eletricista habilitado.
Registro no Inmetro e proteção contra arco
O manual do CRESESB informa que os inversores vendidos no Brasil devem ter registro no Inmetro e etiqueta afixada no produto. As tabelas de componentes fotovoltaicos publicadas pelo Inmetro avisam que a lista pode ficar desatualizada e mandam conferir o banco de produtos registrados.
Há também uma exigência mais recente. Segundo comunicado da Hoymiles, a regulamentação do Inmetro passou a exigir, desde o fim de 2024, a interrupção automática de arco elétrico (AFCI) nos inversores de rede com tensão de corrente contínua acima de 120 V, e a partir de 2025 a venda de modelos sem essa proteção foi proibida. Pergunte ao instalador se o modelo do orçamento tem AFCI e registro vigente.
Perguntas frequentes
O inversor gasta energia?
Gasta um pouco para funcionar, e isso já está descontado da eficiência declarada. O manual do CRESESB chama atenção para o consumo em espera nos inversores de sistemas isolados, em que cada watt pesa na bateria. Nos sistemas de rede, o efeito prático aparece na eficiência de pouca luz.
Inversor 220 V ou 127 V?
O inversor de rede precisa combinar com a tensão e o padrão de entrada da casa. Os modelos citados aqui são de 220/230 V. Quem define a ligação é o projeto aprovado pela distribuidora no processo de homologação.
Posso ligar mais placas num inversor que já tenho?
Só dentro dos limites de tensão, corrente e potência da ficha e com projeto revisado. O aumento de potência de um sistema já conectado passa por novo pedido à distribuidora, e quem tem a regra antiga da Lei 14.300 perde o direito adquirido na parte acrescentada.
Como saber se o inversor está gerando o esperado?
Compare a geração do aplicativo com a estimativa do projeto, mês a mês, e com o consumo da conta. Use a calculadora para ver quanto do seu consumo aquela geração cobre, e o guia de créditos de energia solar na conta para achar a energia injetada na fatura.
Fontes: CRESESB/Cepel, Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos (2014), Fronius, dados técnicos do Primo 5.0-1, Deye, ficha do SUN-5K-SG04LP1-EU, Hoymiles, guia da série HMS, Hoymiles, AFCI e as regras do Inmetro e Inmetro, tabelas de componentes fotovoltaicos.