Placa solar de 100 W liga o quê? A conta de energia por dia

Uma placa de 100 W entrega cerca de 270 Wh por dia com 4 horas de sol, e perto de 200 Wh chegam à tomada. Veja o que cabe nisso, a bateria e o que fica de fora.

Uma placa solar de 100 W liga aparelhos pequenos: iluminação LED, modem, carregador de celular, notebook e rádio. Pela conta do manual de engenharia fotovoltaica do CRESESB, com 4 horas de sol pleno ela entrega cerca de 270 Wh por dia, e perto de 200 Wh chegam à tomada depois da bateria e do inversor. Geladeira, frigobar, chuveiro e ferro ficam de fora.

O número que importa não é o dos 100 W, e sim a energia do dia, em watt-hora. A seguir, de onde vem essa conta, o que cabe nela e o que mais é preciso comprar para a placa funcionar.

A placa sozinha não liga quase nada

A tensão e a corrente de uma placa mudam o tempo todo com o sol e com a temperatura. Um aparelho comum não funciona ligado direto nela. Para usar a energia, o conjunto precisa de:

  1. Um controlador de carga, que recebe a energia da placa e carrega a bateria sem sobrecarga.
  2. Uma bateria, que guarda a energia do dia para a noite e para os dias nublados.
  3. Um inversor, se os aparelhos forem de tomada comum, que transforma os 12 V da bateria em 127 V ou 220 V.

Placas pequenas são feitas para esse uso. Na tabela de módulos do Programa Brasileiro de Etiquetagem, do Inmetro, na versão atualizada em fevereiro de 2018, o Yingli YL095P-29B, um módulo de silício perto de 100 W, tem potência de 98 W, tensão de máxima potência de 18,39 V e corrente de 5,33 A. Os módulos Komaes de 5 a 20 W da mesma tabela ficam em 17,74 V. É a faixa de tensão pensada para carregar bateria de 12 V.

Quanta energia uma placa de 100 W gera por dia

O CRESESB calcula a energia de um sistema isolado assim: potência da placa vezes horas de sol pleno, vezes 0,75 (sujeira, temperatura, degradação e tolerância do módulo) e vezes 0,9 (cabos, controlador e outras perdas). Depois, a energia passa pela bateria, com eficiência de 86%, e pelo inversor, com os 85% que o manual, de 2014, cita como eficiência mínima exigida pelo Inmetro na época.

Horas de sol pleno por dia Energia entregue pela placa O que chega à tomada (× 0,86 × 0,85)
3,5 h 236 Wh 173 Wh
4,0 h 270 Wh 197 Wh
4,5 h 304 Wh 222 Wh
5,0 h 338 Wh 247 Wh

Contas: 100 × 4 × 0,75 × 0,9 = 270 Wh; 270 × 0,86 × 0,85 = 197,4 Wh. As horas de sol são suposições. O Atlas Brasileiro de Energia Solar, do INPE, indica média de 5,07 kWh/m² por dia no plano horizontal no Sudeste, o que equivale a 5,07 horas de sol pleno, mas um sistema isolado precisa fechar a conta no mês de sol mais fraco. Por isso o resto do artigo usa 4 horas.

Para comparar, a tabela do Inmetro informa para o módulo Yingli uma produção média de 12,25 kWh por mês, cerca de 408 Wh por dia. É o número da etiqueta, calculado sem as perdas de controlador, bateria e inversor.

Se os aparelhos funcionarem direto em 12 V, sem inversor, a perda do inversor sai da conta: 270 × 0,86 = 232 Wh por dia.

O que dá para ligar com 197 Wh por dia

A tabela usa a potência média e as horas de uso da tabela de consumo do Procel reproduzida no manual do CRESESB. As linhas marcadas como exemplo são suposições.

Aparelho Potência média Uso Energia por dia Cabe nos 197 Wh?
Modem de internet 8 W 8 h 64 Wh Sim
Rádio pequeno 5 W 10 h 50 Wh Sim
Lâmpada LED (exemplo) 9 W 5 h 45 Wh Sim
Carga de celular (bateria de exemplo, 5.000 mAh a 3,85 V) 1 carga 19,25 Wh Sim
Notebook 20 W 8 h 160 Wh Sim, quase sozinho
TV de 40 polegadas (LED) 83 W 5 h 415 Wh Só 2,4 h
Ventilador de mesa 72 W 8 h 576 Wh Só 2,7 h
Frigobar 26 W 24 h 624 Wh Não
Geladeira de 1 porta 35 W 24 h 840 Wh Não

As horas da TV e do ventilador saem da divisão: 197 ÷ 83 = 2,4 horas e 197 ÷ 72 = 2,7 horas.

Duas combinações que cabem num dia de 4 horas de sol:

  • três lâmpadas LED de 9 W por 4 horas (108 Wh), o modem por 8 horas (64 Wh) e uma carga de celular (19,25 Wh): 191 Wh;
  • o notebook por 8 horas (160 Wh) e uma carga de celular: 179 Wh.

Os 19,25 Wh do celular são a energia que entra na bateria dele. O carregador puxa um pouco mais da tomada, por causa das perdas na conversão, então a primeira combinação fica no limite.

Para montar a sua lista, multiplique a potência de cada aparelho pelas horas de uso e some. A calculadora faz a parte dos kWh, e a diferença entre W e Wh está em W, kW e kWh.

Por que a geladeira fica de fora

Não é só a energia do dia, que já passa de quatro vezes o que chega à tomada. O compressor também puxa muita corrente na partida. O CRESESB lembra que motores podem exigir mais de 10 vezes a corrente nominal por instantes, e o inversor precisa aguentar esse pico.

Quanto de placa uma geladeira de 1 porta pediria, pelo mesmo método: 840 Wh ÷ (0,86 × 0,85) = 1.149 Wh por dia com as perdas; 1.149 ÷ (4 × 0,75 × 0,9) = 426 W de placa, ou cinco placas de 100 W, além de bateria e inversor à altura. Esse caminho está em placa solar para geladeira e no dimensionamento completo de energia solar off-grid.

A bateria e o controlador certos

O CRESESB dimensiona a bateria pela energia diária com perdas, pelos dias de autonomia e pela profundidade de descarga. No Brasil, o manual indica de 2 a 4 dias de autonomia, nunca menos de 2. Para chumbo-ácido, a descarga máxima fica entre 20% e 40% nas baterias de ciclo raso e entre 50% e 80% nas de ciclo profundo.

Com os 270 Wh por dia da placa de 100 W:

Autonomia Descarga máxima Capacidade Em 12 V
2 dias 30% (ciclo raso) 1.800 Wh 150 Ah
2 dias 50% (ciclo profundo) 1.080 Wh 90 Ah
2 dias 80% (ciclo profundo) 675 Wh 56 Ah

Contas: 270 × 2 ÷ 0,3 = 1.800 Wh, e 1.800 ÷ 12 = 150 Ah; 270 × 2 ÷ 0,5 = 1.080 Wh, ou 90 Ah; 270 × 2 ÷ 0,8 = 675 Wh, ou 56,25 Ah. O manual também avisa que bateria automotiva não é adequada, porque dura pouco em ciclos diários. Veja os tipos em bateria para energia solar.

O controlador precisa suportar pelo menos 125% da corrente de curto-circuito da placa, pela especificação do CRESESB. No Yingli da tabela do Inmetro, com 5,73 A de curto-circuito, isso dá 7,2 A. Sobre o tipo de controlador, o manual faz as contas para um painel de 250 Wp e conclui que o modelo com seguidor de ponto de potência máxima (MPPT) só se justifica acima de cerca de 250 Wp. Para uma placa de 100 W, o controlador convencional costuma bastar. O assunto está em controlador de carga solar.

Ligação e segurança

Siga os manuais do controlador, da bateria e do inversor para a ordem de ligação, a bitola dos cabos e os fusíveis. Na dúvida, chame um eletricista habilitado. Não ligue a placa, a bateria ou o inversor na fiação da casa por conta própria. Uma fonte ligada de forma errada pode energizar a rede da rua, com risco para quem trabalha nela.

Placa de 100 W, power station ou sistema no telhado?

Uma placa de 100 W com bateria atende iluminação, internet e carga de aparelhos em sítio, barco, motorhome, guarita ou numa queda de energia. Se você quer algo pronto, com bateria e tomadas numa caixa, compare com o gerador solar portátil, que aceita painel desse porte. Para carregar só o celular, há o carregador solar.

Para baixar a conta de luz, a placa de 100 W não é o caminho. Os 270 Wh por dia somam 8,1 kWh por mês, que valeriam R$ 6,48 a R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial das distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 28/09/2026 (veja as tarifas). Para economizar de verdade, o formato é o sistema on-grid, ligado à rede.

Perguntas frequentes

Uma placa de 100 W liga uma TV?

Liga, por pouco tempo. Uma TV LED de 40 polegadas com 83 W de potência média gasta os 197 Wh do dia em cerca de 2,4 horas.

Dá para ligar um ventilador a noite toda?

Não com uma placa só. Um ventilador de mesa de 72 W por 8 horas pede 576 Wh, quase três vezes o que chega à tomada.

Quantas lâmpadas uma placa de 100 W acende?

Com lâmpadas LED de 9 W (valor de exemplo) por 5 horas, 45 Wh cada, cabem quatro no orçamento de 197 Wh, com sobra de 17 Wh.

Precisa de inversor?

Só para aparelhos de tomada comum. Lâmpadas e aparelhos feitos para 12 V funcionam direto da bateria, sem inversor, e aproveitam mais a energia: 232 Wh por dia em vez de 197 Wh.

Placa de 100 W funciona em dia nublado?

Gera bem menos. O efeito do tempo fechado está em energia solar em dia nublado.

Fontes: CRESESB/Cepel, Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos (2014), Inmetro, tabela PBE de módulos fotovoltaicos e INPE, Atlas Brasileiro de Energia Solar, 2ª edição.