Sistema on-grid: como funciona a energia solar ligada à rede

O sistema on-grid usa a rede no lugar da bateria. Veja as peças, o que acontece num dia, por que desliga no apagão e uma conta de luz de 2026 com números.

Sistema on-grid é a energia solar ligada à rede da distribuidora, sem bateria. As placas abastecem a casa enquanto há sol, a sobra vai para a rede e vira crédito em kWh, e à noite a casa consome da rede usando esse crédito. Num exemplo de casa com 350 kWh de consumo e 3 kWp no Sudeste, a parte de energia da conta cai de R$ 280 para o piso de R$ 40, antes de tributos.

É o formato com menos peças, justamente porque dispensa bateria e controlador de carga. Em troca, ele depende da rede: quando a distribuidora corta a energia, o sistema desliga junto. A seguir, como ele funciona peça por peça e como a conta fica em 2026.

On-grid, off-grid e híbrido

Os três nomes descrevem a relação do sistema com a rede e com a bateria.

On-grid Off-grid Híbrido
Ligado à rede Sim Não Sim
Bateria Não Sim, obrigatória Sim
Sobra de energia Vira crédito na conta Fica na bateria ou se perde Carrega a bateria e depois vira crédito
Na falta de luz Desliga Continua, enquanto houver bateria Mantém os circuitos ligados à bateria
Pedido à distribuidora Sim Não Sim

O manual de engenharia fotovoltaica do CRESESB, ligado ao Cepel, resume a diferença: os sistemas conectados à rede dispensam acumuladores, porque a energia produzida é consumida na hora ou injetada na rede. O sistema isolado está em energia solar off-grid, e o que junta os dois, em inversor híbrido.

As peças de um sistema on-grid

Um sistema residencial ligado à rede tem quatro partes:

  1. As placas, que geram corrente contínua. A escolha do módulo está em monocristalino ou policristalino.
  2. O inversor de rede, que transforma essa corrente em energia igual à da tomada e sincroniza com a rede. Veja inversor solar: o que é.
  3. As proteções do lado das placas e do lado da casa, muitas vezes reunidas numa caixa chamada string box.
  4. O medidor que registra separadamente a energia que a casa puxa da rede e a que injeta nela. Pela Lei 14.300, a distribuidora é responsável técnica e financeiramente pelo sistema de medição da microgeração.

Não há bateria nem controlador de carga. Com isso, também não existe a troca periódica de baterias que os sistemas isolados exigem: o CRESESB registra que as baterias de chumbo-ácido mais usadas nesses sistemas duram cerca de 4 anos, mesmo com descarga diária rasa.

Um dia de sistema on-grid

Pela manhã, as placas começam a gerar e a casa usa essa energia primeiro. O que as placas não dão conta, a rede completa, sem que ninguém perceba a troca.

Perto do meio-dia, a geração costuma passar do consumo da casa. A sobra sai pelo medidor e entra na rede. É essa energia injetada que a distribuidora registra.

À tarde e à noite, a geração cai até zero e a casa volta a consumir da rede. No fim do ciclo de faturamento, a distribuidora compara a energia puxada da rede com a injetada, compensa uma com a outra e guarda o que sobrar como crédito em kWh. A ANEEL descreve o sistema de compensação como uma bateria: a rede armazena o excedente até a unidade precisar dele. Os créditos valem por 60 meses.

A energia usada na hora em que é gerada nunca passa pelo medidor. Ela vale o kWh cheio e não paga Fio B, o que faz do horário de consumo uma parte importante da economia. O detalhe está em taxação do sol e Fio B.

Por que ele desliga quando falta luz

O CRESESB explica o motivo: os inversores de sistemas ligados à rede precisam ter proteção anti-ilhamento. Ilhamento é quando um trecho da rede, desligado pela distribuidora, continua energizado por sistemas solares das casas. Isso põe em risco quem está consertando a rede. Por isso o inversor se desconecta sozinho sempre que a rede cai, por falha ou por manutenção programada.

Na prática, um sistema on-grid comum não mantém nada ligado no apagão, mesmo com sol forte. Se isso importa para você, veja as alternativas em energia solar quando falta luz.

A conta de luz com on-grid, em números

Suponha uma casa com ligação bifásica que consome 350 kWh por mês e instalou em 2026 um sistema de 3 kWp no Sudeste. Com a irradiação média de 5,07 kWh/m² por dia do Atlas Brasileiro de Energia Solar, do INPE, e a taxa de desempenho de 80% que o Atlas adota, o sistema gera cerca de 365 kWh por mês (3 × 5,07 × 0,80 × 30).

Suponha também que 110 kWh do consumo aconteçam enquanto as placas geram. O mês fica assim:

Etapa kWh
Geração das placas 365
Usada na hora pela casa 110
Injetada na rede (365 − 110) 255
Consumida da rede (350 − 110) 240

Para o valor, use R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial das distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 28/09/2026 (veja as tarifas). Sem placas, os 350 kWh custariam R$ 280,00.

Com as placas, cada kWh compensado em 2026 paga 60% do Fio B, por estar na transição da Lei 14.300. O Fio B muda por distribuidora; aqui ele é suposto em R$ 0,20 por kWh, o que dá R$ 0,12 por kWh compensado. Compensar os 240 kWh custaria R$ 28,80.

Só que a conta tem um piso. A ANEEL informa que, na baixa tensão, o custo de disponibilidade é devido mesmo quando a injeção supera o consumo: 50 kWh numa ligação bifásica, ou R$ 40,00 a R$ 0,80. A REN 1.000 manda considerar a energia compensada só até a conta atingir esse piso. Então a distribuidora compensa 223,5 kWh, fatura 16,5 kWh pela tarifa cheia e guarda o resto como crédito:

  • 16,5 × R$ 0,80 + 223,5 × R$ 0,12 = R$ 13,20 + R$ 26,82 = R$ 40,02;
  • crédito para os próximos meses: 255 − 223,5 = 31,5 kWh.

A parte de energia cai de R$ 280,00 para cerca de R$ 40,00, antes de ICMS, PIS/Cofins e iluminação pública, que o guia de tributos e CIP explica. A bandeira, pela Lei 14.300, incide só sobre o consumo faturado e não sobre a energia compensada. Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional. Em setembro, os 16,5 kWh faturados somariam 16,5 × R$ 0,01885 = R$ 0,31; em outubro, nada.

Os números de geração e de uso na hora são suposições para mostrar o caminho. Os seus saem do projeto e do seu histórico de consumo, que você pode montar com a calculadora.

Como se dimensiona um sistema on-grid

O CRESESB propõe uma conta direta: potência das placas = consumo diário ÷ (horas de sol pleno × taxa de desempenho). Para sistemas residenciais bem ventilados e sem sombra no Brasil, o manual indica taxa de desempenho entre 70% e 80%.

Para a casa do exemplo: 350 kWh por mês são 11,67 kWh por dia. Com 5,07 horas de sol e taxa de 75%, a conta dá 11,67 ÷ (5,07 × 0,75) = 3,07 kWp. Com 80%, 2,88 kWp.

Não vale exagerar no tamanho. O crédito expira em 60 meses, e a conta não desce do piso de disponibilidade. A conta por número de placas está em quantas placas solares preciso, e a análise de retorno, em energia solar vale a pena?.

O que é preciso para ligar na rede

O sistema on-grid só pode injetar energia depois do pedido de acesso à distribuidora. A ANEEL definiu formulários padrão para essa solicitação e prazos padronizados de atendimento. As etapas, os documentos e a vistoria estão em homologação de energia solar, e o que o projeto precisa conter, em energia solar precisa de projeto?.

Um sistema residencial cabe na microgeração, que vai até 75 kW. As modalidades que permitem usar o crédito em outro imóvel estão em geração distribuída: o que é.

Perguntas frequentes

O sistema on-grid zera a conta de luz?

Não. Na baixa tensão, o custo de disponibilidade continua, e tributos e iluminação pública também. Para quem pediu conexão depois de 7 de janeiro de 2023, a energia compensada ainda paga uma parte do Fio B.

Dá para usar o on-grid sem a rede?

Não. Sem a rede, o inversor desliga por segurança. Para ter energia no apagão, é preciso bateria, num sistema híbrido ou isolado.

Posso pôr bateria depois?

Em geral, isso significa trocar ou complementar o inversor e fazer novo pedido à distribuidora. A comparação está em inversor híbrido.

Como sei se o sistema está gerando?

Pelo aplicativo ou visor do inversor e pela energia injetada na fatura. Veja como saber se a placa solar está gerando e o guia de créditos na conta.

Fontes: CRESESB/Cepel, Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos (2014), INPE, Atlas Brasileiro de Energia Solar, 2ª edição, Planalto, Lei nº 14.300/2022, ANEEL, micro e minigeração distribuída, ANEEL, REN nº 1.000/2021, texto consolidado e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.