Placa solar para geladeira: quantas placas e baterias ela precisa

Na rede, uma geladeira de 399 L pede cerca de 212 Wp de placa. Fora da rede, perto de 560 Wp e 6 kWh de bateria. Veja a conta por modelo e região.

Depende de onde a geladeira vai funcionar. Uma geladeira duplex frost free de 399 litros consome 25,8 kWh por mês na tabela do Inmetro; num sistema ligado à rede, no Sudeste, isso equivale a cerca de 212 Wp de placa, menos de meia placa de 550 W. Para a mesma geladeira rodar sozinha, sem rede, a conta pelo manual do CRESESB pede perto de 560 Wp de placas e um banco de baterias de cerca de 6 kWh, com 4 horas de sol pleno e 2 dias de autonomia.

A diferença vem da bateria e das perdas. Na rede, a placa só precisa gerar a energia do mês; fora dela, precisa guardar energia para a noite e para os dias nublados, e a geladeira não pode desligar.

Duas perguntas diferentes

Quem procura “placa solar para geladeira” costuma querer uma destas duas coisas:

  1. Abater a geladeira na conta de luz. A casa tem rede da distribuidora e o sistema solar é ligado a ela. A geladeira segue na tomada de sempre, e a geração do telhado vira crédito pelas regras da Lei 14.300. Não existe placa “da geladeira”: o sistema abate o consumo da casa inteira.
  2. Manter a geladeira ligada sem rede. Sítio, rancho, casa de praia ou um lugar onde a rede não chega. Aí a geladeira depende de placa, controlador de carga, bateria e inversor, como em qualquer sistema off-grid.

As duas contas partem do mesmo número: quanto a geladeira consome.

Quanto a geladeira consome, pela etiqueta

A tabela de refrigeradores do Inmetro, atualizada em 31/12/2025, traz no padrão de ensaio de 2025 o consumo diário com o ambiente a 16 °C e a 32 °C, além da média mensal. Para energia solar, o número a 32 °C é o mais útil, porque é o dia quente que decide o tamanho do sistema.

Modelo (Inmetro) Tipo e volume kWh por dia a 16 °C kWh por dia a 32 °C Média mensal
Consul CRC04 Frigobar, 47 L 0,2 0,5 10,1 kWh
Consul CRA30 1 porta, 263 L 0,3 0,7 16,7 kWh
Consul CRE45 Duplex frost free, 399 L 0,5 1,1 25,8 kWh
Consul CRM56 Duplex frost free, 455 L 0,4 1,2 26,9 kWh

A mesma geladeira gasta mais que o dobro num dia de 32 °C do que num de 16 °C. E o manual do CRESESB avisa que, em regiões com médias acima de 30 °C e uso residencial típico, o consumo real pode ficar bem acima do declarado. Geladeira velha, borracha gasta e porta aberta toda hora também sobem o número; o artigo quanto gasta uma geladeira traz outros modelos e os motivos.

Se a sua não está na lista, procure o modelo na tabela do Inmetro ou meça o consumo por alguns dias. Depois, use a calculadora para ver o custo.

Na rede: quanta placa cobre a geladeira

Num sistema ligado à rede, a conta é simples: consumo do mês dividido pela geração de cada kWp instalado. O Atlas Brasileiro de Energia Solar, do INPE, dá a irradiação média diária por região. Com a suposição de que 80% dela vira energia útil (a mesma usada nos outros artigos do site), uma placa de 550 W gera por mês:

Região Irradiação média (kWh/m² por dia) Placa de 550 W por mês
Nordeste 5,49 72,5 kWh
Sudeste e Centro-Oeste em torno de 5,07 66,9 kWh
Sul 4,53 (menor valor da faixa) 59,8 kWh

Conta da linha do Sudeste: 0,55 kWp × 5,07 × 0,80 × 30 dias = 66,9 kWh. No Sudeste, cada kWp gera cerca de 121,7 kWh por mês, então a geladeira de 399 L pede 25,8 ÷ 121,7 = 0,212 kWp, ou 212 Wp. A de 1 porta pede 137 Wp, e o frigobar, 83 Wp.

Em reais, a geladeira de 399 L custa 25,8 × R$ 0,80 = R$ 20,64 por mês, R$ 247,68 por ano. O valor de R$ 0,80 por kWh é a mediana residencial de 100 distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 28/09/2026 (veja tarifas). Tributos (ICMS, PIS/Cofins) elevam o valor final. Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional (veja bandeira).

Na prática, ninguém instala 212 Wp só para a geladeira. Um sistema ligado à rede precisa de inversor, projeto e do pedido de homologação na distribuidora, e esse custo fixo só compensa quando o sistema cobre boa parte da conta. A geladeira entra como um item da soma, e a conta completa está em quantas placas solares preciso. A geração de uma placa de 550 W mês a mês está em placa solar de 550 W gera quantos kWh.

Fora da rede: quantas placas

Sem rede, a energia passa pela bateria e pelo inversor antes de chegar à geladeira. O manual do CRESESB sugere 86% de eficiência para a bateria de chumbo-ácido e 85% para o inversor, o que dá 0,731 no conjunto. As placas são dimensionadas pelas horas de sol pleno do pior mês, com dois fatores de perda que o manual adota por padrão: 0,75 e 0,9. O passo a passo completo está em energia solar off-grid; aqui vai só a aplicação à geladeira, usando o consumo a 32 °C.

Energia diária com perdas: 1,1 kWh ÷ 0,731 = 1,505 kWh para a geladeira de 399 L.

Potência de placas: 1.505 Wh ÷ (horas de sol × 0,75 × 0,9).

Modelo Energia com perdas 3 h de sol 4 h de sol 5 h de sol
Frigobar CRC04 684 Wh 338 Wp 253 Wp 203 Wp
1 porta CRA30 958 Wh 473 Wp 355 Wp 284 Wp
Frost free CRE45 1.505 Wh 743 Wp 557 Wp 446 Wp
Frost free CRM56 1.642 Wh 811 Wp 608 Wp 486 Wp

As horas de sol são suposições do exemplo. Para ter uma ideia do pior caso, o Atlas do INPE registra a menor média sazonal do país no inverno da região Sul: 2,95 kWh/m² por dia. Quem mora lá deve olhar a coluna de 3 horas ou buscar o dado mês a mês da sua cidade.

Com 4 horas de sol, a geladeira de 399 L pede 557 Wp: duas placas de 550 W, 1.100 Wp, porque o manual manda arredondar para cima. Uma placa de 100 W não chega nem ao frigobar, como mostra placa solar de 100 W liga o quê.

Fora da rede: quanta bateria

A bateria segura a geladeira à noite e nos dias sem sol. Pelo método do CRESESB:

capacidade = energia diária com perdas × dias de autonomia ÷ profundidade de descarga

O manual indica de 2 a 4 dias de autonomia no Brasil, nunca menos de 2, e profundidade de 50% a 80% para baterias de chumbo-ácido de ciclo profundo.

Modelo 2 dias a 50% Em 12 V 2 dias a 80%
Frigobar CRC04 2,74 kWh 228 Ah 1,71 kWh
1 porta CRA30 3,83 kWh 319 Ah 2,39 kWh
Frost free CRE45 6,02 kWh 502 Ah 3,76 kWh
Frost free CRM56 6,57 kWh 547 Ah 4,10 kWh

Conta da geladeira de 399 L: 1,505 × 2 ÷ 0,5 = 6,02 kWh, e 6.020 Wh ÷ 12 V = 502 Ah. Em 24 V, seriam 251 Ah. É a bateria, não a placa, que pesa no orçamento: o manual relata que as baterias de chumbo-ácido de 12 V sem manutenção, as mais usadas em sistemas isolados no Brasil, duram cerca de 4 anos quando a descarga diária fica abaixo de 20%. A comparação com o lítio está em bateria para energia solar.

O inversor e a partida do compressor

O compressor é um motor, e motor puxa muito mais corrente na partida. O manual do CRESESB diz que motores elétricos podem exigir mais de 10 vezes a corrente nominal por curtos períodos antes de entrar em regime. Por isso, o inversor de um sistema isolado precisa aguentar esse surto, e a potência média da geladeira não serve para escolher o modelo. O manual dá exemplos de inversores que toleram duas vezes a potência nominal por 1 minuto ou três vezes por 5 segundos; confira na ficha técnica do inversor a capacidade de surto e na da geladeira a corrente ou potência de partida, quando o fabricante informar.

Dois outros pontos do manual:

  • Inversor de onda senoidal pura, que o manual recomenda principalmente para cargas eletrônicas sensíveis a distorção.
  • Consumo em espera baixo. O inversor fica ligado 24 horas por causa da geladeira, e cada watt que ele gasta parado sai da bateria.

A escolha do inversor, do controlador e dos cabos, e a ligação das baterias, são trabalho de instalador ou eletricista habilitado. Um erro ali não custa só a geladeira: bateria em curto é risco de incêndio.

Geladeira de 12 V ou geladeira de tomada?

Existem geladeiras e caixas térmicas que funcionam direto em corrente contínua, sem inversor. O CRESESB lembra que isso elimina a perda do inversor, mas que esses aparelhos são menos disponíveis, mais caros e, muitas vezes, de qualidade inferior aos equivalentes de tomada. Para uso em carro ou camping, o consumo de modelos 12 V está em cooler elétrico: consumo. Para a casa, uma geladeira comum eficiente com um bom inversor costuma ser a solução mais fácil de manter e de trocar.

Se a ideia é só ter geladeira durante a falta de luz numa casa com rede, a conta é outra, de horas e não de dias: veja energia solar funciona quando falta luz? e gerador solar portátil.

Quando a energia acaba: a comida

Num sistema isolado subdimensionado, a bateria acaba no segundo ou terceiro dia nublado, e a geladeira para. A Organização Mundial da Saúde recomenda não deixar alimentos cozidos mais de 2 horas em temperatura ambiente e refrigerar os perecíveis de preferência abaixo de 5 °C. Quanto tempo a geladeira fechada segura o frio sem energia está em geladeira sem energia: quanto tempo aguenta. Na dúvida sobre um alimento que ficou fora da temperatura, descarte.

Perguntas frequentes

Uma placa solar liga a geladeira direto, sem bateria?

Não. A placa entrega corrente contínua que varia com o sol, cai a zero à noite e não dá conta da partida do compressor. Fora da rede, é preciso controlador, bateria e inversor. Na rede, a geladeira fica na tomada normal.

Quantas placas de 550 W para uma geladeira sem rede?

Para a frost free de 399 L, com 4 horas de sol, duas placas (557 Wp calculados). Com 3 horas, também duas (743 Wp calculados, 1.100 Wp instalados). Refaça com o consumo a 32 °C do seu modelo.

Geladeira inverter ajuda no sistema solar?

Ajuda se consumir menos na etiqueta, porque placa e bateria encolhem na mesma proporção. Compare o consumo a 32 °C de cada modelo na tabela do Inmetro; a diferença entre tecnologias está em geladeira inverter economiza?.

Vale mais a pena um freezer ou uma geladeira no sítio sem rede?

Depende do uso, mas a lógica é a mesma: some o consumo diário a 32 °C de cada aparelho e dimensione pelo total. Dois aparelhos ligados 24 horas dobram a bateria.

Fontes: Inmetro, tabela de refrigeradores do PBE (atualizada em 31/12/2025), CRESESB/Cepel, Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos (2014), INPE, Atlas Brasileiro de Energia Solar, 2ª edição, OMS, Cinco chaves para uma alimentação mais segura, ANEEL, dados abertos de tarifas das distribuidoras e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.