Bandeira vermelha patamar 2: quanto aumenta a conta de luz

O patamar 2 soma R$ 7,877 a cada 100 kWh antes dos impostos. Veja o acréscimo por faixa de consumo, os meses em que foi acionado e como aparece na fatura.

A bandeira vermelha patamar 2 acrescenta R$ 0,07877 a cada kWh consumido, ou R$ 7,877 a cada 100 kWh, antes de ICMS e PIS/Cofins. Uma casa que gasta 200 kWh no mês paga R$ 15,75 a mais só pela bandeira. É o nível mais caro do sistema de bandeiras em vigor, e foi acionado pela última vez em agosto e setembro de 2025.

Em setembro de 2026 vigorou a bandeira amarela, e a ANEEL anunciou bandeira verde para outubro, sem cobrança extra. Mesmo assim, vale entender o patamar 2: ele volta em anos de seca, pesa mais nas casas que consomem mais e aparece na fatura de um jeito que confunde quem compara uma conta com a outra.

Quanto o patamar 2 soma, por faixa de consumo

Os valores atuais das quatro cores estão na página de bandeiras da ANEEL, atualizada em janeiro de 2026, e valem desde abril de 2024: verde sem acréscimo, amarela com R$ 0,01885 por kWh, vermelha patamar 1 com R$ 0,04463 e vermelha patamar 2 com R$ 0,07877.

Consumo no mês Verde Amarela Vermelha P1 Vermelha P2
100 kWh R$ 0,00 R$ 1,89 R$ 4,46 R$ 7,88
150 kWh R$ 0,00 R$ 2,83 R$ 6,69 R$ 11,82
200 kWh R$ 0,00 R$ 3,77 R$ 8,93 R$ 15,75
300 kWh R$ 0,00 R$ 5,66 R$ 13,39 R$ 23,63
500 kWh R$ 0,00 R$ 9,43 R$ 22,32 R$ 39,39

A conta é só consumo × adicional. Os valores da tabela ainda recebem os tributos, porque a ANEEL informa que sobre a bandeira incidem os mesmos tributos da tarifa. O artigo sobre o ICMS na conta de luz mostra por que o imposto pesa mais do que a alíquota sugere.

Quanto isso representa sobre a tarifa

Para ter a proporção, compare com o preço da energia. O site usa R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial de 98 distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 11/09/2026 (veja as tarifas). Sobre esse valor:

  • a amarela acrescenta cerca de 2,4%;
  • a vermelha patamar 1, cerca de 5,6%;
  • a vermelha patamar 2, cerca de 9,8%.

Na casa de 200 kWh, a energia sai de R$ 160,00 na bandeira verde para R$ 175,75 no patamar 2, antes dos impostos. Em distribuidoras com tarifa mais baixa que a mediana, o peso percentual do patamar 2 é maior. Em distribuidoras mais caras, é menor, porque o adicional em reais é o mesmo no país inteiro.

Os meses em que o patamar 2 foi acionado

O conjunto de dados abertos da ANEEL registra a bandeira de cada mês desde janeiro de 2015. Na versão gerada em 21/09/2026, com 141 meses até setembro de 2026, a vermelha patamar 2 aparece em 15:

Ano Meses com vermelha patamar 2 Adicional a cada 100 kWh
2016 fevereiro R$ 4,50
2017 outubro e novembro R$ 3,50 e R$ 5,00
2018 junho a outubro R$ 5,00
2020 dezembro R$ 6,243
2021 junho, julho e agosto R$ 6,243 e R$ 9,492
2024 outubro R$ 7,877
2025 agosto e setembro R$ 7,877

Dois padrões saltam da tabela. O valor muda com o tempo, porque a ANEEL revisa os adicionais por resolução homologatória: o mesmo conjunto de dados mostra tabelas novas em 2016, 2017, 2018, 2019, 2021, 2022 e 2024, sem data fixa no ano, e a atual vale desde abril de 2024. E 12 dos 15 meses de patamar 2 caíram no segundo semestre. Na direção contrária, a ANEEL atribuiu a volta da bandeira verde em outubro de 2026 ao aumento das chuvas no Sul e no Sudeste, que estabiliza os reservatórios das hidrelétricas.

Entre setembro de 2021 e abril de 2022, o país teve outra cobrança, a bandeira de escassez hídrica, de R$ 14,20 a cada 100 kWh na maior parte desse período. Ela não é o patamar 2 e aparece separada no conjunto de dados. O histórico recente mês a mês está na página da bandeira.

Por que a ANEEL aciona o patamar 2

A bandeira não é uma taxa nova. Segundo a ANEEL, ela mostra na conta um custo de geração que antes só era repassado no reajuste do ano seguinte. A cada mês, o Operador Nacional do Sistema Elétrico reavalia a operação e define quanto vai sair das hidrelétricas e quanto das termelétricas. Com essa previsão, e com o preço da energia no mercado de curto prazo, a ANEEL escolhe a cor.

Patamar 2 corresponde, na definição da ANEEL, a condições ainda mais custosas de geração. O dinheiro arrecadado vai para a Conta Bandeiras, gerida pela CCEE, que cobre a variação do custo da geração termelétrica e a exposição das distribuidoras ao preço do mercado de curto prazo.

A cor vale para todo o Sistema Interligado Nacional, sem diferença por estado. A ANEEL divulga a bandeira do mês seguinte no fim de cada mês, pelo calendário publicado em janeiro. Em 2026, a bandeira de outubro saiu em 25/09 e a de novembro está prevista para 30/10. As distribuidoras têm até dois dias úteis depois do anúncio para informar a cor nos próprios sites.

Como a bandeira aparece na sua fatura

A leitura do medidor quase nunca coincide com o mês do calendário. Por isso a Resolução Normativa 1.000/2021 da ANEEL (art. 307) manda aplicar a bandeira de forma proporcional aos dias de vigência de cada cor dentro do ciclo de leitura.

Um exemplo com números redondos: um ciclo de 30 dias com 18 dias de patamar 2 e 12 dias de patamar 1, e consumo de 200 kWh. O adicional médio fica em (18 × 0,07877 + 12 × 0,04463) ÷ 30 = R$ 0,06511 por kWh. Na fatura, a bandeira soma cerca de R$ 13,02, e não os R$ 15,75 de um ciclo inteiro no patamar 2.

Outros pontos que a ANEEL confirma nas perguntas frequentes sobre bandeiras:

  • A bandeira incide também sobre o consumo mínimo. Uma casa monofásica que fatura o piso de 30 kWh paga R$ 2,36 de patamar 2, mesmo consumindo menos. O guia do custo de disponibilidade explica esse piso.
  • Famílias com Tarifa Social recebem sobre a bandeira os mesmos descontos da tarifa. Os critérios estão em tarifa social: quem tem direito.
  • Consumidores de sistemas isolados, fora do Sistema Interligado, não pagam bandeira. Os consumidores de cooperativas permissionárias pagam desde julho de 2015.
  • A cobrança vale para os consumidores cativos, que compram energia da distribuidora. Quem está no mercado livre negocia o preço no contrato, como explica mercado livre de energia residencial.

Para montar um cenário com a cor do mês sem contar a bandeira duas vezes, use o guia bandeira tarifária no custo do kWh.

Quanto dá para compensar cortando consumo

A bandeira é cobrada por kWh, então cada kWh economizado tira da conta a tarifa e o adicional. No patamar 2, com a energia a R$ 0,80, cada kWh evitado vale R$ 0,87877 antes dos impostos. Reduzir 30 kWh no mês, por exemplo, economiza R$ 26,36, mais do que os R$ 15,75 que o patamar 2 acrescenta a uma casa de 200 kWh.

Para achar onde cortar, veja aparelhos que mais gastam energia e teste cenários na calculadora, somando o adicional da bandeira ao valor do kWh.

Perguntas frequentes

Quanto é a bandeira vermelha patamar 2 por kWh?

R$ 0,07877 por kWh, ou R$ 7,877 a cada 100 kWh, pelo valor que a ANEEL publica para o ciclo em vigor. Os tributos incidem sobre esse valor.

Qual é a bandeira de outubro de 2026?

Verde, sem acréscimo, conforme o anúncio da ANEEL de 25/09/2026 noticiado pela Agência Brasil. Em setembro, a bandeira foi amarela.

A bandeira muda de estado para estado?

Não. Desde março de 2015 há uma única cor para todo o Sistema Interligado Nacional. O que muda de um lugar para outro é a tarifa da distribuidora e o ICMS, que alteram o total da fatura.

Economizar energia muda a cor da bandeira?

Não diretamente. A cor é definida para o sistema inteiro. Mas a sua redução de consumo diminui o valor da sua conta e, somada à de outros consumidores, reduz a necessidade de geração mais cara.

Por que a minha conta teve duas bandeiras?

Porque o ciclo de leitura pegou dias de dois meses com cores diferentes. A distribuidora aplica cada adicional proporcionalmente aos dias de vigência, como no exemplo acima.

Fontes: ANEEL, bandeiras tarifárias e valores atuais, ANEEL, perguntas frequentes sobre bandeiras, ANEEL, dados abertos de acionamento das bandeiras, ANEEL, calendário de acionamento das bandeiras em 2026, ANEEL, gestão de recursos tarifários e Conta Bandeiras, Resolução Normativa ANEEL 1.000/2021, texto publicado no DOU e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.