Quantos kWh uma casa gasta por mês? O consumo médio no Brasil
Uma casa brasileira consumiu em média cerca de 177 kWh por mês em 2025, e cada pessoa uns 70 kWh. Veja a média da sua região e do seu estado e como comparar a sua conta.
Uma casa brasileira consumiu, em média, cerca de 177 kWh por mês em 2025, pela conta feita com os dados do Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026 da EPE. Por pessoa, o consumo residencial ficou perto de 70 kWh por mês. Com o kWh a R$ 0,80, os 177 kWh custam uns R$ 142 antes dos tributos.
A média, porém, esconde diferenças grandes. Uma casa média do Sul gasta cerca de 60% a mais que uma do Nordeste, e entre estados a distância chega a mais de três vezes. Abaixo estão os números por região e por estado, a média por pessoa e um jeito de comparar a sua conta com a de quem vive perto de você.
A média do Brasil e de onde ela vem
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publica todo ano o consumo de energia por classe e o número de unidades consumidoras. No Anuário 2026, com dados de 2025, a classe residencial somou 179.648 GWh no ano e terminou dezembro com 84,5 milhões de unidades consumidoras.
Dividindo um pelo outro e pelos 12 meses: 179.648.000.000 kWh ÷ 84.518.613 unidades ÷ 12 = 177,1 kWh por mês. Como o número de unidades é o de dezembro, e ele cresce ao longo do ano, a média real de 2025 fica um pouco acima desse valor. Em 2024, a mesma conta dá 178,0 kWh.
Essa média inclui casas grandes e pequenas, com e sem ar-condicionado, ocupadas o mês todo ou só nos fins de semana. Ela serve como referência de escala, não como meta.
Consumo médio por região
A EPE calcula diretamente o consumo médio por consumidor residencial em cada região. Os números de 2025, com o custo no valor de referência do site:
| Região | Consumo médio em 2025 | Em 2024 | Custo mensal a R$ 0,80/kWh |
|---|---|---|---|
| Sul | 216,8 kWh | 208,9 kWh | R$ 173,44 |
| Centro-Oeste | 215,4 kWh | 215,1 kWh | R$ 172,32 |
| Norte | 214,8 kWh | 220,3 kWh | R$ 171,84 |
| Sudeste | 183,2 kWh | 185,2 kWh | R$ 146,56 |
| Nordeste | 134,9 kWh | 136,2 kWh | R$ 107,92 |
O valor de R$ 0,80 por kWh é a mediana residencial de 98 distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 11/09/2026 (veja as tarifas). A tarifa da sua distribuidora pode ser outra, e ICMS, PIS/Cofins e a bandeira aumentam o total. Em setembro de 2026 vigora a bandeira amarela, que soma R$ 0,01885 por kWh: nos 177 kWh da casa média, R$ 3,34. Para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional.
O anuário não explica as diferenças regionais. O peso de cada uso, como climatização, geladeira e chuveiro, no consumo das famílias brasileiras está em aparelhos que mais gastam energia.
Consumo médio por estado
A diferença fica maior entre estados. Alguns números de 2025 da mesma tabela da EPE:
| Estado | Consumo médio por casa em 2025 |
|---|---|
| Roraima | 347,1 kWh |
| Amapá | 290,8 kWh |
| Rondônia | 278,1 kWh |
| Santa Catarina | 253,2 kWh |
| Mato Grosso | 249,8 kWh |
| Rio Grande do Sul | 217,7 kWh |
| São Paulo | 203,2 kWh |
| Distrito Federal | 201,7 kWh |
| Paraná | 193,0 kWh |
| Rio de Janeiro | 158,7 kWh |
| Minas Gerais | 154,5 kWh |
| Ceará | 132,5 kWh |
| Pernambuco | 129,7 kWh |
| Bahia | 108,8 kWh |
Roraima consome, por casa, mais que o triplo da Bahia: 347,1 contra 108,8 kWh. A tabela completa, com todas as unidades da federação, está no capítulo 3 do anuário da EPE.
Consumo médio por pessoa
A EPE também divide o consumo residencial pela população. Em 2025, a média brasileira foi de 840,2 kWh por habitante no ano, cerca de 70 kWh por pessoa por mês.
| Região | kWh por habitante no ano (2025) | Por mês |
|---|---|---|
| Centro-Oeste | 982,6 | 81,9 |
| Sul | 976,7 | 81,4 |
| Sudeste | 906,4 | 75,5 |
| Norte | 753,2 | 62,8 |
| Nordeste | 648,3 | 54,0 |
| Brasil | 840,2 | 70,0 |
A renda pesa ainda mais que a região. Num estudo sobre consumo por classe de renda, a EPE estimou para 2019 um consumo residencial de 371 kWh por pessoa no ano na faixa de menor renda e de 2.221 kWh na de maior renda, perto de 31 e de 185 kWh por mês. São seis vezes de diferença entre as duas pontas.
Não dá para achar o consumo da sua casa multiplicando 70 kWh pelo número de moradores. Parte do gasto é fixa, como a geladeira, que funciona igual para uma ou para cinco pessoas. Outra parte cresce com cada morador, como o chuveiro. Por isso o consumo por morador tende a cair quando a casa tem mais gente.
Como comparar a sua conta com a média
- Pegue o consumo em kWh da fatura, não o valor em reais. O guia como ler o consumo em kWh na conta de luz mostra onde ele aparece.
- Ajuste pelos dias do período. Uma fatura de 33 dias não se compara com uma de 28; o método está em comparar contas com dias diferentes.
- Use a média de 12 meses do seu histórico, que dilui o verão e o inverno. Veja usar o histórico de consumo da conta.
- Compare com a média do seu estado, e não só com a do Brasil.
Dois exemplos, com a mesma casa consumindo 180 kWh por mês:
- Na Bahia, média de 108,8 kWh, ela gasta 65% acima da média do estado.
- Em Santa Catarina, média de 253,2 kWh, ela gasta 29% abaixo.
Nenhum dos dois resultados, sozinho, diz que há desperdício. Uma casa com quatro pessoas e ar-condicionado vai ficar acima da média; um apartamento de uma pessoa que passa o dia fora, abaixo. A comparação ajuda a decidir se vale investigar.
Quando a sua casa fica muito acima
Se o consumo está bem acima da média do estado e a casa não tem nada de especial, confira nesta ordem:
- Chuveiro, ar-condicionado e geladeira, os três que mais pesam. Os números estão em quanto gasta um chuveiro elétrico, quanto gasta um ar-condicionado e quanto gasta uma geladeira.
- Aparelhos que ficam ligados 24 horas, como freezer, bomba de piscina ou aquário.
- Mudanças recentes: um morador a mais, home office, uma estação quente.
- Sinais de defeito na instalação, tratados em fuga de corrente e consumo alto.
Para estimar quanto cada aparelho soma no mês, use a calculadora. As medidas que mais reduzem a conta estão em como economizar energia em casa.
Quando a sua casa fica muito abaixo
Consumo baixo tem um detalhe na fatura: o piso. Pela regra da ANEEL, uma casa paga no mínimo o equivalente a 30, 50 ou 100 kWh, conforme a ligação seja monofásica, bifásica ou trifásica (na trifásica de baixa renda com consumo de até 80 kWh, o piso é de 80 kWh). Uma casa de veraneio trifásica que consome 40 kWh paga como se tivesse consumido 100. A regra está no guia do custo de disponibilidade, e a diferença entre os padrões em monofásico, bifásico ou trifásico.
Famílias de baixa renda inscritas na tarifa social têm outra regra para os primeiros kWh do mês, explicada em tarifa social nos primeiros 80 kWh.
Para que serve saber a média
- Dimensionar energia solar. O ponto de partida é o consumo médio anual da casa; a conta está em quantas placas solares preciso.
- Avaliar um imóvel para alugar ou comprar. Peça o histórico de consumo das faturas e compare com a média do estado.
- Planejar o orçamento. O custo de faixas redondas de consumo está em quanto custa 100, 200 e 300 kWh.
Perguntas frequentes
Quantos kWh uma casa gasta por mês?
Em 2025, cerca de 177 kWh em média no Brasil, pela divisão do consumo residencial pelo número de unidades consumidoras no anuário da EPE. As regiões vão de 134,9 kWh no Nordeste a 216,8 kWh no Sul.
Qual o consumo médio de energia por pessoa?
Cerca de 70 kWh por mês, ou 840,2 kWh por ano em 2025, segundo a EPE. Varia de 54 kWh por mês no Nordeste a quase 82 kWh no Centro-Oeste e no Sul.
200 kWh por mês é muito?
Depende do estado e do número de moradores. É um pouco acima da média nacional e parecido com a média de São Paulo e do Sul. Para uma pessoa morando sozinha, é bem acima do consumo típico por pessoa.
Quanto custa a conta de uma casa média?
Com 177 kWh e o kWh a R$ 0,80, cerca de R$ 142 antes de tributos e bandeira. A conta final depende da tarifa da sua distribuidora e dos impostos do seu estado, explicados em tributos e CIP na conta de luz.
Fontes: EPE, Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026, capítulo 3 (consumo e número de consumidores), EPE, consumo residencial de energia elétrica por classes de renda, ANEEL, Resolução Normativa nº 1.000/2021 no Diário Oficial da União, Agência Gov, bandeira amarela em setembro de 2026 e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.