Usina solar: o que é, quanto gera e como ela chega à sua conta

Usina solar é uma central fotovoltaica de grande porte ligada à rede. Veja quantas o Brasil tem, quanto uma de 100 MW gera e o que muda para o consumidor.

Usina solar é uma central que gera eletricidade com milhares de painéis fotovoltaicos e entrega a energia à rede, em vez de abastecer uma única casa. No cadastro de geração da ANEEL de 28/09/2026, o Brasil tinha 592 usinas solares autorizadas em operação, somando 23,08 GW; metade delas tinha 40 MW ou mais.

O nome também aparece em outro sentido: empresas de energia solar por assinatura chamam de “usina” as centrais menores, de até alguns megawatts, cujos créditos elas repartem entre clientes. As duas coisas funcionam de forma diferente, e a diferença muda o que você paga.

Usina, fazenda solar e placas no telhado

O que separa uma usina de um sistema de telhado não é o tipo de placa, e sim o porte e a forma de ligação à rede.

Tipo Potência Como se liga Quem usa a energia
Microgeração distribuída até 75 kW Pela instalação de uma unidade consumidora A própria casa ou empresa, com créditos
Minigeração distribuída acima de 75 kW até 3 MW, ou até 5 MW em casos específicos Pela instalação de uma unidade consumidora Um titular ou um grupo, com créditos
Usina centralizada Em geral acima disso, com autorização da ANEEL Direto na rede, como uma empresa geradora O mercado de energia

Os limites da micro e da minigeração são os da Lei 14.300/2022, citados pela ANEEL. Para uma central solar nova, o teto da minigeração é de 3 MW, mesmo com bateria; o limite de 5 MW vale para fontes como hidrelétrica e biomassa, e para sistemas que já tinham a regra antiga, até 2045. Dentro desses limites, a central entra no sistema de compensação e gera créditos. Uma usina de 40 MW não cabe nesse regime: ela é uma empresa de geração, com outorga, que vende a energia que produz.

“Fazenda solar” e “parque solar” são nomes populares para a usina instalada no solo, em área aberta. O cadastro da ANEEL chama todas de UFV, usina fotovoltaica.

Quantas usinas o Brasil tem, e onde

A ANEEL mantém o Sistema de Informações de Geração (SIGA), com cada central do país. Na base de 28/09/2026, as fotovoltaicas se dividiam assim:

Situação Quantidade Potência
Autorizadas, em operação 592 23,08 GW
Em construção 32 1,54 GW outorgados
Com construção não iniciada 1.628 70,85 GW outorgados

O SIGA também lista 16.710 centrais fotovoltaicas pequenas por registro, que somam 0,53 GW. Elas não mudam a ordem de grandeza do total.

Os números de quem ainda não começou a obra são grandes, mas outorga não é usina pronta. Muitos projetos autorizados demoram ou nunca saem do papel, então a linha de 70,85 GW mostra interesse, não capacidade futura garantida.

As usinas em operação estão concentradas em poucos estados:

Estado Potência solar centralizada em operação
Minas Gerais 8,77 GW
Bahia 3,06 GW
Piauí 2,40 GW
Ceará 2,30 GW
Rio Grande do Norte 2,11 GW
Pernambuco 1,51 GW

O Atlas Brasileiro de Energia Solar, do INPE, aponta o Nordeste como a região de maior potencial, com média diária de 5,49 kWh por metro quadrado de irradiação global horizontal.

Uma grande usina costuma ser cadastrada em várias unidades. A maior unidade individual em operação no SIGA é Serra do Mel I, no Rio Grande do Norte, com 137,48 MW. Ao lado dela está Serra do Mel II, com 103,11 MW, e no Piauí as unidades Panorama 01, 02 e 03 têm 100 MW cada.

Quem é dono e para quem vende

Das 592 usinas autorizadas, 552 estão no regime de produtor independente e 40 no de autoprodutor. A Lei 9.074/1995 define o produtor independente como a empresa ou consórcio autorizado a produzir energia destinada ao comércio de toda ou parte da produção, por sua conta e risco. O autoprodutor gera principalmente para o próprio consumo, como uma mineradora ou uma indústria.

A energia da usina entra na rede e se mistura à de hidrelétricas, eólicas e termelétricas. Você não compra energia de uma usina específica pela conta de luz comum: a distribuidora compra de várias fontes, e o custo dessa compra é uma das partes da tarifa. Por isso uma usina nova no seu estado não reduz a sua conta de forma direta.

Quanto uma usina gera

Uma estimativa simples usa a irradiação do Atlas e a taxa de desempenho de 80% que o próprio Atlas adota para um sistema bem projetado. Para uma usina de 100 MW no Nordeste:

  • 100.000 kW × 5,49 horas de sol pleno × 0,80 = 439.200 kWh por dia;
  • × 365 dias = 160.308 MWh por ano, ou cerca de 13.359 MWh por mês.

Uma casa brasileira consumiu em média cerca de 177 kWh por mês em 2025, pela conta feita em consumo médio de energia residencial com os dados da EPE. A geração do exemplo equivale, então, ao consumo de 13.359.000 ÷ 177 = cerca de 75 mil casas médias.

A conta é conservadora num ponto e otimista em outro. Muitas usinas grandes usam rastreadores, suportes que viram os painéis na direção do sol para aumentar a produção, e a irradiação horizontal subestima esse ganho. Em sentido contrário, a energia da usina percorre linhas de transmissão e distribuição, com perdas no caminho, e não chega inteira às casas. A comparação entre megawatts e casas atendidas está em 1 MW abastece quantas casas.

Para comparar com um sistema de telhado, o mesmo método dá uns 132 kWh por mês para cada kWp no Nordeste. A conta para a sua casa, com a geração por região, está em quantas placas solares preciso.

A “usina” da energia solar por assinatura

Quando uma empresa oferece desconto na conta com energia de uma “usina solar”, normalmente se trata de minigeração distribuída na modalidade de geração compartilhada. A central, de até 3 MW se for solar, com ou sem bateria, fica na área da mesma distribuidora que atende você. Os clientes se reúnem num consórcio, cooperativa ou associação, e os créditos da central são repartidos entre as contas.

Para o consumidor, isso tem três consequências:

  • Você não é dono da usina. Paga à empresa um valor combinado, e o desconto depende da fórmula do contrato.
  • A distribuidora continua mandando a conta dela, com o custo de disponibilidade, tributos e a parte que não é compensada.
  • O crédito só vale dentro da área da mesma distribuidora, pela Lei 14.300.

Antes de assinar, veja a conta do desconto em energia solar por assinatura vale a pena e as modalidades em geração distribuída: o que é. Quem tem outro imóvel no próprio nome pode instalar placas lá e usar o crédito em casa, pelo autoconsumo remoto.

Quanto isso representa na conta de luz

A usina não aparece na sua fatura como uma linha própria. O que você paga por kWh é a tarifa homologada pela ANEEL para a sua distribuidora, que no residencial tem mediana de R$ 0,80 por kWh entre 100 distribuidoras, sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 28/09/2026 (veja tarifas). Sobre ela entram tributos e a bandeira. Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional.

Para saber quanto cada aparelho da casa pesa nessa tarifa, a calculadora faz a conta mês a mês.

Perguntas frequentes

Qual é a maior usina solar do Brasil?

Depende de como se conta, porque os complexos são cadastrados em várias unidades. No SIGA de 28/09/2026, a maior unidade individual em operação é Serra do Mel I, no Rio Grande do Norte, com 137,48 MW. Somando as unidades de um mesmo complexo, o total fica bem maior.

Posso investir numa usina solar?

Como pessoa física, o caminho mais comum é a geração distribuída: um sistema em imóvel próprio, com autoconsumo remoto, ou a participação num consórcio ou cooperativa de geração compartilhada. Uma usina centralizada exige outorga da ANEEL e é um negócio de empresa. Desconfie de promessas de rendimento fixo em “cotas de usina” sem contrato claro sobre quem é o titular e como o crédito é repartido.

Usina solar funciona à noite?

Não. Ela gera só com luz, como as placas de telhado. À noite, a eletricidade vem das outras fontes do sistema, como hidrelétricas, eólicas e termelétricas. A participação de cada fonte na geração do país está em energia solar no Brasil.

Uma usina perto de casa deixa a minha conta mais barata?

Não diretamente. A energia da usina é vendida ao mercado, e a sua tarifa depende do custo total da distribuidora. Só a geração distribuída, com crédito em nome da sua unidade, desconta a sua fatura.

Fontes: ANEEL, dados abertos, SIGA: Sistema de Informações de Geração (base de 28/09/2026), ANEEL, micro e minigeração distribuída, Planalto, Lei nº 14.300/2022, Planalto, Lei nº 9.074/1995, INPE, Atlas Brasileiro de Energia Solar, 2ª edição, CRESESB/Cepel, Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos (2014), ANEEL, tarifas das distribuidoras (dados abertos) e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.