Energia solar no Brasil: quanto o país gera, onde e o que mudou

A solar gerou 11,4% da eletricidade do Brasil em 2025. Veja quanto está instalado em telhados e usinas, os estados que lideram e o ritmo de 2026.

A energia solar gerou 11,4% da eletricidade do Brasil em 2025, segundo o Balanço Energético Nacional de 2026, da EPE, num total de 783,3 TWh. Em 28/09/2026, os cadastros da ANEEL somavam 4,66 milhões de sistemas solares de geração distribuída, com 53,65 GW, e 592 usinas solares autorizadas em operação, com 23,08 GW.

A maior parte da potência, portanto, não está em grandes usinas, e sim em telhados, terrenos e pequenas centrais ligadas à rede de distribuição. Abaixo, os números por tipo e por estado, por que o país tem tanto sol, como se chegou até aqui e o que mudou em 2026.

Os números de 2026

Indicador Valor Fonte e data
Participação da solar na geração de eletricidade em 2025 11,4% EPE, BEN 2026
Geração distribuída solar 4.655.916 sistemas, 53,65 GW ANEEL, base de 28/09/2026
Usinas solares autorizadas em operação 592 usinas, 23,08 GW ANEEL, SIGA, base de 28/09/2026
Usinas solares outorgadas com obra não iniciada 1.628, com 70,85 GW ANEEL, SIGA, base de 28/09/2026

A soma das duas bases passa de 76 GW, mas deve ser lida como aproximação. Na geração distribuída, a ANEEL registra a potência somada dos módulos; no SIGA, a das usinas fiscalizadas. As duas medidas não são idênticas.

Na mesma matriz de 2025, a EPE registra a hidráulica com 51,2% da geração, a eólica com 14,9% e a solar com 11,4%. A EPE avisa que a parcela solar inclui a geração distribuída, ou seja, as placas de telhados de casas, lojas e estacionamentos.

Telhados na frente das usinas

A geração distribuída é a produzida perto de onde é consumida, por centrais de até 75 kW (micro) ou até 3 MW (mini, no caso da solar), ligadas à rede através de uma unidade consumidora. As regras e as quatro modalidades estão em geração distribuída: o que é.

Na base da ANEEL de 28/09/2026, a microgeração reunia 4,63 milhões de sistemas solares e 43,53 GW; a minigeração, 21.124 sistemas e 10,13 GW. A classe residencial respondia por 3,73 milhões de sistemas e 28,07 GW, pouco mais da metade da potência.

As usinas centralizadas, maiores e com outorga, somam menos da metade da potência dos telhados e centrais pequenas. O que é uma usina e como ela vende a energia está em usina solar: o que é.

Onde está a energia solar

Os dois tipos se concentram em estados diferentes.

Geração distribuída solar Potência Usinas solares em operação Potência
São Paulo 7,58 GW Minas Gerais 8,77 GW
Paraná 6,86 GW Bahia 3,06 GW
Minas Gerais 6,40 GW Piauí 2,40 GW
Rio Grande do Sul 3,97 GW Ceará 2,30 GW
Mato Grosso 3,16 GW Rio Grande do Norte 2,11 GW

A geração distribuída segue as contas de luz: São Paulo tem 787 mil sistemas, o maior número do país. As usinas seguem o sol e o terreno: Minas e o Nordeste. Minas aparece bem nas duas listas e, somando 6,40 GW de geração distribuída e 8,77 GW de usinas, fica em torno de 15 GW, a maior potência solar entre os estados.

Por que o Brasil tem tanto sol

O Atlas Brasileiro de Energia Solar, do INPE, resume assim: no local menos ensolarado do Brasil, é possível gerar mais eletricidade solar do que no local mais ensolarado da Alemanha, citada pelo Atlas entre os países em que a tecnologia já está bem estabelecida.

Pelo Atlas, a irradiação global horizontal média é de 5,49 kWh por metro quadrado por dia no Nordeste e fica em torno de 5,07 no Sudeste e no Centro-Oeste. O Atlas destaca também a baixa variação entre os meses: o Nordeste supera até os países ibéricos em irradiação média mensal, com variabilidade bem menor, enquanto o Sul se parece mais com os países europeus nesse aspecto, por estar em latitude maior.

Na prática, com a taxa de desempenho de 80% que o Atlas adota, 1 kWp de placas gera cerca de 132 kWh por mês no Nordeste (5,49 × 0,80 × 30) e cerca de 122 kWh no Sudeste (5,07 × 0,80 × 30). A conta por região e por consumo está em quantas placas solares preciso.

Como se chegou até aqui

A virada foi regulatória e de preço.

Ano O que mudou
2012 Entra em vigor, em 19 de abril, a Resolução Normativa ANEEL 482: o consumidor passa a poder gerar a própria energia e compensar a sobra
2015 e 2017 As Resoluções 687 e 786 mudam limites de potência e modalidades
2022 A Lei 14.300, publicada em 7 de janeiro, cria o marco legal da micro e minigeração distribuída
2023 A Resolução 1.059, de 7 de fevereiro, adapta as regras da ANEEL à lei e as consolida na REN 1.000

O preço caiu junto. Pelo levantamento da consultoria Greener, divulgado em 25 de setembro de 2026 pela pv magazine, um sistema residencial de 4 kWp custava em média R$ 7,74 por watt-pico em janeiro de 2017 e R$ 2,91 em junho de 2026. Num sistema de 4 kWp, isso significa passar de R$ 30.960 para R$ 11.640 (4.000 Wp × R$ 7,74 e × R$ 2,91), em valores da época de cada medição, sem correção pela inflação.

A Lei 14.300 também criou uma transição para quem pediu conexão depois de 7 de janeiro de 2023: a energia compensada passou a pagar uma parte crescente do Fio B, 60% em 2026, 75% em 2027 e 90% em 2028. O cronograma está em Lei 14.300 e o Fio B, e quanto isso custa por kWh em taxação do sol.

O ritmo em 2026

O mercado de telhados desacelerou. No mesmo levantamento da Greener, as novas conexões de geração distribuída no primeiro semestre de 2026 caíram 16% em relação ao mesmo período de 2025, de 488 mil para 411 mil. As novas unidades que passaram a receber créditos caíram 43%, de 951 mil para 541 mil.

Três outros números do estudo mostram quem ainda está instalando:

  • a classe residencial ficou com 65% da potência adicionada no semestre, contra 39% em 2019;
  • 80% dos integradores ouvidos apontam sistemas residenciais de até 12 kWp como o porte mais vendido;
  • só 33% das vendas foram financiadas, a menor fatia da série.

O preço médio subiu 7% entre janeiro e junho de 2026 nos projetos de até 300 kWp, e o do kit de equipamentos de 4 kWp subiu 18,3%, de R$ 1,42 para R$ 1,68 por watt-pico. Os preços continuam muito abaixo dos de 2017.

O que isso significa para a sua conta

O crescimento da solar no país não reduz a sua fatura sozinho. A conta continua sendo a tarifa da sua distribuidora vezes o consumo, mais tributos e bandeira. A mediana residencial é de R$ 0,80 por kWh entre 100 distribuidoras, sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 28/09/2026 (veja tarifas). Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional.

Quem quer usar o sol na própria conta tem três caminhos:

  1. Instalar placas no imóvel e compensar a sobra. A conta de retorno está em energia solar vale a pena.
  2. Assinar uma cota de geração compartilhada, sem obra em casa. Veja energia solar por assinatura.
  3. Instalar em outro imóvel no próprio nome e levar o crédito, pelo autoconsumo remoto.

Antes de qualquer um deles, vale saber quanto a casa gasta e com o quê. A calculadora soma o consumo de cada aparelho.

Perguntas frequentes

Qual estado tem mais energia solar?

Em geração distribuída, São Paulo, com 7,58 GW. Em usinas, Minas Gerais, com 8,77 GW. Somando os dois tipos, Minas fica à frente, com cerca de 15 GW, pelos cadastros da ANEEL de 28/09/2026.

A solar já é a maior fonte de energia do Brasil?

Não. Em 2025, pelo BEN 2026 da EPE, a hidráulica gerou 51,2% da eletricidade, a eólica 14,9% e a solar 11,4%.

Quantas casas têm energia solar no Brasil?

A base da ANEEL registrava 3,73 milhões de sistemas solares na classe residencial em 28/09/2026. O número de casas beneficiadas é diferente, porque um sistema pode mandar créditos para mais de uma unidade, e parte das casas recebe crédito de geração compartilhada sem ter placas.

A energia solar vai continuar crescendo?

Os cadastros mostram 70,85 GW de usinas outorgadas com obra não iniciada, mas outorga não garante construção, e a geração distribuída desacelerou no primeiro semestre de 2026. Os números mostram interesse, não uma previsão.

Fontes: EPE, ABCDEnergia, matriz energética e elétrica (BEN 2026), ANEEL, dados abertos, relação de empreendimentos de geração distribuída (base de 28/09/2026), ANEEL, dados abertos, SIGA (base de 28/09/2026), ANEEL, micro e minigeração distribuída, INPE, Atlas Brasileiro de Energia Solar, 2ª edição, pv magazine, levantamento da Greener sobre o 1º semestre de 2026, Planalto, Lei nº 14.300/2022, ANEEL, tarifas das distribuidoras (dados abertos) e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.