Energia solar para ar-condicionado: quantas placas cobrem o consumo

Um split de 12.000 BTUs pede de 0,36 a 2,42 kWp em São Paulo, conforme o uso. Veja a conta por cidade e por tamanho, o que muda à noite e o que acontece num apagão.

Para cobrir o consumo de um ar-condicionado split inverter de 12.000 BTUs em São Paulo, a energia solar precisa de 0,36 kWp pelo consumo médio da etiqueta do Inmetro, menos de uma placa de 585 W. Se o aparelho funcionar 8 horas por dia em carga total, o número sobe para 2,42 kWp, pouco mais de 4 placas. A diferença entre esses dois cenários é o uso, e é por ele que a conta começa.

Esta página mostra a conta para 9.000 e 12.000 BTUs em seis capitais, um exemplo com a casa inteira, o que acontece quando o ar liga à noite e por que um sistema comum ligado à rede não segura o ar-condicionado num apagão.

Primeiro: quanto o seu ar-condicionado gasta

A placa solar não enxerga BTU, enxerga kWh. O ponto de partida é o consumo do aparelho em kWh por mês. A tabela de condicionadores de ar do Inmetro, atualizada em 31/12/2025, traz duas colunas úteis para isso: o consumo anual da etiqueta, calculado por um perfil padrão de uso, e a potência consumida a 35 °C em carga total.

Pela mediana dos splits hi-wall inverter ativos na tabela:

Capacidade Consumo da etiqueta Potência a 35 °C em carga total 8 horas por dia, 30 dias, nessa potência
9.000 BTUs 30,3 kWh por mês 800 W 192,0 kWh por mês
12.000 BTUs 40,4 kWh por mês 1.128 W 270,7 kWh por mês

A coluna da etiqueta é o consumo anual dividido por 12. A última coluna multiplica a potência a 35 °C por 240 horas. Ela serve de referência para um uso pesado, mas não é um teto: um modelo acima da mediana, um dia mais quente que o ensaio ou mais horas de uso gastam mais. O consumo do mês real depende de quantas horas o aparelho fica ligado e em que carga: pode ficar abaixo da primeira coluna no uso esporádico e alcançar a segunda no uso intenso. O detalhamento por tamanho está em quanto gasta um ar-condicionado, e a calculadora faz a conta com as suas horas.

A R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial das distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 28/09/2026 (veja as tarifas), os 270,7 kWh do 12.000 BTUs em uso pesado valem 270,7 × 0,80 = R$ 216,56 por mês. Tributos e bandeira aumentam o valor final. Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional.

A conta das placas

potência solar necessária (kWp) = consumo do ar (kWh por mês) ÷ geração de 1 kWp por mês na cidade

A geração de 1 kWp vem da irradiação no melhor ângulo de placa, pelo Atlas Brasileiro de Energia Solar do INPE consultado no SunData, multiplicada pela taxa de desempenho de 80% que o Atlas adota e por 30 dias. Em São Paulo: 4,66 × 0,80 × 30 = 111,8 kWh por mês. A tabela das 27 capitais está em irradiação solar por cidade.

12.000 BTUs

Cidade 1 kWp gera por mês Pela etiqueta (40,4 kWh) 4 h por dia em carga total (135,4 kWh) 8 h por dia em carga total (270,7 kWh)
Fortaleza 136,8 kWh 0,30 kWp 0,99 kWp 1,98 kWp
Brasília 131,3 kWh 0,31 kWp 1,03 kWp 2,06 kWp
Belo Horizonte 128,6 kWh 0,31 kWp 1,05 kWp 2,10 kWp
Rio de Janeiro 118,3 kWh 0,34 kWp 1,14 kWp 2,29 kWp
São Paulo 111,8 kWh 0,36 kWp 1,21 kWp 2,42 kWp
Curitiba 105,4 kWh 0,38 kWp 1,28 kWp 2,57 kWp

9.000 BTUs

Cidade Pela etiqueta (30,3 kWh) 8 h por dia em carga total (192,0 kWh)
Fortaleza 0,22 kWp 1,40 kWp
Belo Horizonte 0,24 kWp 1,49 kWp
São Paulo 0,27 kWp 1,72 kWp
Curitiba 0,29 kWp 1,82 kWp

Para transformar kWp em placas, divida pela potência de uma placa em kW. Com placas de 585 W: os 2,42 kWp de São Paulo dão 2,42 ÷ 0,585 = 4,14 placas. Os tamanhos maiores, de 18.000 BTUs para cima, seguem a mesma conta com os números do artigo sobre consumo.

Não arredonde por aparelho: some à casa

Uma placa não fica “reservada” para o ar-condicionado. O sistema ligado à rede gera para a casa inteira, e o que importa é o consumo total. Arredondar para cima aparelho por aparelho superdimensiona o sistema.

Exemplo em Belo Horizonte, com placas de 585 W e 128,6 kWh por kWp por mês:

  • Sem o ar: casa com média de 250 kWh por mês (valor escolhido para o exemplo). 250 ÷ 128,6 = 1,94 kWp, ou 3,32 placas, arredondado para 4.
  • Com um 12.000 BTUs em uso pesado: 250 + 270,7 = 520,7 kWh. 520,7 ÷ 128,6 = 4,05 kWp, ou 6,92 placas, arredondado para 7.
  • As 7 placas somam 4,10 kWp e geram 4,095 × 128,6 = 527 kWh por mês.

O ar-condicionado acrescentou 3 placas à casa, e não as 4 que sairiam de arredondar o aparelho sozinho (3,60 placas em Belo Horizonte). Se o uso real for mais leve que 8 horas em carga total, o acréscimo cai. Por isso vale medir antes: a média das faturas de um verão com o ar já em uso diz mais que qualquer tabela. O guia usar o histórico de consumo da conta mostra onde achar esses números. Para converter o total em quantidade de placas em outras regiões, veja quantas placas solares preciso.

O ar liga à noite, as placas geram de dia

O ar-condicionado do quarto funciona quando a placa não gera. Num sistema ligado à rede isso não impede a conta: a energia que sobra de dia vai para a rede e volta como crédito em kWh, que abate o consumo da noite. O guia de créditos de energia solar na conta mostra como isso aparece na fatura.

Dois detalhes mudam o resultado:

  • Para sistemas novos, a energia compensada paga uma parte do Fio B, crescente ano a ano pela Lei 14.300. O kWh que o ar consome à noite, pago com crédito, sai mais caro que o kWh consumido na hora em que a placa gera. A regra está em taxação do sol e Fio B.
  • O crédito vence. A Lei 14.300 dá 60 meses para usar os créditos. Um sistema dimensionado para o pico do verão pode acumular crédito no inverno, quando o ar fica desligado. Em cidades com inverno forte, a média do ano é a medida certa, não o mês mais quente.

A irradiação ajuda o ar-condicionado num ponto: nas capitais do Sul e do Sudeste, os meses de mais sol são os do verão. Em São Paulo, no plano horizontal, dezembro recebe 5,69 kWh/m² por dia e junho, 3,17.

E quando falta luz?

Um sistema comum ligado à rede desliga junto com a rede. A norma de conexão da Cemig, a ND-5.30, exige que a geração pare de fornecer energia à rede em até 2 segundos depois da queda, e a proteção anti-ilhamento é testada na vistoria. Com o inversor desligado, o ar-condicionado também para, mesmo ao meio-dia de sol. O assunto está em energia solar funciona quando falta luz?.

Para manter o ar funcionando sem rede é preciso bateria e inversor capaz de operar isolado, o que muda o projeto e o custo. Na referência de uso pesado da tabela, 8 horas de um 12.000 BTUs na potência a 35 °C somam 1,128 × 8 = 9,0 kWh numa noite, energia que a bateria teria de guardar só para ele, antes de perdas; um modelo que puxa mais em carga total pede mais. O dimensionamento está em bateria para energia solar e em inversor híbrido. Aparelhos pensados para funcionar direto com placas estão em ar-condicionado solar.

Antes de pôr placa, baixe o consumo do ar

Cada kWh que o ar deixa de gastar é um pedaço de placa a menos. Os ajustes mais baratos estão em temperatura ideal do ar-condicionado e como economizar energia com ar-condicionado. Se o aparelho é antigo, de velocidade fixa, a troca também entra na conta; veja ar-condicionado inverter economiza?.

O projeto do sistema solar confere o resto: se a ligação da casa comporta a potência, qual inversor usar e onde as placas cabem sem sombra. Veja energia solar precisa de projeto?.

Perguntas frequentes

Quantas placas para um ar-condicionado de 9.000 BTUs?

Pelo consumo da etiqueta, 0,27 kWp em São Paulo, menos de meia placa de 585 W. Em uso de 8 horas por dia em carga total, 1,72 kWp, cerca de 3 placas.

Quantas placas para um de 12.000 BTUs?

Em São Paulo, de 0,36 kWp pela etiqueta a 2,42 kWp em 8 horas diárias de carga total, ou de menos de uma a pouco mais de 4 placas de 585 W. Em Fortaleza, de 0,30 a 1,98 kWp.

Dá para ligar o ar-condicionado direto na placa?

Não num split comum: a placa produz corrente contínua e o sistema ligado à rede passa pelo inversor. Existem modelos próprios para isso, descritos em ar-condicionado solar. Qualquer ligação nova no quadro ou tomada dedicada é serviço de eletricista habilitado.

Vale a pena instalar placas só por causa do ar?

Depende de quanto o ar pesa na conta e da regra de compensação do seu sistema. A conta do retorno está em energia solar vale a pena?.

Fontes: Inmetro, tabela de condicionadores de ar (atualização de 31/12/2025), CRESESB/Cepel, SunData v3.0, consultado em 28/09/2026, INPE, Atlas Brasileiro de Energia Solar, 2ª edição, Cemig, ND-5.30 conexão de geração distribuída em baixa tensão, Planalto, Lei nº 14.300/2022, ANEEL, dados abertos de tarifas das distribuidoras e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.