Energia solar para carro elétrico: quantas placas e quanto economiza
Um compacto elétrico que roda 1.000 km por mês gasta cerca de 114 kWh, e duas placas de 585 W cobrem isso no Sudeste. Veja a conta por região e o Fio B.
No Sudeste, cada 1 kWp de placas solares gera cerca de 122 kWh por mês, energia para rodar perto de 1.000 km com um compacto elétrico. O BYD Dolphin Mini, por exemplo, gasta 114 kWh para rodar 1.000 km: duas placas de 585 W cobrem esse consumo com folga. Um carro maior, como o BYD Yuan Plus, pede três placas no mesmo trajeto.
Isso é o tamanho do sistema. Se ele paga a recarga inteira depende de outra coisa: a hora em que o carro fica ligado na tomada. Abaixo estão a conta das placas, a diferença entre carregar de dia e à noite, e o que a regra dos créditos cobra no caminho.
Quanto o carro gasta por mês
O ponto de partida é o consumo do carro em kWh, não o preço da gasolina que ele substitui. A Tabela PBE Veicular 2026 do Inmetro, versão de 25/08/2026, informa o consumo energético de cada versão em megajoules por quilômetro. Divida por 3,6 para ter kWh por quilômetro e multiplique pelos quilômetros do mês.
Quatro modelos da tabela, rodando 1.000 km por mês:
| Modelo (versão no PBE) | MJ/km | kWh a cada 100 km | kWh em 1.000 km |
|---|---|---|---|
| BYD Dolphin Mini GS | 0,41 | 11,4 | 113,9 |
| Renault E-Kwid Intens | 0,44 | 12,2 | 122,2 |
| GWM ORA 03 BEV58 | 0,51 | 14,2 | 141,7 |
| BYD Yuan Plus GS 560EV | 0,58 | 16,1 | 161,1 |
A diferença entre as categorias, com mais modelos, está em quantos kWh gasta um carro elétrico. O custo dessa recarga na tarifa da rede, sem placa nenhuma, está em quanto custa carregar um carro elétrico.
Um cuidado: parte da energia que sai da tomada se perde como calor no carregador e na bateria. Quanto se perde em cada forma de recarga, em medições publicadas, está em wallbox ou tomada comum. Se o seu dimensionamento ficar no limite, arredonde para cima.
Quanto cada placa gera
O Atlas Brasileiro de Energia Solar, do INPE, traz a irradiação média diária no plano horizontal por região e adota uma taxa de desempenho de 80% para um sistema fixo bem projetado. A conta da geração mensal é:
geração por kWp = irradiação diária × 0,80 × 30 dias
A placa usada aqui é a Canadian Solar CS6W-585TB-AG, de 585 W. Nas regiões Norte e Sul, onde o Atlas dá uma faixa de médias anuais, a tabela usa o valor mais baixo:
| Região | Irradiação (kWh/m² por dia) | Geração por kWp ao mês | Geração de uma placa de 585 W ao mês |
|---|---|---|---|
| Nordeste | 5,49 | 131,8 kWh | 77,1 kWh |
| Sudeste e Centro-Oeste | 5,07 | 121,7 kWh | 71,2 kWh |
| Norte | 4,61 | 110,6 kWh | 64,7 kWh |
| Sul | 4,53 | 108,7 kWh | 63,6 kWh |
Esses valores supõem telhado sem sombra e bem orientado. O passo a passo para a casa inteira, com área e peso das placas, está em quantas placas solares preciso.
Quantas placas para o carro
Divida os kWh do carro pela geração de uma placa na sua região e arredonde para cima. Para 1.000 km por mês:
| Modelo | Nordeste | Sudeste e Centro-Oeste | Norte | Sul |
|---|---|---|---|---|
| Dolphin Mini GS | 2 (1,48) | 2 (1,60) | 2 (1,76) | 2 (1,79) |
| E-Kwid Intens | 2 (1,59) | 2 (1,72) | 2 (1,89) | 2 (1,92) |
| ORA 03 BEV58 | 2 (1,84) | 2 (1,99) | 3 (2,19) | 3 (2,23) |
| Yuan Plus GS 560EV | 3 (2,09) | 3 (2,26) | 3 (2,49) | 3 (2,53) |
O número entre parênteses é a conta exata. O ORA 03 no Sudeste mostra por que ele importa: 1,99 placa fica tão perto de 2 que qualquer perda na recarga já passa do limite.
O quanto você roda pesa mais que o modelo. No Sudeste, com placas de 585 W:
| Quilômetros por mês | Dolphin Mini GS | Yuan Plus GS 560EV |
|---|---|---|
| 500 | 56,9 kWh, 1 placa (0,80) | 80,6 kWh, 2 placas (1,13) |
| 1.000 | 113,9 kWh, 2 placas (1,60) | 161,1 kWh, 3 placas (2,26) |
| 1.500 | 170,8 kWh, 3 placas (2,40) | 241,7 kWh, 4 placas (3,40) |
| 2.000 | 227,8 kWh, 4 placas (3,20) | 322,2 kWh, 5 placas (4,53) |
Some essas placas às que a casa já precisa. Um sistema que hoje cobre só o consumo da casa vai deixar a recarga inteira para a rede.
Dia ou noite: o que muda na conta
O sol gera de dia. A maioria dos carros fica em casa à noite. Esse desencontro não impede o uso da energia solar, mas muda quanto cada kWh vale.
Carregando de dia
Se o carro está ligado enquanto as placas geram, a energia vai direto da placa para o carro, sem passar pelo medidor da distribuidora. Esse kWh economiza a tarifa inteira.
Mas só a parte que o sol cobre naquele instante. A ficha da placa de 585 W informa 443 W na condição de operação nominal, com sol de 800 W/m² e o módulo a 41 °C. Duas placas, nessas condições, entregam cerca de 886 W. O Dolphin Mini aceita até 6,6 kW em corrente alternada, pela ficha técnica da BYD. Numa recarga a 6,6 kW ao meio-dia, a maior parte da potência ainda vem da rede, e o que sobra de sol no resto do dia vai para a rede como crédito.
Carregando à noite
À noite, o carro puxa energia da rede. A energia que as placas injetaram durante o dia vira crédito e abate esse consumo na fatura, pelo sistema de compensação da Lei 14.300. O crédito vale por 60 meses.
A diferença é o Fio B. Para sistemas que pediram conexão depois de 7 de janeiro de 2023, o art. 27 da lei cobra uma parte dos componentes de distribuição sobre toda a energia compensada: 60% em 2026, 75% em 2027 e 90% em 2028. A partir de 2029 vale a regra do art. 17, com as tarifas que a ANEEL definir para a geração distribuída; para pedidos feitos entre o 13º e o 18º mês após a publicação da lei, só a partir de 2031. A energia que o carro consome na hora em que o sol gera não é compensada, então não entra nessa cobrança. O que é o Fio B e quanto ele vale em várias distribuidoras está em taxação do sol.
A conta com um exemplo
Dolphin Mini, 1.000 km por mês no Sudeste, 113,9 kWh. O valor do kWh é R$ 0,80, a mediana residencial de 100 distribuidoras sem tributos, dados da ANEEL consultados em 28/09/2026 (veja as tarifas). O Fio B de R$ 0,25 por kWh é uma suposição do exemplo; o da sua distribuidora está na resolução tarifária dela. Em 2026 a lei cobra 60% dele, ou R$ 0,15 por kWh compensado.
- Sem placas, toda a recarga pela rede: 113,9 × R$ 0,80 = R$ 91,11 por mês.
- Com placas, toda a recarga à noite pelos créditos: cada kWh compensado economiza R$ 0,80 menos R$ 0,15, ou R$ 0,65. Economia de 113,9 × R$ 0,65 = R$ 74,03 por mês.
- Com placas, 30% da recarga feita de dia com sol direto (suposição do exemplo): 34,2 kWh × R$ 0,80 = R$ 27,33, mais 79,7 kWh × R$ 0,65 = R$ 51,82. Economia de R$ 79,15 por mês.
Em doze meses com o percentual de 2026, a recarga só à noite economiza R$ 888,33 no exemplo, contra R$ 1.093,33 de recarga que a casa pagaria sem as placas. Tributos aumentam os dois lados da conta.
A bandeira muda o custo da recarga pela rede. Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional. O exemplo acima não inclui bandeira. O efeito de cada cor está na página da bandeira.
Duas placas de 585 W geram 142,4 kWh por mês no Sudeste, 28,5 kWh acima do que o carro usa. Essa sobra abate o consumo da casa ou vira crédito. Quanto um sistema custa e em quanto tempo se paga, com preços de mercado datados, está em energia solar vale a pena. Para o carro, use a mesma conta: preço das placas a mais dividido pela economia mensal.
Já tenho placas: dá para usar no carro?
Dá, se o sistema gera mais do que a casa consome. Olhe o crédito acumulado nas últimas faturas. Se ele cresce todo mês, parte dele pode ir para o carro sem nenhuma obra.
Se o sistema foi dimensionado só para a casa, o carro vai aparecer na conta como consumo a mais. Aumentar o sistema tem três pontos a checar:
- O inversor precisa comportar as placas novas. A escolha e a folga dele estão em inversor solar.
- O aumento de potência passa por novo pedido à distribuidora, como na homologação original.
- Quem tem sistema da regra antiga, pedido até 7 de janeiro de 2023, deve saber que a parte ampliada com pedido feito depois dessa data entra na regra nova, com Fio B. É o que diz o art. 26, § 2º, inciso III, da Lei 14.300.
A recarga também pode exigir mudança na entrada de energia. A Resolução Normativa nº 1.000 da ANEEL manda comunicar a distribuidora antes de instalar uma estação de recarga quando ela exige conexão nova, aumento de carga ou mudança no nível de tensão. O caminho está em aumento de carga. A instalação do carregador e do circuito dele é trabalho de eletricista habilitado.
O carro pode devolver energia para a rede?
Não, pela regra atual. O art. 555 da mesma resolução proíbe injetar energia na rede a partir do veículo elétrico e proíbe o carro de participar do sistema de compensação. A bateria do carro não gera crédito.
O parágrafo único do mesmo artigo abre uma exceção para o fluxo nos dois sentidos dentro da mesma unidade consumidora. A ficha da BYD lista, no Dolphin Mini, uma função de descarga do veículo (VTOL). O que cada equipamento permite ligar e com que potência está no manual do fabricante; qualquer ligação do carro ao quadro da casa é projeto de eletricista.
Dá para carregar o carro só com placa, sem rede?
Com uma placa portátil, a conta não fecha. Uma placa de 100 W gera cerca de 12,2 kWh por mês no Sudeste. No Dolphin Mini, isso dá uns 107 km por mês, antes das perdas na recarga.
Um sistema isolado para o carro precisa de placas suficientes para o mês e de uma bateria estacionária para guardar a energia do dia até a noite. A bateria do carro já tem 38,88 kWh no Dolphin Mini GS, e guardar isso em bateria de casa é outro investimento. Como funcionam esses sistemas está em energia solar off grid e em bateria para energia solar.
Erros comuns
- Dimensionar pela autonomia do carro. O que importa é quanto você roda no mês, não o tamanho da bateria.
- Contar a recarga noturna como se valesse a tarifa cheia. Em 2026, nos sistemas pedidos depois de 7 de janeiro de 2023, cada kWh compensado paga 60% do Fio B.
- Esquecer que o carro soma ao consumo da casa. Um sistema que zerava a conta antes do carro deixa de zerar.
- Supor que duas placas carregam o carro ao meio-dia. Elas cobrem só uma parte da potência de recarga.
- Ampliar o sistema sem checar o inversor e sem novo pedido à distribuidora.
Perguntas frequentes
Quantas placas solares para carregar um carro elétrico?
Para 1.000 km por mês, de duas a três placas de 585 W, conforme o modelo e a região. Um compacto como o Dolphin Mini fica em duas em todas as regiões; um carro maior, como o Yuan Plus, pede três.
Carregar à noite com energia solar compensa?
Compensa, mas num sistema pedido depois de 7 de janeiro de 2023 cada kWh vale menos do que o consumido na hora. No exemplo deste artigo, R$ 0,65 contra R$ 0,80, porque em 2026 a energia compensada desses sistemas paga 60% do Fio B.
A recarga de dia paga a taxação do sol?
A parte que as placas cobrem no mesmo instante, não: ela não passa pelo medidor e não é compensada. A parte que vem da rede é consumo comum.
Como calcular para o meu carro?
Pegue o MJ/km do seu modelo na Tabela PBE Veicular, divida por 3,6 e multiplique pelos quilômetros do mês. Com os kWh em mãos, a calculadora mostra o custo pela sua tarifa, e a tabela de geração acima dá o número de placas.
Fontes: Inmetro, Tabela PBE Veicular 2026 (versão de 25/08/2026), BYD Brasil, ficha técnica do Dolphin Mini (13/07/2026), INPE, Atlas Brasileiro de Energia Solar, 2ª edição, Canadian Solar, ficha técnica TOPBiHiKu6 CS6W-TB-AG, Planalto, Lei nº 14.300/2022, ANEEL, Resolução Normativa nº 1.000/2021, texto compilado, ANEEL, veículos elétricos, ANEEL, dados abertos de tarifas das distribuidoras (consulta de 28/09/2026) e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.