Valor do kWh RGE em 2026: tarifa residencial e conta por mês

O kWh residencial da RGE custa R$ 0,94461 sem tributos desde 19/06/2026. Veja a conta por consumo, a tarifa branca e por que subiu 31% em dois anos.

O kWh residencial da RGE custa R$ 0,94461 antes dos tributos e da bandeira, na tarifa convencional homologada pela ANEEL e em vigor de 19/06/2026 a 18/06/2027. Numa casa que gasta 150 kWh no mês, só a energia dá R$ 141,69; ICMS, PIS/Cofins, a iluminação pública e a bandeira entram depois, na fatura.

O valor sai da base de tarifas da ANEEL consultada em 28/09/2026 (Resolução Homologatória nº 3.590, de 16 de junho de 2026). Ele é a soma de duas partes que aparecem separadas na resolução: R$ 588,50 por MWh de TUSD, pelo uso da rede, e R$ 356,11 por MWh de TE, pela energia. Dividindo por mil, R$ 0,58850 + R$ 0,35611 = R$ 0,94461 por kWh.

RGE e RGE Sul: por que aparecem dois nomes

Quem procura a tarifa da RGE às vezes acha também “RGE Sul”. Segundo o histórico publicado pelo grupo CPFL, dono da distribuidora, a RGE e a RGE Sul passaram a ser uma única empresa em 1º de janeiro de 2019, atendendo cerca de dois terços do Rio Grande do Sul. O CNPJ que a ANEEL associa à tarifa da RGE está registrado na Receita Federal como RGE Sul Distribuidora de Energia S.A., com sede em São Leopoldo.

Na base da ANEEL, a sigla antiga “RGE SUL” continua listada, mas sem tarifa vigente. Então, se você é cliente da RGE em qualquer parte da área de concessão, o número que vale é o de R$ 0,94461. A mesma linha pode ser conferida na tabela de tarifas por distribuidora.

Como a RGE se compara com o resto do país

Entre as 100 distribuidoras com tarifa residencial vigente na base da ANEEL, a RGE ocupa a 82ª posição, da mais barata para a mais cara. A referência do site é R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial das distribuidoras sem tributos, dados da ANEEL consultados em 28/09/2026. A tarifa da RGE fica 18,1% acima dela.

Em reais, para os mesmos 150 kWh, a diferença é de R$ 21,69 por mês antes dos tributos: R$ 141,69 na RGE contra R$ 120,00 na mediana. Quem se mudou de outro estado e estranhou a conta tem aí parte da explicação, mesmo com o consumo igual. Para ver onde fica o extremo mais caro, veja a tarifa de energia mais cara do Brasil.

Quanto custa por mês em cada faixa de consumo

A tabela usa a tarifa convencional de R$ 0,94461 e mostra só a energia, sem ICMS, PIS/Cofins, iluminação pública ou bandeira:

Consumo no mês Conta: consumo × R$ 0,94461 Energia antes dos tributos
100 kWh 100 × 0,94461 R$ 94,46
150 kWh 150 × 0,94461 R$ 141,69
200 kWh 200 × 0,94461 R$ 188,92
300 kWh 300 × 0,94461 R$ 283,38

Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional. Nos 150 kWh de setembro, a amarela somou 150 × 0,01885 = R$ 2,83, e a energia foi a R$ 144,52. Em outubro, com a verde, os mesmos 150 kWh voltam a R$ 141,69. O efeito de cada cor está em bandeira tarifária no custo do kWh.

Se o consumo for muito baixo, a fatura não cai abaixo do custo de disponibilidade, que a Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021 fixa em 30 kWh para ligação monofásica ou bifásica a dois condutores, 50 kWh para bifásica a três condutores e 100 kWh para trifásica (art. 291; na trifásica de baixa renda com consumo de até 80 kWh, o piso é de 80 kWh). Na RGE, isso dá R$ 28,34, R$ 47,23 e R$ 94,46 de energia, antes dos tributos. O guia de custo de disponibilidade explica quando esse piso aparece.

Por que a tarifa subiu 31% em dois anos

A série da ANEEL para a tarifa residencial convencional da RGE mostra três degraus recentes:

Vigência TUSD + TE (R$/kWh) Variação sobre a anterior
19/08/2024 a 18/06/2025 0,71999
19/06/2025 a 18/06/2026 0,82220 +14,2%
19/06/2026 a 18/06/2027 0,94461 +14,9%

Somados, os dois reajustes levaram o kWh de R$ 0,71999 para R$ 0,94461, alta de 31,2%. No último, as duas partes subiram: a TUSD foi de R$ 517,75 para R$ 588,50 por MWh (+13,7%) e a TE, de R$ 304,45 para R$ 356,11 por MWh (+17,0%). Não foi só a rede nem só a energia.

A ANEEL decompõe a tarifa em componentes, publicados num conjunto de dados próprio. Para a tarifa residencial da RGE em vigor, os quatro blocos maiores ficam assim:

Componente R$ por kWh Peso na tarifa Em 150 kWh
Energia comprada (TE_ENERGIA) 0,30119 31,9% R$ 45,18
Fio B, a rede da própria RGE 0,30040 31,8% R$ 45,06
CDE, o fundo de subsídios do setor 0,15136 16,0% R$ 22,70
Perdas, transmissão, outros encargos e ajustes 0,19166 20,3% R$ 28,75

O Fio B é o pedaço que remunera a distribuidora pela rede e pela operação; é também o que pesa na energia solar compensada, como mostra o artigo sobre taxação do sol e Fio B. A CDE é um encargo definido em lei que banca políticas como a Tarifa Social e o Luz para Todos; o artigo sobre a CDE na conta de luz explica por que ela pesa mais no Sul e no Sudeste. O mecanismo do reajuste anual está em reajuste tarifário: como funciona.

Tarifa branca na RGE: quando compensa

A tarifa branca troca o preço único por três preços nos dias úteis. Nos fins de semana e feriados nacionais vale sempre o mais barato, segundo a ANEEL. Os valores residenciais da RGE na mesma resolução:

Posto tarifário R$ por kWh Comparado à convencional
Fora de ponta 0,75967 19,6% mais barato
Intermediário 1,16940 mais caro
Ponta 1,78697 1,89 vez a convencional

Um exemplo com 200 kWh no mês:

  • Com 80% do consumo fora de ponta e 10% em cada um dos outros postos: 160 × 0,75967 + 20 × 1,16940 + 20 × 1,78697 = R$ 180,67. Na convencional, os mesmos 200 kWh custam R$ 188,92. Economia de R$ 8,25.
  • Com 70% fora de ponta e 15% em cada um dos outros: 140 × 0,75967 + 30 × 1,16940 + 30 × 1,78697 = R$ 195,04. Aqui a branca sai R$ 6,12 mais cara.

Fazendo a conta ao contrário, com a mesma fatia nos dois postos caros, a branca só empata com a convencional na RGE quando cada um deles fica em torno de 12,9% do consumo. Acima disso, perde. Um banho de chuveiro elétrico dentro do horário de ponta pesa bastante nessa divisão. Os horários dos postos são definidos para cada distribuidora, e a ANEEL os publica num painel junto com os valores da tarifa branca; o guia tarifa branca: comparar horários ajuda a montar essa divisão com a sua rotina. Pela regra da ANEEL, quem adere e não gosta pode voltar à convencional em até 30 dias.

Tarifa Social e Desconto Social na RGE

Famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico têm regras próprias, detalhadas em tarifa social: quem tem direito. Na base da ANEEL, a RGE tem uma linha de “Desconto Social, faixa 01” de R$ 0,79571 por kWh, R$ 0,14890 abaixo da tarifa cheia. A diferença fica perto da parcela da CDE na tarifa da RGE (R$ 0,15136), que é justamente o que o Desconto Social isenta, pela Lei 10.438/2002, até 120 kWh por mês.

Se esse valor for o aplicado a 120 kWh, o desconto chega a 120 × 0,14890 = R$ 17,87 por mês, antes dos tributos. É uma estimativa feita a partir da tabela homologada; o número exato sai na sua fatura.

O que a fatura soma por cima

A tarifa da ANEEL não inclui tributos. Na conta da RGE entram, em linhas separadas:

  • ICMS, estadual, calculado “por dentro”, o que faz o peso real passar da alíquota impressa. A conta passo a passo está em ICMS na conta de luz.
  • PIS e Cofins, contribuições federais.
  • A contribuição de iluminação pública do seu município, explicada em taxa de iluminação pública.
  • O adicional da bandeira, quando não é verde.

Para descobrir quanto você paga de verdade por kWh, divida o total da fatura pelos kWh faturados. O número fica acima de R$ 0,94461 e mostra o peso dos tributos na sua cidade. O passo a passo completo está em como calcular o valor da conta de luz, e a calculadora mostra quanto cada aparelho soma em kWh.

Perguntas frequentes

Qual é o valor do kWh da RGE com impostos?

Depende da alíquota de ICMS aplicada à sua conta, do PIS/Cofins do mês e da iluminação pública do município. A ANEEL publica só a tarifa sem tributos, de R$ 0,94461. Para achar o seu valor final, divida o total da fatura pelo consumo em kWh.

Quando muda a tarifa da RGE?

A tarifa atual vale até 18/06/2027. Os três últimos reajustes entraram em vigor em 19/08/2024, 19/06/2025 e 19/06/2026, sempre por resolução da ANEEL. O grupo CPFL informa que a concessão da RGE foi prorrogada por mais 30 anos em maio de 2026.

A RGE é mais cara que a média do Brasil?

Sim. A tarifa residencial convencional da RGE está 18,1% acima da mediana nacional de R$ 0,80 por kWh e ocupa a 82ª posição entre 100 distribuidoras na base da ANEEL.

Por que minha conta subiu se o consumo foi o mesmo?

Na RGE, a tarifa subiu 14,9% em 19/06/2026. Se o ciclo de leitura cruzou essa data, parte do mês foi cobrada no valor novo. A bandeira amarela de setembro também somou R$ 0,01885 por kWh. O guia conta de luz alta: o que conferir segue a ordem para achar a causa.

Fontes: ANEEL, dados abertos: tarifas das distribuidoras, ANEEL, dados abertos: componentes tarifárias, ANEEL, tarifa branca, ANEEL, Resolução Normativa nº 1.000/2021, texto consolidado, CPFL Energia, relações com investidores: histórico, cadastro CNPJ 02.016.440/0001-62 (dados da Receita Federal via BrasilAPI), Lei 10.438/2002, texto compilado (Planalto) e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.