Qual a energia mais cara do Brasil? O ranking das tarifas residenciais
A maior tarifa residencial homologada é de R$ 1,56923 por kWh, quase o triplo da menor. Veja as dez mais caras, as concessionárias no topo e o que a lista não mostra.
A maior tarifa residencial homologada do Brasil, pelos dados da ANEEL consultados em 28/09/2026, é a da Ceres, cooperativa de eletrificação rural de Resende (RJ): R$ 1,56923 por kWh, quase três vezes a tarifa mais barata do país, de R$ 0,53416. Esse valor já traz o efeito do ICMS, como explicado abaixo; entre as tarifas sem tributos, a maior é a da Coopernorte (RS), com R$ 1,37113 por kWh. Entre as concessionárias, a mais cara é a Enel RJ, com R$ 1,06110 por kWh.
Esse ranking tem uma pegadinha importante, explicada logo abaixo: parte das tarifas do topo já inclui um imposto que as outras não incluem. Por isso o artigo mostra a lista completa do alto, a lista só de concessionárias e o que muda quando a comparação é feita com a fatura na mão.
As dez tarifas residenciais mais altas
A ANEEL publica nos dados abertos a tarifa de aplicação de cada distribuidora. O site soma as duas parcelas da residencial convencional (TUSD, pela rede, e TE, pela energia) e ordena as 100 distribuidoras que tinham tarifa vigente na consulta. O topo ficou assim:
| Posição | Distribuidora | Tipo | Estado da área | R$ por kWh |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Ceres, cooperativa de Resende | Permissionária | RJ (e MG) | 1,56923 |
| 2 | Cerci, cooperativa de Cachoeiras-Itaboraí | Permissionária | RJ | 1,50089 |
| 3 | Coopernorte, cooperativa do Litoral Norte | Permissionária | RS | 1,37113 |
| 4 | Ceral Araruama, cooperativa | Permissionária | RJ | 1,20634 |
| 5 | Certrel, cooperativa de Treviso | Permissionária | SC | 1,12729 |
| 6 | Ceris, cooperativa de Itapecerica da Serra | Permissionária | SP | 1,11512 |
| 7 | Cedrap, cooperativa do Alto da Paraíba | Permissionária | SP | 1,09084 |
| 8 | Enel RJ (Ampla Energia e Serviços) | Concessionária | RJ (e MG) | 1,06110 |
| 9 | Cerpalo, cooperativa de Paulo Lopes | Permissionária | SC | 1,01522 |
| 10 | Cercos, cooperativa do Centro Sul de Sergipe | Permissionária | SE | 1,01440 |
O tipo de outorga e os estados vêm dos dados comerciais que as distribuidoras enviam à ANEEL. Nove das dez são cooperativas. A ANEEL conta que essas cooperativas nasceram para eletrificar áreas rurais que as distribuidoras não atendiam, e que foram regularizadas como permissionárias do serviço público, passando a seguir regras mais próximas das demais distribuidoras.
A ressalva do Rio de Janeiro
Na página do ranking de tarifas, a ANEEL faz um alerta: as tarifas das permissionárias do estado do Rio de Janeiro já consideram, por lei estadual, o efeito da substituição tributária do ICMS, e não há ICMS sobre o faturamento delas.
Isso muda a leitura do topo. Ceres, Cerci e Ceral Araruama, três das quatro primeiras, são permissionárias fluminenses. O número delas já carrega um efeito de imposto que, nas outras 97 distribuidoras, só entra depois, na fatura. Compará-las diretamente com as demais exagera a distância.
Tirando as três, a tarifa sem tributos mais alta do conjunto é a da Coopernorte, no Rio Grande do Sul, com R$ 1,37113 por kWh. Ela fica 72% acima da mediana nacional.
Entre as concessionárias, a Enel RJ lidera
Quem mora numa cidade atendida por uma grande distribuidora costuma querer outra lista: a das concessionárias. Nela, as dez tarifas residenciais mais altas eram:
| Concessionária | R$ por kWh | 200 kWh sem tributos |
|---|---|---|
| Enel RJ | 1,06110 | R$ 212,22 |
| Energisa Tocantins | 0,99278 | R$ 198,56 |
| Energisa Mato Grosso do Sul | 0,98660 | R$ 197,32 |
| Equatorial Pará (antes do reajuste de 15/09/2026) | 0,97830 | R$ 195,66 |
| Equatorial Piauí | 0,94669 | R$ 189,34 |
| RGE | 0,94461 | R$ 188,92 |
| Energisa Minas Rio | 0,91899 | R$ 183,80 |
| Cemig | 0,90329 | R$ 180,66 |
| Energisa Mato Grosso | 0,89942 | R$ 179,88 |
| Equatorial Goiás | 0,89181 | R$ 178,36 |
A coluna de 200 kWh é só a tarifa vezes o consumo, sem bandeira, tributos ou iluminação pública. A conta de cada uma está nas páginas de valor do kWh da Enel RJ, da Cemig e da RGE.
E a mais barata?
A outra ponta também é de cooperativas. A Codesam, cooperativa de Santa Maria, em Benedito Novo (SC), tem a menor tarifa do conjunto, R$ 0,53416 por kWh, seguida pela Cegero, de São Ludgero (SC), com R$ 0,53492. Entre as concessionárias, a menor é a da DMED, em Minas Gerais, com R$ 0,61757, e depois vêm a Enel CE, com R$ 0,70175, e a Energisa Paraíba, com R$ 0,70970.
A mediana das 100 distribuidoras é R$ 0,80 por kWh (R$ 0,79643), dados da ANEEL consultados em 28/09/2026. É o valor de referência que o site usa nos exemplos, e a posição de cada empresa está na página de tarifas.
Quanto a diferença pesa num mês
Com os mesmos 200 kWh, sem tributos e sem bandeira:
- Na maior tarifa homologada (Ceres, já com o efeito do ICMS): 200 × R$ 1,56923 = R$ 313,85.
- Na maior sem a ressalva fluminense (Coopernorte): 200 × R$ 1,37113 = R$ 274,23.
- Na maior concessionária (Enel RJ): 200 × R$ 1,06110 = R$ 212,22.
- Na mediana: 200 × R$ 0,79643 = R$ 159,29.
- Na menor (Codesam): 200 × R$ 0,53416 = R$ 106,83.
A bandeira não muda o ranking, porque é igual para todas as distribuidoras interligadas. Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional. Com a amarela de setembro, os 200 kWh ganham 200 × R$ 0,01885 = R$ 3,77 em qualquer uma das cinco. A ANEEL informa que os consumidores das cooperativas também pagam bandeira, e que ficam fora só as áreas de sistemas isolados.
Onde está a diferença: rede ou energia
A tarifa tem duas partes, e os números mostram qual pesa mais. Comparando a maior com a menor:
| Parcela | Ceres | Codesam | Diferença |
|---|---|---|---|
| TUSD, rede | 1,16367 | 0,32359 | 0,84008 |
| TE, energia | 0,40556 | 0,21057 | 0,19499 |
| Total | 1,56923 | 0,53416 | 1,03507 |
81% da distância está na TUSD, a parcela que paga a rede de distribuição e os encargos ligados a ela. A ANEEL explica que a tarifa soma a compra de energia, o transporte até a casa e os encargos setoriais, e que os custos de cada distribuidora entram no cálculo dela. O processo que atualiza esses valores todo ano está em reajuste tarifário: como funciona.
O que o ranking não mostra
Três cuidados antes de concluir que a sua conta é a mais cara do país:
- Os tributos mudam a ordem. O ICMS tem alíquota definida por cada estado e é calculado por dentro, então duas tarifas iguais viram contas diferentes em estados diferentes. O cálculo está em ICMS na conta de luz.
- A lista é um retrato de um dia. Várias cooperativas do conjunto, entre elas a Codesam, a Cegero e a Certrel, tinham tarifa com vigência até 29/09/2026, então a ordem pode mudar nos dias seguintes à consulta. Catorze distribuidoras nem entraram na lista, porque estavam sem tarifa vigente no conjunto.
- Morar perto de uma tarifa baixa não dá direito a ela. Cada endereço é atendido por uma distribuidora só. A comparação serve para entender a conta, não para trocar de fornecedor.
Para saber quanto a sua conta paga de fato por kWh, divida o valor das linhas de consumo pelos kWh faturados, sem incluir iluminação pública e multas. O guia qual valor do kWh usar mostra o passo a passo, e a calculadora transforma esse preço no custo de cada aparelho.
Perguntas frequentes
Qual estado tem a energia mais cara do Brasil?
A tarifa sem tributos é definida por distribuidora, não por estado, e um estado pode ter distribuidoras muito baratas e muito caras ao mesmo tempo. Santa Catarina tem a menor e também a Certrel, entre as cinco maiores. Para a conta final, some o ICMS do estado, que varia de um para outro.
A Enel RJ é a distribuidora mais cara do Brasil?
É a concessionária com a maior tarifa residencial sem tributos no conjunto consultado, R$ 1,06110 por kWh. Sete cooperativas têm tarifa homologada maior, mas em três delas, as fluminenses, o valor já traz o efeito do ICMS.
A energia mais cara do mundo é a do Brasil?
Este artigo não compara países. Os dados usados aqui são só as tarifas homologadas pela ANEEL para as distribuidoras brasileiras.
Onde vejo a tarifa da minha distribuidora?
Na página de tarifas, procurando pelo nome que aparece na fatura. Para as grandes, há páginas com a conta detalhada, como valor do kWh da Copel e da CPFL.
Fontes: ANEEL, dados abertos das tarifas das distribuidoras (conjunto consultado em 28/09/2026), ANEEL, indicadores comerciais das distribuidoras (razão social, outorga e municípios), ANEEL, ranking das tarifas e nota sobre as permissionárias do Rio de Janeiro, ANEEL, cooperativas de eletrificação rural, ANEEL, custo da energia que chega aos consumidores, ANEEL, perguntas frequentes sobre bandeiras e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.