Aumento de carga de energia: quando pedir, quanto custa e os prazos

Quando o aumento de carga é obrigatório, o que é gratuito até 50 kW de carga, os prazos da ANEEL e os riscos de ligar aparelhos novos sem avisar a distribuidora.

Aumento de carga é o pedido à distribuidora para que a casa possa usar mais potência ao mesmo tempo, em geral com um padrão de entrada maior, mais fases ou um disjuntor geral de corrente mais alta. A ANEEL obriga o consumidor a consultar a distribuidora antes, sempre que os aparelhos novos exigirem mais potência do que a ligação oferece. Para uma casa atendida em baixa tensão com até 50 kW de carga instalada, a obra na rede da distribuidora é gratuita, desde que não seja preciso acrescentar fases na rede de média tensão; o padrão de entrada e a instalação interna ficam por conta do morador.

O sinal mais comum de que a casa passou do limite é o disjuntor geral desarmando quando dois aparelhos fortes funcionam juntos. A seguir, como fazer a conta, o passo a passo do pedido, os prazos e o que acontece com quem aumenta a carga sem avisar.

Carga instalada e potência disponibilizada

Dois termos da Resolução Normativa 1.000/2021 ajudam a entender o pedido:

  • Carga instalada é a soma das potências nominais dos aparelhos instalados e em condições de funcionar, em kW (art. 2º, III).
  • Potência disponibilizada é a potência que a rede da distribuidora deve oferecer para atender a esses aparelhos (art. 2º, XL).

A carga instalada soma tudo, mesmo o que nunca liga ao mesmo tempo. A potência disponibilizada é o teto da sua ligação: número de fases, tensão e o disjuntor do padrão. O aumento de carga que interessa à distribuidora é o que exige elevar essa potência. O art. 8º, II, manda o consumidor consultar a distribuidora antes nesse caso, e o contrato de adesão das casas repete a regra (Anexo I, cláusula 5.1.4).

A conta que mostra se a casa passou do limite

A Copel dá um exemplo na página de troca de padrão. Uma casa com ligação monofásica em 127 V e disjuntor de 50 A suporta, no máximo, 127 × 50 = 6.350 W ao mesmo tempo. Se alguém toma banho com um chuveiro de 5.000 W enquanto outra pessoa passa roupa com um ferro de 4.000 W, a soma é 9.000 W. Passa de 6.350 W, e o disjuntor desarma para proteger a instalação.

A Copel conclui que, se o disjuntor desarma com frequência, ou os aparelhos novos têm potência maior, ou os hábitos mudaram, e nos dois casos é preciso revisar a carga. A relação entre watts, volts e ampères está em watts para ampères, e outras causas de desarme, que não têm nada a ver com carga, estão em disjuntor desarmando: causas.

Um roteiro para a sua conta:

  1. Descubra a tensão e o disjuntor geral do padrão. A tensão costuma aparecer na conta de luz; o disjuntor, no próprio padrão.
  2. Multiplique os dois para ter o limite aproximado em watts, como no exemplo da Copel.
  3. Liste os aparelhos que podem funcionar juntos no horário de pico, com a potência da etiqueta ou do manual.
  4. Compare a soma com o limite.

Esse cálculo mostra a ordem de grandeza. Ligações bifásicas e trifásicas dividem a carga entre fases, e cada distribuidora tem tabelas próprias de padrão por faixa de carga. Quem dimensiona de verdade é um eletricista habilitado, e é isso que a própria Copel recomenda: contratar um eletricista particular para avaliar a carga e o tipo de ligação antes do pedido.

Quando o pedido costuma aparecer

  • Troca de um chuveiro por outro de potência maior. O consumo em kWh do chuveiro está em quanto gasta um chuveiro elétrico.
  • Instalação de ar-condicionado em mais de um cômodo.
  • Forno elétrico, cooktop de indução ou torneira elétrica somados aos aparelhos que já existem.
  • Carregador de carro elétrico em casa. A REN 1.000 manda comunicar a distribuidora antes de instalar a estação de recarga quando ela exigir aumento de carga (art. 550). O que muda com um carregador de parede está em wallbox para carro elétrico.
  • Mudança de uso, como uma pequena oficina ou comércio no imóvel.

Se a casa vai receber painéis solares, a regra é outra: a potência da geração fica limitada à potência disponibilizada, e quem quiser gerar mais pede aumento da potência disponibilizada, sem precisar aumentar a carga instalada (art. 31). Veja homologação de energia solar.

Passo a passo do pedido

  1. Avaliação da carga. O eletricista levanta os aparelhos e define o tipo de ligação necessário. A distribuidora pode pedir a declaração descritiva da carga instalada. A Copel, por exemplo, exige esse documento em casos como área rural, cargas com partida brusca (compressores, máquinas de solda) e ligações acima de trifásica de 80 A.
  2. Consulta à norma da distribuidora. Cada empresa publica a norma do padrão de entrada, com o disjuntor e o cabo de cada faixa.
  3. Pedido à distribuidora. Aumento da potência demandada exige pedido de orçamento de conexão (art. 63, II). A distribuidora tem até 15 dias para entregar o orçamento quando não há obra na rede e até 30 dias quando há, em tensão abaixo de 69 kV (art. 64). O orçamento é gratuito.
  4. Obra no padrão, feita por eletricista habilitado, conforme a norma.
  5. Obra na rede, se for preciso. Em rede aérea de baixa tensão, inclusive com troca ou instalação de transformador, o prazo é de até 60 dias (art. 88, I).
  6. Vistoria e ligação. Depois das obras, a distribuidora tem até 5 dias úteis para vistoriar e instalar a medição em ligações abaixo de 2,3 kV, como as casas (art. 91). Na Copel, a troca de padrão sem desligamento programado tem vistoria em até 3 dias úteis e ligação em até 2 dias úteis na área urbana, e 5 mais 5 na rural.

Montar ou trocar padrão, quadro, disjuntor e fiação é serviço de eletricista habilitado. Não troque o disjuntor por um maior por conta própria: ele protege os cabos que estão depois dele, e essa avaliação é do eletricista.

Quanto custa

A parte da rede tem regra clara. O art. 105 da REN 1.000 manda a distribuidora atender de graça ao aumento de carga de unidade do grupo B desde que:

  • a carga instalada depois do aumento não passe de 50 kW; e
  • não seja preciso acrescentar fases em rede de tensão igual ou maior que 2,3 kV.

A primeira vistoria do pedido de aumento de carga também não pode ser cobrada. As seguintes podem ser, desde que a distribuidora tenha informado antes todos os motivos da reprovação anterior (art. 624, §§ 3º e 4º).

O que fica com o consumidor: o padrão de entrada, os materiais e a mão de obra do eletricista. A ANEEL informa ainda que, quando é o consumidor que pede outro tipo de medidor ou de ligação, pode ser cobrada a diferença de preço dos equipamentos e materiais, mais eventuais custos de adaptação da rede. Peça o orçamento por escrito antes de começar.

O efeito na conta mensal

Mudar o tipo de ligação não muda o preço do kWh. Muda o valor mínimo da fatura, o custo de disponibilidade, que vale para meses de consumo muito baixo (art. 291):

Tipo de ligação Mínimo faturado Valor a R$ 0,80 por kWh
Monofásica ou bifásica a 2 condutores 30 kWh R$ 24,00
Bifásica a 3 condutores 50 kWh R$ 40,00
Trifásica 100 kWh R$ 80,00

Os valores usam R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial de 100 distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 28/09/2026 (veja as tarifas). Para uma casa que consome 250 kWh por mês, o mínimo não faz diferença: ela paga 250 × 0,80 = R$ 200,00 de energia em qualquer tipo de ligação. Para uma casa de veraneio fechada, passar de monofásica para trifásica sobe o piso de R$ 24,00 para R$ 80,00. Na ligação trifásica residencial de baixa renda com consumo de até 80 kWh, o mínimo é de 80 kWh.

ICMS e PIS/Cofins aumentam o valor final. Em setembro de 2026, a bandeira foi amarela, com R$ 0,01885 a mais por kWh; para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional. Nos 250 kWh do exemplo, a bandeira de setembro somaria 250 × 0,01885 = R$ 4,71. Veja a bandeira do mês e o guia do custo de disponibilidade.

O que pesa de verdade na conta são os aparelhos novos. Um aparelho de 2.000 W usado 3 horas por dia, 30 dias por mês, gasta 2 × 3 × 30 = 180 kWh, ou 180 × 0,80 = R$ 144,00 de energia no mês. Faça essa conta para cada aparelho na calculadora antes de decidir o tamanho do padrão. A comparação entre as ligações está em monofásico, bifásico ou trifásico.

Dívidas e o pedido de aumento de carga

No aumento de carga, a distribuidora pode exigir o pagamento de débitos do titular naquela mesma instalação (art. 346, § 3º). A Copel, por exemplo, pede que não haja débitos vencidos na unidade para aceitar a troca de padrão.

O que ela não pode é condicionar o serviço ao pagamento de dívida de outra pessoa, como de um morador anterior, nem pedir que você assine termo assumindo essa dívida (art. 346, caput). Quem mora de aluguel e quer fazer o pedido encontra as questões de titularidade em conta de luz: inquilino ou proprietário.

O que acontece se aumentar a carga sem avisar

A norma trata o assunto em três pontos.

  • Suspensão imediata. O aumento de carga sem consulta à distribuidora, quando prejudica o atendimento a outros usuários, está entre as deficiências que autorizam a suspensão imediata do fornecimento (art. 353, § 1º, I).
  • Irregularidade. Se o aumento de carga sem aviso causar defeito no sistema de medição, e a distribuidora comprovar isso, o caso é tratado como procedimento irregular (art. 590, § 2º), com as regras de cobrança desse capítulo. Sem essa comprovação, vale a regra comum de defeito na medição.
  • Segurança. A Neoenergia alerta que cargas e fiações inadequadas aumentam a chance de curto-circuito e incêndio, e orienta que a revisão da instalação, em reformas ou antes de ligar aparelhos novos, seja feita por eletricista profissional. O artigo tomada esquentando mostra sinais de alerta.

Perguntas frequentes

Preciso pedir aumento de carga para instalar um ar-condicionado?

Depende da soma. Se o ar-condicionado, junto com os aparelhos que funcionam ao mesmo tempo, cabe no limite da ligação, não. Se passa, sim. O eletricista faz a conta com a potência do aparelho e o padrão da casa. O consumo mensal de um modelo comum está em ar-condicionado de 12.000 BTUs: consumo.

Aumento de carga é a mesma coisa que ligação nova?

Não. Ligação nova é para o imóvel sem medidor ou contrato. O aumento de carga muda uma ligação que já existe. Os prazos e documentos da ligação nova estão em ligação nova de energia.

Quem paga a troca do poste ou do transformador?

Se a carga final ficar em até 50 kW e não for preciso acrescentar fases na rede de média tensão, a obra na rede é da distribuidora, sem custo para você (art. 105). Acima disso, o orçamento mostra a sua participação.

Quanto tempo leva tudo?

Sem obra na rede: até 15 dias para o orçamento, o tempo da sua obra no padrão e até 5 dias úteis para vistoria e ligação. Com obra na rede de baixa tensão, o orçamento pode levar até 30 dias, e a obra da distribuidora, até mais 60. Se a distribuidora descumprir os prazos, deve compensar o consumidor, segundo a ANEEL.

Posso reduzir a carga depois?

A Copel trata a redução de carga no mesmo serviço de troca de padrão, e a REN 1.000 também fala em aumento ou redução de carga. Se a redução levar a uma ligação com menos fases, o custo de disponibilidade cai, o que só pesa em casas de consumo muito baixo.

Fontes: ANEEL, Resolução Normativa nº 1.000/2021, texto compilado, Copel, troca de padrão (aumento de carga), Neoenergia, orientações para evitar sobrecarga elétrica, ANEEL, Como resolver: principais dúvidas (medidor, tipo de ligação, prazos), ANEEL, dados abertos de tarifas das distribuidoras e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.