Kit energia solar: o que vem na caixa e o que fica de fora
Um kit on-grid traz painéis, inversor, estrutura, cabos e conectores. Projeto, ART e o pedido à distribuidora ficam fora. Veja como conferir cada peça.
Um kit de energia solar para ligar na rede (on-grid) reúne os equipamentos do sistema: módulos fotovoltaicos, inversor ou microinversores, estrutura de fixação para o tipo de telhado, cabos e conectores, e muitas vezes a string box com as proteções do lado de corrente contínua. O que não vem na caixa é o serviço: projeto elétrico, ART ou TRT, instalação e o pedido de conexão à distribuidora.
Saber essa divisão evita a surpresa mais comum de quem compara orçamentos: um kit barato que ainda precisa de tudo que não é equipamento para funcionar.
O tamanho de um kit residencial
O cadastro de geração distribuída da ANEEL, gerado em 27/09/2026, lista 3.726.801 sistemas solares em unidades consumidoras da classe residencial (somando todas as classes, são 4.655.916 registros solares). A potência instalada registrada nas residenciais tem mediana de 5 kW: pouco mais da metade tem até 5 kW. Um quarto fica abaixo de 4 kW e um quarto acima de 7,7 kW.
Esse número serve de referência, não de receita. O tamanho certo sai do consumo da sua casa, e a conta está em quantas placas solares preciso. Aqui o foco é o que chega dentro de um kit desse porte.
O que vem num kit on-grid
| Peça | Para que serve | O que conferir |
|---|---|---|
| Módulos (placas) | Transformam luz em corrente contínua | Potência em W, quantidade, registro no Inmetro, garantias |
| Inversor ou microinversores | Convertem corrente contínua em alternada, sincronizada com a rede | Potência nominal, tensão (127 V ou 220 V), certificado do Inmetro |
| String box | Protege o lado de corrente contínua e permite separar os módulos do inversor | DPS, chave seccionadora, tensão máxima compatível |
| Estrutura de fixação | Prende os módulos no telhado, laje ou solo | Se foi feita para o seu tipo de telhado |
| Cabos e conectores | Ligam módulos, proteções e inversor | Cabo próprio para uso solar e conectores compatíveis entre si |
Em kits com microinversores, o desenho muda. A Komeco descreve o seu microinversor como um aparelho que fica acoplado aos módulos, faz a conexão direto neles e dispensa a passagem de cabos de corrente contínua pelo telhado. Nesse caso, a lista de proteções do kit também é outra, e quem define é o projeto.
Módulos: some a potência antes de olhar o preço
A potência do kit, em kWp, é a soma da potência dos módulos. Um kit de 9 módulos de 575 W tem 9 × 575 = 5.175 W, ou 5,175 kWp. Se a proposta fala em 5 kWp e lista 8 módulos de 575 W, a soma dá 4,6 kWp. Refaça sempre essa multiplicação.
Dois pontos a olhar na ficha do módulo:
- o registro no Inmetro, que a distribuidora pode pedir no projeto;
- a garantia de produto e a de desempenho, que são coisas diferentes. A durabilidade está em placa solar dura quantos anos.
O Inmetro publica uma tabela de eficiência de módulos no Programa Brasileiro de Etiquetagem, mas a versão disponível na página foi atualizada em 27/02/2018. Nela, um módulo de silício cristalino é classe A quando a eficiência passa de 13,5%. Como a tabela é antiga, compare também a eficiência declarada na ficha técnica do módulo ofertado. A diferença entre as tecnologias de célula está em monocristalino ou policristalino.
Inversor: potência, entradas e certificado
O inversor define quanta potência chega à rede e em qual tensão. Na linha monofásica 220 V da Komeco, o modelo de 3 kW aceita até 4.500 W de módulos na entrada e tem 2 MPPTs, que são entradas independentes para grupos de módulos. O de 5 kW aceita até 7.500 W. É normal o kit ter mais potência em módulos do que o inversor entrega, dentro do limite que o fabricante informa.
No caso do microinversor, a mesma fabricante lista um modelo de 2.000 W que recebe 4 módulos, cada um entre 210 W e 600 W, com eficiência máxima de 96,5%. Um kit de 9 módulos precisaria de 3 unidades desse modelo, que somam 12 entradas, com 3 sobrando.
A peça mais importante para a aprovação é o certificado. A norma de conexão em baixa tensão da Cemig exige que o inversor atenda à Portaria nº 140 do Inmetro e pede o certificado de conformidade para a tensão de conexão com a rede. Inversor sem esse documento pode travar a homologação. A diferença entre os dois formatos está em microinversor ou inversor string, e o papel do equipamento em inversor solar: o que é.
String box: as proteções do lado dos módulos
A string box fica entre os módulos e o inversor. A Komeco descreve a sua como a proteção da parte de corrente contínua, com três itens principais:
- dispositivo de proteção contra surtos (DPS), que desvia sobretensões para o aterramento;
- chave seccionadora, para desligar os módulos do inversor com segurança;
- caixa com proteção contra água e poeira IP65.
A chave separa os módulos do inversor, mas não os desenergiza: com luz, os módulos e os cabos até a chave continuam com tensão, como alerta o manual de engenharia fotovoltaica do CRESESB.
O modelo de entrada da marca é para 600 V em corrente contínua; há versões para 1.000 V. A tensão da string box precisa ser compatível com a tensão da série de módulos, e essa conta é do projetista. Para entender o DPS em outros pontos da casa, veja protetor contra surtos.
Estrutura, cabos e conectores
A estrutura é a parte do kit mais ligada à sua casa. O distribuidor Aldo, por exemplo, separa os geradores on-grid por tipo de estrutura, com opções para telha colonial, telha ondulada, telhado metálico, laje e solo, e ainda vende kits sem estrutura. Antes de fechar, confirme que a estrutura do kit é a do seu telhado e que alguém avaliou se o telhado aguenta o peso.
Cabos e conectores costumam vir em quantidade padrão. Se o inversor fica longe dos módulos, o cabo incluído pode não bastar. Pergunte a metragem.
O que não vem no kit
| Item | Quem resolve | Por que importa |
|---|---|---|
| Projeto elétrico e diagrama | Profissional habilitado | A distribuidora analisa antes de liberar |
| ART ou TRT | Engenheiro ou técnico habilitado | Obrigatória no pedido, segundo a norma da Cemig |
| Pedido de conexão e vistoria | Consumidor, em geral com o integrador | Sem aprovação, o sistema não pode operar |
| Mão de obra de instalação | Integrador | Define prazo, segurança e garantia do serviço |
| Adequações no padrão de entrada | Consumidor, com eletricista | A distribuidora pode exigir antes da ligação |
A norma da Cemig diz que a utilização da microgeração depende de análise do projeto, inspeção, teste e liberação pela distribuidora. Ligar o sistema por conta própria antes disso não é o caminho. O medidor que registra energia consumida e injetada é assunto da distribuidora: na norma técnica da EDP, os custos de medição do microgerador ficam com a própria distribuidora.
Quanto um kit de 5 kWp gera e economiza
Com a potência do exemplo e uma suposição de geração, dá para ver a ordem de grandeza. O Atlas Brasileiro de Energia Solar, do INPE, registra no Sudeste médias anuais de irradiação entre 4,97 e 5,11 kWh/m² por dia em metade dos anos de 2005 a 2015. Usando 5,0 kWh/m² e supondo que 80% disso vira energia na saída do inversor (suposição do exemplo):
5,175 kWp × 5,0 × 0,80 × 30 dias = 621 kWh por mês.
A R$ 0,80 por kWh, a mediana residencial de 98 distribuidoras sem tributos, com dados da ANEEL consultados em 11/09/2026 (veja tarifas), isso vale R$ 496,80 por mês se toda a energia fosse usada na hora. A parte injetada na rede paga uma parcela do Fio B, explicada em taxação do sol e Fio B. Tributos e a bandeira amarela de setembro de 2026, de R$ 0,01885 por kWh, pesam no valor final de cada kWh que a casa deixa de comprar. Para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional.
O retorno do investimento, com preço médio de mercado, está em energia solar vale a pena?. Para ver o consumo de cada aparelho que o sistema vai abater, use a calculadora.
Kit off-grid e kit híbrido
Um kit off-grid, para lugar sem rede, acrescenta baterias e um inversor que carrega e descarrega essas baterias. O Inmetro mantém tabelas separadas para baterias e para inversores off-grid no mesmo programa de etiquetagem. O kit híbrido fica ligado na rede e também tem bateria, para usar à noite ou numa queda de energia.
Esses kits pedem outra conta, porque a bateria é a peça mais cara e a que menos dura. Veja energia solar off-grid, bateria para energia solar e inversor híbrido. O kit on-grid comum desliga quando a rede cai, por segurança, como explica energia solar quando falta luz.
Como comparar dois orçamentos de kit
- Some a potência dos módulos em cada proposta e compare em kWp, não em número de placas.
- Divida o preço do kit pela potência em Wp. Compare equipamento com equipamento: um orçamento com instalação e outro sem não se comparam.
- Veja a relação entre módulos e inversor e confira na ficha se está dentro do limite do fabricante.
- Peça o certificado do Inmetro do inversor na tensão da sua casa.
- Confirme o tipo de estrutura e a metragem de cabo.
- Pergunte quem faz o projeto, a ART e o pedido à distribuidora, e quanto isso custa à parte.
Se for financiar, compare a parcela com a economia mensal estimada, como mostra energia solar financiamento.
Perguntas frequentes
Posso comprar o kit e instalar sozinho?
O kit é vendido para qualquer pessoa, mas a conexão à rede exige projeto e ART ou TRT de profissional habilitado, segundo a norma da Cemig. A instalação envolve telhado e corrente contínua em tensão alta. Contrate profissional habilitado.
O kit vem com bateria?
O on-grid comum, não. A rede faz o papel da bateria por meio dos créditos de energia. Kits híbridos e off-grid trazem bateria.
Qual a garantia do kit?
Cada peça tem a sua: módulos, inversor e estrutura têm prazos diferentes, informados por cada fabricante. A garantia da instalação é do integrador. Peça tudo por escrito.
Um kit de 5 kWp zera a conta?
Não. Mesmo gerando o equivalente ao consumo, a conta mantém tributos, contribuição de iluminação pública e, em alguns casos, o valor mínimo. O guia de créditos de energia solar na conta mostra como isso aparece na fatura.
Fontes: ANEEL, dados abertos: relação de empreendimentos de micro e minigeração distribuída, Komeco, inversor on-grid monofásico 220 V, Komeco, microinversor, Komeco, string box, Inmetro, tabelas de sistema de energia fotovoltaica, Cemig, ND-5.30 conexão de geração distribuída em baixa tensão, EDP, padrão técnico de conexão de micro e minigeradores, Aldo Solar, geradores on-grid, INPE, Atlas Brasileiro de Energia Solar, 2ª edição, Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026 e CRESESB/Cepel, Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos (2014).