Quanto custa 100, 200 e 300 kWh na conta de luz? Veja por faixa e distribuidora

Com o kWh a R$ 0,80, 100 kWh custam R$ 80, 200 kWh R$ 160 e 300 kWh R$ 240 antes dos tributos. Veja bandeira, distribuidora e o que muda no total.

Com o kWh a R$ 0,80, 100 kWh custam R$ 80, 200 kWh custam R$ 160 e 300 kWh custam R$ 240, sem tributos e sem bandeira. Esse R$ 0,80 é a mediana residencial de 98 distribuidoras nos dados da ANEEL consultados em 11/09/2026 (a lista completa está em tarifas).

O total que chega na fatura é maior, porque ICMS, PIS/Cofins, bandeira e iluminação pública entram depois. E a sua distribuidora pode cobrar bem menos ou bem mais que a mediana. Abaixo estão as três faixas com cada um desses ajustes, na ordem em que eles pesam.

A conta básica: kWh vezes tarifa

O preço de uma quantidade de energia é a quantidade multiplicada pelo valor do kWh. Nada mais. Se precisar revisar de onde vem o kWh de cada aparelho, o passo a passo está em como calcular consumo de energia.

Consumo no mês kWh por dia (30 dias) Custo a R$ 0,80 Custo por dia
100 kWh 3,33 R$ 80,00 R$ 2,67
200 kWh 6,67 R$ 160,00 R$ 5,33
300 kWh 10,00 R$ 240,00 R$ 8,00

A coluna por dia ajuda quando o ciclo da fatura não tem 30 dias. Uma conta de 33 dias com 220 kWh, por exemplo, tem 6,67 kWh por dia, o mesmo ritmo dos 200 kWh em 30 dias. O guia comparar contas com dias diferentes mostra por que isso importa antes de concluir que o consumo subiu.

A bandeira do mês muda pouco em reais

A ANEEL define a cor da bandeira todo mês. A verde não soma nada. A amarela soma R$ 0,01885 por kWh, a vermelha patamar 1 soma R$ 0,04463 e a vermelha patamar 2 soma R$ 0,07877. Em setembro de 2026 vale a amarela (veja o histórico em bandeira). Para outubro de 2026, a ANEEL anunciou bandeira verde, sem adicional.

Consumo Amarela Vermelha patamar 1 Vermelha patamar 2
100 kWh + R$ 1,89 + R$ 4,46 + R$ 7,88
200 kWh + R$ 3,77 + R$ 8,93 + R$ 15,75
300 kWh + R$ 5,66 + R$ 13,39 + R$ 23,63

Com a amarela de setembro, os 200 kWh passam de R$ 160,00 para R$ 163,77 antes dos tributos. No pior patamar, uma casa de 300 kWh paga quase R$ 24 a mais só de bandeira. O efeito do patamar 2 em outras faixas de consumo está em bandeira vermelha patamar 2.

O preço muda muito de uma distribuidora para outra

A mediana esconde uma faixa larga. No conjunto de 98 distribuidoras consultado em 11/09/2026, a tarifa residencial convencional homologada ia de R$ 0,53416 a R$ 1,56923 por kWh, e a maior, da Ceres, já traz o efeito do ICMS por uma regra do Rio de Janeiro. A tabela usa a menor, a maior e três concessionárias grandes, cada uma com a tarifa vigente naquela data:

Distribuidora (tarifa por kWh) 100 kWh 200 kWh 300 kWh
Codesam, menor do conjunto (R$ 0,53416) R$ 53,42 R$ 106,83 R$ 160,25
CPFL Paulista (R$ 0,73945) R$ 73,95 R$ 147,89 R$ 221,84
Cemig-D (R$ 0,90329) R$ 90,33 R$ 180,66 R$ 270,99
Enel RJ (R$ 1,06110) R$ 106,11 R$ 212,22 R$ 318,33
Ceres, maior do conjunto (R$ 1,56923, já com o efeito do ICMS) R$ 156,92 R$ 313,85 R$ 470,77

Os mesmos 200 kWh custam R$ 106,83 numa ponta e R$ 313,85 na outra, quase o triplo. As tarifas mudam a cada reajuste anual de cada empresa, e o que provoca essas mudanças está em reajuste tarifário. Para achar o valor que vale para você, o guia qual valor do kWh usar explica onde procurar na fatura.

Com tributos, a conta sobe mais do que a alíquota sugere

ICMS, PIS e Cofins são calculados “por dentro”: o imposto entra na própria base. Por isso a conta é uma divisão, não uma soma de percentuais. O detalhe está em ICMS na conta de luz; aqui vai só o efeito nas três faixas.

Suponha, só como exemplo, que os três tributos juntos representem 25% do valor final. Esse percentual é hipotético e varia por estado e por mês. Com a bandeira amarela:

  • 100 kWh: R$ 81,89 sem tributos, e R$ 81,885 ÷ 0,75 = R$ 109,18 com tributos.
  • 200 kWh: R$ 163,77 sem tributos, e R$ 163,77 ÷ 0,75 = R$ 218,36 com tributos.
  • 300 kWh: R$ 245,66 sem tributos, e R$ 245,655 ÷ 0,75 = R$ 327,54 com tributos.

Ainda falta a contribuição de iluminação pública, que é municipal e aparece como linha separada. Ela é explicada em taxa de iluminação pública.

Quanto kWh cabe num orçamento

Às vezes a pergunta é a inversa: quanto dá para gastar com R$ 100? Divida o valor pelo preço do kWh.

  • Sem tributos, a R$ 0,80: R$ 100 ÷ 0,80 = 125 kWh.
  • Com os 25% hipotéticos de tributos: primeiro tire a parte dos impostos, R$ 100 × 0,75 = R$ 75, e depois divida, R$ 75 ÷ 0,80 = 93,75 kWh.

Ou seja, um orçamento de R$ 100 na fatura final comporta algo perto de 94 kWh nesse exemplo, e não 125. A diferença é o que surpreende quem faz a conta só com a tarifa.

O que consome 100, 200 ou 300 kWh

Os números abaixo usam potências de exemplo, escolhidas para dar escala. A potência do seu aparelho está na etiqueta ou no manual.

  • Um chuveiro de 5.500 W gasta 5,5 kWh por hora ligado. Para chegar a 100 kWh no mês, basta 100 ÷ 5,5 = 18,2 horas de banho, ou cerca de 36 minutos por dia somando todos os moradores. As contas por potência e tempo de banho estão em quanto gasta um chuveiro elétrico.
  • Um ar-condicionado que puxe em média 1.000 W durante 8 horas por noite soma 1 × 8 × 30 = 240 kWh no mês. Sozinho, ele leva uma casa de 60 kWh para 300 kWh. O consumo real por BTU está em quanto gasta um ar-condicionado.
  • Dez lâmpadas LED de 9 W acesas 5 horas por dia somam 10 × 9 × 5 × 30 ÷ 1.000 = 13,5 kWh. Iluminação raramente explica a diferença entre uma faixa e outra.

Se o consumo da sua casa pulou de faixa, a lista de suspeitos está em aparelhos que mais gastam energia. E para saber se 200 kWh é muito para o tamanho da sua família, veja o consumo médio de energia residencial.

Três casos em que a regra muda

Tarifa Social

Desde as faturas emitidas a partir de 5 de julho de 2025, as famílias beneficiárias não pagam pelos primeiros 80 kWh do mês, segundo a ANEEL. Numa casa com Tarifa Social, 100 kWh viram 20 kWh cobrados, perto de R$ 16 no valor de referência. Com 200 kWh, a cobrança de energia cai sobre 120 kWh, uns R$ 96. O valor real tende a ser um pouco menor, porque essas famílias também não pagam o encargo da CDE nem o custeio do Proinfa. Tributos estaduais e iluminação pública podem continuar aparecendo. Os critérios estão em tarifa social: quem tem direito.

Consumo abaixo do mínimo

A Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021, no art. 291, fixa o custo de disponibilidade em valor equivalente a 30 kWh na ligação monofásica ou bifásica a dois condutores, 50 kWh na bifásica a três condutores e 100 kWh na trifásica. Uma casa trifásica que consome 70 kWh paga, no mínimo, o equivalente a 100 kWh. Para ela, economizar abaixo de 100 kWh quase não aparece na fatura. A exceção veio com a Resolução Normativa nº 1.147/2025: na trifásica com Tarifa Social e consumo de até 80 kWh, o mínimo passa a ser 80 kWh, que entram na gratuidade. O guia custo de disponibilidade explica a leitura, e o tipo de ligação da sua casa é o assunto de monofásico, bifásico ou trifásico.

Tarifa Branca

Na Tarifa Branca o kWh custa mais no horário de ponta e menos fora dele. Os mesmos 200 kWh podem sair mais caros ou mais baratos que na convencional, conforme a hora em que são usados. O guia Tarifa Branca: comparar horários mostra como testar com o seu histórico.

Erros comuns ao fazer essa conta

  • Dividir o total da fatura pelo consumo e chamar o resultado de tarifa. Esse número mistura impostos, bandeira, iluminação pública e às vezes parcelas de outros meses.
  • Achar que a tarifa da ANEEL tem preço por faixa de consumo. Na residencial convencional, fora a Tarifa Social e o Desconto Social criado em 2025, o kWh número 250 custa o mesmo que o kWh número 50. A exceção pode estar no ICMS: cada estado define alíquotas, faixas e isenções próprias.
  • Comparar meses sem olhar os dias do ciclo, ou sem ver se a leitura foi estimada. O guia consumo medido, faturado e estimado ajuda nisso.

Perguntas frequentes

Quanto custa 1 kWh?

Na mediana de 98 distribuidoras, R$ 0,80 sem tributos, em dados da ANEEL de 11/09/2026. Na sua conta, o valor com impostos é maior. Use a calculadora com o preço da sua fatura para refazer qualquer faixa.

150 kWh é muito?

Custa R$ 120 a R$ 0,80, antes de tributos e bandeira. Se é muito depende do número de moradores e de ter chuveiro elétrico ou ar-condicionado. A página de consumo médio residencial ajuda a comparar.

Por que a minha conta de 200 kWh deu mais de R$ 160?

Porque R$ 160 é só a energia pela mediana nacional. Somam-se a bandeira, ICMS, PIS/Cofins e a iluminação pública, e a tarifa da sua distribuidora pode ser maior que a mediana. O guia conta de luz alta: o que conferir mostra a ordem para investigar.

A bandeira vale para todos?

Vale para os consumidores cativos das distribuidoras, com exceção dos sistemas isolados, segundo a ANEEL.

Fontes: ANEEL, dados abertos de tarifas das distribuidoras, ANEEL, sobre bandeiras tarifárias, ANEEL, Tarifa Social, Resolução Normativa ANEEL nº 1.000/2021 no Diário Oficial da União, Resolução Normativa ANEEL nº 1.147/2025, que alterou os arts. 179 e 291 e Agência Brasil, bandeira verde em outubro de 2026.